A Ética do Companheiro PDF Imprimir E-mail

Mario Porto 

Nos últimos anos nos acostumamos a assistir a Ética de Companheiro exercida pelo presidente Lula.

Não importam os crimes perpetrados por seus auxiliares diretos, o presidente sempre encontra uma forma de elogiá-los e de classificar os delitos como falhas administrativas.

Foi assim no caso da ministra Matilde da Integração Racial que deixou o governo por conta de excessivos e injustificáveis gastos no seu cartão corporativo e foi assim também ao comentar a ação orquestrada da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) na proposição de ações em todo o país contra jornalistas da Folha de São Paulo, fato que foi veementemente condenado por várias autoridades e entidades no país, por encerrar tentativa de cercear a liberdade de imprensa e intimidar a mídia.

Embora ele pense que está acima da lei ele não está, mas seu exemplo tem um papel muito importante na formação cívica do povo brasileiro. Afinal, ele é o mais alto mandatário da republica e agindo sem respeito à liturgia de seu cargo está provocando um enorme retrocesso no desenvolvimento da sociedade brasileira.

Estas ações oriundas da ética de companheiro se espalham por toda a administração e são refletidas nas ações de órgãos públicos importantes e que por conta desta ética perversa foram loteados para pessoas ligadas ao partido do presidente e de seus aliados. Estes órgãos deixam de ter a independência necessária para exercer muitas vezes importantes atividades de fiscalização da administração pública.

Assim acontece com as agências reguladoras e em especial com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) um dos órgãos mais importantes no licenciamento das famosas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pedra de toque do segundo mandato do presidente Lula.

Uma destas obras, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), empreendimento em Santa Cruz no Rio de Janeiro, com investimentos da ThyssenKrupp e da Vale pode ser uma das obras do PAC que esteja sendo atropelada pela ética de companheiro na medida que o IBAMA esteja sendo obrigado a gerar uma licença ambiental por sobre todos os critérios ambientais e a legislação existente.

A obra da CSA que vem sendo realizada na Baia de Sepetiba, que será visitada pelo Presidente Lula e pela Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, nesta próxima terça-feira 26/02/2008, está produzindo uma grande destruição ambiental com lançamento de lama contaminada por metais pesados no interior da Baía (20 milhões de m3 de lama) oriunda de dragagens que está formando ilhas de sedimentos nas desembocaduras dos rios, obstrução de rios e canais com placas de ferro em pesqueiros utilizados há mais de 200 anos por pescadores artesanais e destruição de grande extensão de vegetação de manguezais que são protegidos por ser Área de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal e Constituições Federal e Estadual.

Isto tudo com a complacência do órgão de fiscalização, o IBAMA, cujos diretores, provavelmente com medo de perder seus cargos, não têm a independência necessária para exercer suas funções. São os companheiros do IBAMA. Pior que isto, aparentemente, não conseguem colaborar oficialmente com as ações do Ministério Público Federal do qual ao invés de parceiros se tornam adversários de bastidores.

A despeito de qualquer avanço na esfera econômica ou social que este governo tenha alcançado tudo isto fica anulado, com larga margem de diferença pelas atitudes previstas no Código de Ética do Companheiro.

Enquanto este país for regido por atitudes como estas e gerido por organizações amarradas por um loteamento político danoso jamais ingressaremos no rol das nações desenvolvidas. Não é possível assistirmos a cada troca de governo uma subseqüente dança de cargos paralisando por vários meses a administração. Uma reforma política urgente deveria estabelecer que apenas Ministros e Secretários Executivos dos ministérios fossem deslocados após uma troca de governo. Todos os demais cargos deveriam continuar preenchidos por profissionais de carreira tantos nas autarquias como nas empresas estatais.

No bojo desta reforma, as agências e órgão fiscalizadores das esferas federal e estaduais deveriam se tornar independentes dos respectivos poderes executivos, embora seus presidentes possam ser indicados pelo chefe do executivo a partir de uma lista, mas jamais poderiam ser removidos por este.

Só assim poderíamos neutralizar os malefícios da ética do companheiro.

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Comentarios (1)add
Etica do companheiro
escrito por Tatapotaba , 08 março 2008
Voce abordou aspectos muito relevantes que merecem nossa atenção. Também me preocupo ao constatar a flexibilidade com que o Presidente Lula da Silva muda de pontos de vista, de acordo com a ocasião. Lembro-me de uma entrevista que ele concedeu à TV Globo no começo dos escândalos, ainda no primeiro reinado. Perguntado se haveria possiblidade de saída dos então ministros Palocci e Dirceu, ele respondeu, com imensa convicção:
- Não! Esses não sai [saem]! Se eles sair [saírem], eu saio também...
Promessa na boca de gente honesta, nos bons tempos, era dívida. Agora é somente promessa.
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