Jesus e a Resistência Judia - Parte 1 PDF Imprimir E-mail
  • Condensado de Revolution in Judea: 
  •  Jesus and the Jewish Resistance  
  • por Hyam Maccoby
  • Tradução: Mário Porto

Introdução

 

Existem algumas vantagens em ser judeu quando tentamos entender os Evangelhos, especialmente se alguém já esteve colocado em contato próximo com a liturgia judia, com as cerimônias do ano religioso judeu, com a literatura rabínica e com a visão geral moral e cultural judia. Muitos aspectos dos evangelhos são tão familiares para os judeus como o ar que respiram.

 

Quando Jesus bebeu vinho e partiu o pão na Última Ceia, ele estava fazendo o que os judeus fazem todas as vezes que celebram a cerimônia do Kiddush antes de um Festival ou da refeição do Sabath. Quando Jesus começa sua oração com “Nosso Pai que estais no céu...” ele está seguindo o padrão das orações farisaicas que ainda fazem parte do Livro Diário de Orações dos Judeus. Quando ele falou em parábolas e usou frases chocantes (tais como “engolis o camelo” ou “a trava em seus próprios olhos”) ele estava usando métodos de expressão familiares a qualquer estudante dos escritos Talmúdicos.

 

Ao mesmo tempo, um Judeu lendo os Evangelhos fica imediatamente alertado para aspectos que não parecem autênticos; por exemplo, a narrativa dos fariseus aguardando para matar Jesus em razão de ele curar no Sabath. Os Fariseus nunca incluíram a cura na sua lista de atividades proibidas no Sabath; e os métodos de cura de Jesus não envolviam nenhuma das atividades que eram proibidas. É improvável que eles tivessem desaprovado mesmo moderadamente as curas sabáticas de Jesus. Além disso, a figura de Fariseus assassinos, sedentos de sangue apresentada nos Evangelhos contradiz tudo que é conhecido sobre eles desde Josefo, seus próprios escritos e do judaísmo que eles criaram e que ainda vive hoje.

 

Desta maneira temos aqui uma contradição nos Evangelhos entre aquelas passagens que parecem autênticas e aquelas que não. Para um judeu estudando os Evangelhos a contradição é manifesta e a questão se expande quando ele considera a religião baseada sobre os  Evangelhos, o cristianismo propriamente, que é uma mistura de elementos judeus, não-judeus e anti-judeus.

 

Como conceber que uma religião que se vale tão intensamente do judaísmo tenha, na maior parte de sua história, encarado os judeus como parias e excluídos? Que em uma civilização baseada nas escrituras hebraicas, uma civilização cuja linguagem está permeada com o idioma Hebreu, os judeus sejam tratados com um extraordinário ódio, culminando com o Holocausto de 6.000.000 de judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Religião e Revolta: Os Fariseus

 

O motivo por trás da Resistência Judia era a religião judia. Este é um ponto difícil para o leitor moderno entender porque não estamos acostumados a pensar em uma religião como uma força política, ativista, revolucionária. Igualmente, o quadro da religião judia oferecido no Novo Testamento é aquele de um rígido estamento fortemente agregado ao status quo. Não existe indicação no Novo Testamento de nenhum conflito entre a religião judaica e o poder romano. Na verdade, toda a questão do poder romano e reduzido a um nível tal que dificilmente se pudesse perceber qualquer sinal de oposição a Roma. O objetivo dos Evangelhos é apresentar a questão revolucionária de então como sendo entre Jesus e o estamento judeu. O fato de existir um estamento romano contra os quais existiam forças revolucionárias é dissimulado de maneira que o estamento contra o qual Jesus se rebelara pudesse ser representado como inteiramente judeu.

 

Havia um pequeno partido religioso, os Saduceus, os quais eram colaboracionistas, que suportavam o status quo e aceitavam cargos oficiais sob os romanos. O Sumo Sacerdote, ele próprio, era um Saduceu e um dos mais importantes pontos no estudo do Novo Testamento é se compreender que o Sumo Sacerdote era indicado pelos romanos. Como um membro de uma minoria manipulada ele era encarado com desprezo pela grande massa da nação. A autoridade religiosa não era atributo dos sacerdotes, mas de um corpo, completamente, diferente de pessoas denominadas Rabinos, os líderes dos Fariseus.

 

Assim o panorama dado nos evangelhos de um estamento religioso judeu que mantinha o status quo é verdadeiro na medida que se refere aos Saduceus que eram estabelecidos pelos romanos. Com relação à massa do povo judeu o verdadeiro estamento era o despossuído partido dos Fariseus que não mantinha nenhuma posição de poder político e cujos líderes nem buscavam nem recebiam reconhecimento dos romanos. Então, do primeiro ao ultimo, a resistência contra Roma vinha dos partido fariseu.

 

Esta afirmação soará como surpresa para aqueles cujo conhecimento sobre os fariseus depende das narrativas do Novo Testamento. Lá, os fariseus são representados como estando apenas preocupados com a salvaguarda de suas próprias posições. Os romanos são figuras tão sombrias nos Evangelhos que a questão sobre resistir ou colaborar com eles nem sequer é levantada. A base do poder eram os Judeus; Pilatos, o romano, aparece apenas como uma figura de retaguarda sobre quem os judeus clamaram em sua vingança contra Jesus e quem eles tinham que manipular e enganar de várias maneiras de jeito a infligir sua vingança.

 

O Messias

 

Se a persistente vontade pelo Messias tivesse sido nada mais do que um desejo por independência política não teria o poder de inspirar tão extraordinária resistência. Em outros países o patriotismo produziu grande heroísmo contra Roma, mas nada tão prolongado e determinado do que os esforços judeus os quais pela sua obstinação e coragem levantou a admiração, medo e ódio dos historiadores romanos. O ideal Messiânico surgiu da inteira "weltanschauung"  1 do povo judeu o qual foi única no  

mundo antigo. O ideal Messiânico surgiu do monoteísmo.

 

O monoteísmo unificou a história humana em um único processo tendendo a um objetivo final, o preenchimento dos propósitos de deus na criação do mundo. A idéia de uma era Messiânica provendo o desenlace do drama cósmico é inerente no monoteísmo. O politeísmo, por outro lado, não provê tal drama cósmico. Cada nação tem seus próprios deuses e não existe um propósito prioritário para a humanidade. A história nas culturas politeístas é considerada como cíclica. As nações como os indivíduos têm seus ciclos-de-vida; e acima dos homens e deuses estava um inexorável, indiferente Destino. Somente os judeus alegavam estar em contato com o supremo e imortal Destino, alegando também que ele não era indiferente à humanidade, mas um Pai amoroso que moldava o processo da história. Este conceito de progresso da história na direção de uma Utopia final tem sido a inspiração da tradição utópica da cultura Ocidental – de tal forma que é difícil visualizar a unicidade desta idéia na antiguidade.

 

Assim como tem sido a fonte de um otimismo insaciável, o monoteísmo era incapaz de reconhecer derrota. As nações politeístas podiam admitir que seus deuses tivesse se mostrado mais fracos do que os de Roma; ou podiam sucumbir ao sincretismo romano pelo qual os deuses imbatíveis eram identificados com os deuses de Roma (Júpiter/Zeus/Amon). O Deus judeu, o criador do Céu e da Terra, não podia se submeter a tal anexação. Quando os judeus eram de fato derrotados não significava que Deus tivesse sido derrotado pelo deus daquelas pessoas, mas que o povo  de Deus havia falhado na sua missão e deviam se dedicar novamente pelo arrependimento. Este é o significado das campanhas de arrependimento que acompanhavam o movimento messiânico. O Monoteísmo iniciou como a religião de um bando de escravos fugitivos; e expressa sua determinação a não se submeter novamente a nenhuma indivíduo ou classe opressivos.

 

Jesus e a Resistência Judia – Parte 2 – O Rei dos Judeus

 

Jesus e a Resistência Judia – Parte 3 – O Dia do Senhor e Prisão e Julgamento


  NT1 Uma imagem ou concepção compreensiva do universos e da humanidade relacionada com ele.  
    
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