A Logística do Exército Macedônico PDF Imprimir E-mail


Mac_PhalansApesar das inúmeras fontes primárias sobre Alexandre e o trabalho de uma enorme quantidade de estudiosos posteriores, esse é um assunto pouco debatido sendo que o primeiro problema e fazer-se uma estimativa do número de tropas combatentes somados aos acompanhantes e animais na expedição. Embora os números da infantaria e da cavalaria possam ser razoavelmente estimados das referências citadas nas fontes primárias, existem dificuldades para computar o número de acompanhantes e animais de carga. Viajando juntamente com os macedônios haviam guarda-costas, antigos guerreiros retirados do combate, serventes, videntes, médicos, sofistas, poetas, um historiador, um tutor,,secretários, batedores, a guarda de transporte, profetas babilônicos e egípcios, mercadores fenícios, cortesãs, um harpista, manobristas das máquinas de cerco, engenheiros e à medida que a expedição avançava na Ásia, mulheres e crianças.

O exército herdado por Alexandre tinha sido transformado por Filipe na mais eficaz força de combate na Europa ou Ásia e Alexandre não só manteve muitos dos veteranos de Filipe como também as medidas disciplinares e organização logística no exército. Filipe proibiu que vagões fossem utilizados pelo exército e limitou os serventes a um para cada dez soldados à pé e um para cada cavalariano, para o carregamento de moinhos de mão (para moer o grão) e outras ferramentas. Com razão infantaria-cavalaria, de cerca de seis para um isso, indicava uma razão geral de um servente para cada quatro combatentes. Tanto as tropas de Filipe como Alexandre carregavam Siege_engsuas armas, armadura, utensílios e algumas provisões durante a marcha e não usavam serventes ou carros para levar esses itens, como era a prática contemporânea dos exércitos Grego e Persa. Além disso, Filipe aparentemente proibia esposas e mulheres de acompanhar o exército, uma prática continuada por Alexandre até o exército se infiltrar do Mediterrâneo em direção à Mesopotâmia. Quando ficou aparente que o tempo de afastamento seria muito grande, o número de mulheres começou a crescer no exército e, posteriormente, Alexandre começou a permitir casamentos para diminuir o desejo dos homens voltarem para casa. A política de Filipe de deixar os homens voltarem para casa com freqüência, enquanto os combates eram restritos à sua vizinhança, não podia ser mais aplicada.

Sempre que o número de acompanhantes aumentava, Alexandre tomava medidas para limitar o aumento tanto quanto possível. Para controlar isso chegou a ordenar a queima de carroças e eliminar o excesso de bagagem.

Qualquer estimativa do número de acompanhantes no exército macedônio é mera aproximação. Vamos usar a razão de um acompanhante para cada três combatentes até Gaugamela e um acompanhante para cada dois combatentes dai em diante, quando o número de mulheres e crianças aumentou. Na verdade, o número preciso não é o fator mais importante na determinação da capacidade logística do sistema macedônico. De maior importância é a razão entre a capacidade de carga do sistema e a razão de consumo das provisões, que permanece, praticamente, constante independente da quantidade de pessoal na expedição.

Os animais na expedição incluíam cavalaria de combate e animais de carga. O número dos primeiros podem ser estimados com razoável precisão, mas o número de animais de carga varia com a quantidade de suprimentos transportados (maior quantidade de suprimentos terão que ser levados em regiões áridas do que em terrenos férteis), com o número de pessoal e a quantidade de suprimentos que eles carregam, com a disponibilidade de animais adequados e a proporção de diferentes tipos de animais usados. Não vamos aqui fazer uma análise detalhada dos tipos de animais utilizados pelo exército macedônico, que variaram ao longo da campanha, e com fins de simplificação e conveniência vamos estimar que o animal de carga médio no exército macedônio carregava 113,40 kg (250 lb).

Alexander_armyFilipe proibira o uso de carros no exército macedônico e Alexandre, pelo menos até o Irã onde os primeiros carros são mencionados, manteve essa política. Apenas carros para transportar a engenhoca de cerco e ambulância eram mantidos, mas nunca puxados por bois devido à sua baixa velocidade e também sua menor resistência para as marchas. Em suma, mesmo com qualquer animal se considerava que os carros causavam atraso no movimento do exército e sua existência encorajava o acúmulo de posses pelo soldado comum. Devido ao carregamento de suprimentos pelo própria tropa e seus serventes, o cortejo de bagagem no exército macedônico continha um limitado número de animais e o número de carros era bastante reduzido.

Uma quantidade de animais eram necessária para carregar os itens não-comestíveis, como tendas, suprimentos médicos, a ambulância, o mecanismo de cerco, lenha, pilhagens e talvez algumas mulheres e crianças. Vamos usar a razão de um animal de carga para cada 50 pessoas no exército macedônico, embora essa seja uma estimativa mínima.

Agora, uma ração mínima para cada adulto masculino na expedição seria 1,36 Kg (3 lbs) de grão por dia ou seu equivalente nutricional e ao menos 2,27 lts (2 qt) de água por dia. Para serem alimentados corretamente os animais precisam além da forragem, de uma ração diária de 4,5 kg (10 lb) de grãos e cada animal requer 36 lts (8 gl) de água por dia.

Após cruzar o Helesponto, o exército de Alexandre contava com 48.100 combatentes e 6.100 cavalarianos, se considerarmos um acompanhante para cada três combatentes eles somaria acima de 16.000, um total geral de mais de 65.000 homens. Se considerarmos um animal de carga, para transportar não comestíveis para cada 50 homens, seriam necessários 1.300 animais.

Assim, se o exército de Alexandre tivesse que marchar sobre terreno fértil em água e forragem para os animais, de maneira que os animais só precisassem carregar grãos, de acordo com os dados que fornecemos acima, os animais teriam que carregar 122.000 Kg (269.000 lbs). Isso seria o peso de grãos necessários para o pessoal, cavaria e animais de carga para um dia. Não vamos mostrar a maneira de calcular para não estender, mas isso daria um total de 1.121 animais de carga, já computados no cálculo os grãos que esses animais consomem.

Se fosse para dois dias chegaríamos a 2.340 animais. Teoricamente, seria possível calcular o número de animais até 25 dias uma vez que nesse período os animais teriam consumido tudo aquilo que carregam. Na prática porém, o exército apenas carrega suprimentos para dez dias uma vez que o número de animais requeridos seria fenomenal; 40.350 para 15 dias e 107.600 para 20 dias. Seria praticamente impossível obter essa quantidade de animais em toda a Macedônia e Grécia além do que a fila destes mais de cem mil animais colocados em linha simples alcançaria 492 km (306 mi). Mesmo com frente de 10 animais, a fila chegaria a 49 km, uma logística impossível de ser gerenciada.

Agora, imagine se o exército estivesse em um terreno aonde ainda se encontra água, mas não se tem forragem. Esses números saltariam para 1.492 animais para o transporte de suprimento para um dia. Ainda teoricamente seria possível calcular o número de animais para 12,5 dias, mas na prática, pelos mesmo motivos anteriores não mais do que 7 dias de suprimento poderiam ser transportados.

Finalmente, suponhamos que o terreno da marcha obrigue também o transporte da água necessária a homens e animais. As necessidades de animais para o transporte de um dia de suprimentos alcançaria 8.400 animais. Esse último número é importante, pois nos deixa ver que que em um terreno que não possua forragem, grãos e água seria impossível levar um exército por mais de 2,5 dias. Se as rações forem reduzidas à metade, um procedimento perigoso em terras áridas, ainda assim não se chegaria ao quinto dia.

Desses cálculos é possível extrair-se um princípio geral válido para expedições pequena e grandes: um exército cujos suprimentos são transportados por animais e homens não pode avançar pelo deserto, aonde não exista nem grãos nem água nem forragem, por mais de dois dias inteiros sem incorrer em fatalidades.

Por tudo que expomos, dá para verificar como Alexandre foi genial em escolher as rotas e as épocas das marchas correspondendo-as com colheitas e possibilidades de formar estoques nas cidades aliadas ou tomadas.


Referência:

Donald W. Engels, Alexander the Great and the Logistics of the Macedonian Army, University of California Press, 1978

Leia a Resenha sobre o filme Alexandre o Grande, de Oliver Stone, 2004.

Leia também: Homossexualidade Anacrônica e A Questão Macedônica

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