Zé da Silva e a Fronteira da Tecnologia PDF Imprimir E-mail

José da Silva mora no subúrbio do Rio de Janeiro e diariamente acorda às 4 da manhã para ter possibilidade, após tomar três diferentes meios de transporte, chegar a tempo em seu trabalho de pedreiro em uma obra na zona oeste do Rio de Janeiro. Da Silva não tem a menor idéia que em breve nanorobôs estarão sendo introduzidos na corrente sanguínea dos humanos para diagnóstico e prevenção de inúmeras doenças.

Agnaldo Silva é advogado, mora em um bairro de classe média alta em São Paulo, diariamente, cerca de 10 horas, sai de casa em seu automóvel do ano dirigindo-se ao escritório de advocacia do qual é sócio no centro da cidade. Silva não tem a menor idéia de que escaneamentos cerebrais terão, em cerca de duas décadas, mapeado completamente a atividade cerebral humana permitindo a simulação de suas funções.

John Doe, mora em Salem, estado de Oregon nos EUA, é funcionário do governo estadual chegando diariamente à sua repartição às 09h00min e não tem a menor idéia de que a NASA já projeta estruturas da estação orbitais internacional utilizando algoritmos e programas denominados genéticos que as projetam e modelam inteiramente por computador sem interferência humana no projeto.

Estas três narrativas servem de exemplo para ilustrar de uma maneira geral quão afastado das informações relativas à fronteira da ciência está o homem comum, independente de classe, condição social ou local de origem. Em sua maioria as pessoas exclamariam que estas coisas eram oriundas do diabo ou das páginas da ficção científica.

Apesar da Lei do Retorno Acelerado que mostra que os paradigmas tecnológicos estão cada vez surgindo e sendo disseminados entre a população com um intervalo e velocidade cada vez menor estas informações demoram a chegar ao domínio do cidadão comum. Analisem o tempo que a televisão levou para ser totalmente espalhada pelo mundo e o tempo em que está ocorrendo a mesma coisa com os celulares.

Em meados de 2040 a porção não-biológica de nossa civilização homem-máquina será cerca de um bilhão de vezes maior do que a porção biológica. Hoje temos cerca de 1026 cps entre todos os cérebros humanos e em 2045 cerca de 1035 cps. As máquinas alcançarão 1040 cps nesta ocasião dotando nossa civilização da capacidade de realizar projetos científicos e tecnológicos ainda mais ambiciosos ao ultrapassar o ponto denominado Singularidade Tecnológica.

Segundo Kurzweil[1] nossos computadores atingirão a marca de cerca de 1077 cps até o final do século.

O fato da informação destes desenvolvimentos estarem afastados do homem comum é de certo modo angustiante para aqueles que têm o privilégio de estarem ao par destes desenvolvimentos científicos e tecnológicos. Conforme o próprio Kurzweil se expressa; "ser um Singularitariano[2] é normalmente uma experiência alienante e solitária porque a maioria das pessoas que encontro não compartilha minha visão".

Se nos voltarmos para o nosso país esta situação ainda se agrava mais devido ao tempo que as inovações científicas e tecnológicas levam para serem publicadas em português. Veja-se o caso dos próprios livros de Kurzweil, o primeiro deles "The Age of Intelligent Machines" nunca foi publicado no Brasil e o segundo "The Age of Spiritual Machines", publicado em 1999, somente teve a edição brasileira lançada em 2007. Seu terceiro livro "The Singularity is Near" esperamos que na esteira deste agora publicado apareça mais rapidamente nas livrarias brasileiras.

A MPHP tem se esforçado, embora ainda sem muito sucesso, em trazer estas idéias traduzindo artigos, disponibilizando resenhas de livros e propondo um debate no Fórum MPHP em:

(http://www.mphp.org/forum/index.php).

As fronteiras da ciência têm trazido fatos e teorias cada vez mais surpreendentes e uma pessoa tem que estar atualizada com estes desenvolvimentos, até mesmo para reajustar seus conceitos. Uma prova disto é a consideração científica cada vez mais disseminada de que o nosso universo encerra todas as características de um projeto inteligente. A base desta afirmação se sustenta na constatação de que as constantes da natureza são exatamente aquelas necessárias para que o nosso universo tivesse crescido em complexidade.

Se as constantes cosmológicas, a constante de Plank e muitas das outras constantes físicas tivessem valores apenas ligeiramente diferentes do que têm átomos, moléculas, estrelas, planetas, organismos, humanos e este artigo teriam sido impossíveis. Como James Gardner[3] afirma, "Uma multidão de fatores são finamente ajustados com uma exatidão fantástica num grau que confere ao cosmos quase, fantasmagoricamente, a condição de biologicamente amigável".

Que fique bem claro que a suposição de um projeto inteligente para o universo não tem nada com a teoria do Criacionismo que confere 6.000 anos para a idade da Terra.

Assim hoje a pergunta mais intrigante, mais profunda que desafia os cientistas é: Porquê o universo é amigável à vida?

Este conjunto de quebra cabeças com as surpreendentes coincidências que fazem o universo apropriado, especialmente, para a vida como este fosse adaptado ao homem é que fizeram com que os cientistas o denominassem de princípio cosmológico antrópico.

[1] Kurzweil, Ray, The Singularity is Near, Penguin Books, 2006

[2] Singularitariano seria a tradução para Singularitarian, uma pessoa que compartilhasse a idéia da Singularidade Tecnológica. Sobre a Singularidade Tecnológica acesse os artigos em: http://www.mphp.org/ciencia-e-tecnologia/

[3] Gardner, James, The Intelligent Universe, New Page Books, NJ, 2007

Trackback(0)
Comentarios (0)add
Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security image
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Seguinte >

Recomendar a MPHP

Fala para um amigo Seu nome:

Seu e-mail:

E-mail do seu amigo: