Mulheres Sempre Grandes Na História PDF Imprimir E-mail

Mário Porto


As mulheres, se supõe, na retaguarda tiveram um papel, na maioria das vezes, tão importante como o dos homens, que, também supostamente, estão na linha de frente dos acontecimentos, ao longo da história da humanidade.

Sempre me impressiona a ação dessas mulheres históricas que a despeito de uma sociedade que sempre, ao longo dos últimos séculos privilegiou mais o homem, mas elas conseguiram mesmo assim, se sobressairem e influir nos nossos destinos. Afinal, são elas que geram e criam os machistas.

Vamos nos deter aqui em 3 mulheres que, de 1236 a 1327, tomaram parte ativa nos acontecimentos da história do Reino Unido.

São elas Eleanor de Provença, Eleanor de Castela e Isabella de França, respectivamente rainhas de Henrique III, Eduardo I e Eduardo II.

1. Eleanor de Provença coroada em 14 de janeiro de 1236, tinha grande influência sobre o Rei e participou politicamente do seu governo, sofrendo com isso uma certa impopularidade durante a crise que Henrique III teve com seus barões em 1258. Teve particularmente um desagradável incidente com a populaça em Londres quando correu inclusive perigo de vida. Ela esteve intimamente envolvida nas batalhas de Henrique. Para este fim fez excursões à França lutando pelas terras continentais pelas quais franceses e ingleses brigavam por décadas. Internamente, Henrique e Eleanor enfrentavam a rebeldia dos barões. Quando Henrique III foi capturado por seus próprios barões e forçado a concordar com os termos de reformas, Eleanor se dirigiu à França e organizou um formidável exército para libertar o marido. Mas a sua frota de invasão foi destruída antes de chegar a Inglaterra. Seu filho Edward (mais tarde Edward I), tão combativo como sua mãe, lutou contra os rebeldes e resgatou o seu pai.

Depois de Henrique morrer em 1272, Eleanor tornou-se rainha viúva, mas ela nunca desistiu do seu papel ativo na promoção dos interesses da família real. Só depois de 14 anos ela tirou sua coroa e vestiu o véu no convento de Amesbury. Lá, viveu uma vida tranquila e piedoso até sua morte em 1291 tendo influenciado na criação de seu neto Eduardo I após a morte de sua mãe, nossa próxima investigada.

2. Eleanor de Castela. coroada em 19 de agosto de 1274. Não teve atuação política como a rainha anterior, mas foi uma sempre companheira de seu marido Eduardo I. Diferentemente da maioria dos monarcas europeus da idade média e início da idade contemporânea, Eduardo I destoava de seus colegas monarcas na consideração e respeito à sua esposa.

Eduardo e Eleanor foram casados por trinta e seis anos e durante esse período, dificilmente, se separaram. Seus gostos e interesses tais como, caçadas, xadrez, torneios e romances pareciam corresponder exatamente. Sobretudo, eles compartilhavam um mesmo senso de aventura.

Em todas as viagens do rei para as cruzadas ou campanhas, a rainha era a sua maior companhia. Suas quinze ou dezesseis gravidezes foi outro atestado da proximidade entre eles e não existe nenhuma evidência de crédito de que qualquer um dos dois tenha sido infiel.

Os ingleses podem não ter colocado Eleanor no seus corações, principalmente por sua avidez por terras e propriedades com os quais presenteava toda a família. Os métodos de aquisição destas propriedades nem sempre foram de muita lisura, mas Eduardo simplesmente a adorava.

A escala das reverências à sua morte não tem paralelo na História. Além de três magníficas tumbas em Westminster, Eduardo ordenou a criação de doze memoriais à rainha, construídos de pedra e mármore, um em cada local que seu corpo repousou na volta de Lincoln, onde faleceu, até Londres.

Desses memoriais, conhecidos como as cruzes de Eleanor (Eleanor Cross), apenas três chegaram até nós (já postado anteriormente) Hardingstone, e Geddington em Northamptonshire e Waltham em Hertfordshire.

3. Isabella de França, coroada em 25 de fevereiro de 1308. Enfrentou o desprezo de seu marido Eduardo I que preferia a companhia de seus favoritos, primeiro Piers Gaveston, um jovem de idade similar ao Rei e depois do assasinato deste, em 1312, o seu substituto, Hugo Despenser, o qual a rainha odiava e temia.

Quando em passagem pela França, enviada pelo próprio Eduardo II, para negociar com seu irmão Carlos IV, rei da França, o fim de hostilidades entre a França e as possessões continentais da Inglaterra, ela se uniu a um antigo fugitivo e opositor de Eduardo II, Roger Mortimer, a qual acabou se entregando como amante.

Ajudado por Mortimer e suportado por um exército arranjado nos países baixos, como fruto da união de seu filho o futuro Eduardo III, com a filha do Conde de Hainault, Philippa de Hainault e na companhia de seu filho que havia se juntado a ela em Paris, retornou à Inglaterra e juntamente com Mortimer depôs Eduardo II, executando os principais conselheiros do Rei, entre eles o nefasto Despenser, iniciando-se então, sob controle de Roger Mortimer, a regência em nome do herdeiro ainda menor, Eduardo III.

Muitas pessoas se lembram dela como "A Loba de França". Este nome foi originalmente um insulto do duque de York a Margaret de Anjou na peça Henrique VI de Shakespeare (Ato Um, Cena Quatro), mas veio a ser aplicado a Isabella no século 18 devido à crença de que ela tenha participado do complô para a morte de seu marido. A má reputação dificilmente morre. A mãe de Eduardo III não era nada disso, mas uma devota e dedicada mulher religiosa que foi desprezada pelo marido e acabou caindo nos braços de um amante dominador, embora ela sempre considerasse que deveria voltar a seu marido. Quando o rei foi aprisionado ela ainda enviava presente a ele. Ela era uma mulher de consciência, generosa, caridosa e extremamente culta. Colecionava livros, especialmente, de história de cavaleiros. Leitora e piedosa ela não tinha muita aptidão para a guerra e durante a invasão atuou como figura de proa. Seu maior pecado era a tendência para gastar dinheiro na sua corte.

Fontes: A Great and Terrible King: Edward I, Marc Morris
The Perfect King: The Life of Edward III, Father of  The English Nations, Ian Mortimer

Ilustração: da esquerda para a direita: Eleanor de Provença, Eleanor de Castela e Isabella de França.

Primeiramente publicado em: https://www.facebook.com/ConversandoSobreHistoria

Palavras Chaves: Eleanor de Provença, Eleanor de Castela, Isabella de França, A Loba de França, Eduardo I, Eduardo II, Eduardo III, Roger Mortimer, Hugh Despenser, Piers Gaveston, Carlos IV

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