Notícia Sobre Explosão de Meteoro na Atmosfera Terrestre. PDF Imprimir E-mail
Explosão de meteoro teve potência de bomba
Sistema militar detectou liberação de energia equivalente à de uma detonação nuclear

William J. Broad
Do New York Times
Publicada em O Globo de 30/05/2001
NOVA YORK. Na madrugada de 23 de abril de 2001, Washington começava a se recuperar da crise de espionagem com a China, quando tocou o alarme do sistema militar que monitora explosões nucleares em todo o planeta.

Satélites voltados para a detecção de ataques nucleares captaram uma forte explosão sobre Oceano Pacifico, a centenas de quilômetros da costa de Los Angeles.
No solo, as ondas de choque da explosão foram suficientes fortes para serem registradas em quase todo o mundo.

A tensão se instalou até que o Pentágono assegurou à Casa Branca que não se tratava de uma explosão nuclear. Tratava-se do choque de um meteoro com a atmosfera terrestre.
— Foi um grande susto. Coisas assim não acontecem a toda hora — disse Douglas O. ReVelle, do Laboratório de Los Alamos, no Novo México.

Segundo ele, o meteoro foi um dos maiores já detectados nas últimas três décadas. Sua explosão na atmosfera liberou energia semelhante à da bomba atômica de Hiroxima. [1]

O episódio mostrou que o sistema de detecção militar é capaz de identificar meteoros do tamanho de bombas. A cada mês é registrada ao menos uma grande explosão na atmosfera. ReVelle acredita que, com o aperfeiçoamento do sistema, esse número crescerá bastante nos próximos anos.
— O número real de choques violentos na atmosfera é grande e muito maior do que o imaginado há poucos meses. Mas ainda não podemos saber com exatidão qual é a freqüência desses choques — disse.

O sistema mostrou que o planeta é continuamente atingido por bólidos celestes. As explosões aparecem no céu como bolas de fogo; porém, raramente são vistas porque em geral acontecem sobre o mar ou áreas desabitadas.

Os bólidos (quase todos asteróides) medem entre meio metro e 25 metros de diâmetro. Eles desaparecem em explosões titânicas na alta atmosfera e a enorme energia liberada pela colisão é convertida quase que instantaneamente em luz e calor.

Os sensores terrestres de Los Alamos, que só obteve permissão para divulgar seus dados sobre a explosão este mês, são até mais sensíveis do que os satélites e podem captar freqüências sonoras muito baixas, como as geradas por uma explosão a milhares de metros de altitude.

A explosão de abril foi captada ainda por bases de sensores terrestres situadas no Havaí, no Alasca, no Canadá, na Alemanha e na América do Sul.
— Foi uma grande explosão, o objeto celeste deveria ter algo em torno de cinco metros de diâmetro . Cada vez mais gente se preocupa com o risco de um choque de um cometa ou asteróide com a Terra. Nossos estudos podem oferecer uma compreensão melhor sobre esse risco — explicou o cientistas de Los Alamos.

NOTA DA MHP: ALGUNS DADOS PARA COMPARAÇÃO
Liberação de Energia no choque:
Objeto 0.03 km de diâmetro 3.5 milhões de tons de TNT (*)
Objeto 1 km de diâmetro 300.000 milhões de tons de TNT (300 x 10 9 )
Objeto 1,2 a 2,5 km de diâmetro 500.000 milhões de tons de TNT (500 x 10 9 )

Objeto que exterminou os dinossauros:
10 a 15 km de diâmetro: 30 km/s:Cratera: profundidade 40 km; largura 150 a 200 km
Energia Liberada: 100 x 10 12 tons de TNT = 8.333 milhões de bombas de Hiroshima= 10 vezes o total do arsenal nuclear mundial.
(*) Hiroshima 12.000 tons TNT

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