A Organização Larouche e o Setor Nuclear Brasileiro. PDF Imprimir E-mail

 [Ver Nota 1]

Mário Porto 

Conforme explicado no texto Minha Passagem pela Organização LaRouche os contatos da referida Organização com o Setor Nuclear Brasileiro iniciaram-se em 1985, mas se limitavam a relacionamentos individuais entre os representantes da organização e técnicos do Setor, não caracterizavam de nenhuma forma uma relação institucional. Pelo menos até 1991.

No entanto, é com surpresa que podemos constatar que em 2.000 este relacionamento se estreitou e agora pode ser claramente classificado como institucional. Fica notório que membros da comunidade nuclear, que naqueles tempos, se relacionavam com a Organização LaRouche de uma forma não integral i.e., aceitando com restrições as teses por ela defendidas, para em contrapartida obter proveito da maciça e ardorosa veiculação da defesa da opção nuclear manifestada pela Organização, aceitaram passar desta posição cautelosa para uma ostensiva identidade de pensamento com a Organização, refletindo isto nos seus boletins e periódicos. Aparentemente, até perderam o receio de identificar-se com LaRouche.

Naquela época dirigentes, hoje no segundo escalão (Superintendentes), não se identificavam, abertamente, como defensores das idéias de LaRouche, pois isto poderia ferir a imagem política progressiva que procuravam ostentar.

O número 22 da revista Brasil Nuclear , Jan- Mar 2001, pgs 4-7, editada pela ABEN - Associação Brasileira de Energia Nuclear, cujos editores são todos do setor nuclear, sendo alguns dos primeiros escalões, apresenta uma entrevista com Jonatham Tennenbaum, um dos líderes intelectuais e científicos do Movimento LaRouche.

A entrevista em si e seu próprio conteúdo, não configura nada de anormal em que pese uma certa dose de utopia ao afirmar que Brasil não precisa da tecnologia alemã para construir Angra 3. Utopia esta, que abandona todo o planejamento do "Acordo do Século" e considera a transferência de tecnologia se realizando em uma só unidade. Verdadeiro passe de mágica, especialmente, quanto aos sensíveis componentes nucleares. Mas isto não estamos discutindo aqui, o importante a registrar é a confirmação do laço existente entre a Organização e o Setor Nuclear Brasileiro.

Os dirigentes nucleares ora comprometidos com a Organização LaRouche passaram de muito aquele período em que se pode aceitar o envolvimento com a Organização sem que sejam disparados os alarmes antifascistas. Influenciar-se pela ajuda ostensiva da Organização para divulgar as teses nucleares numa época difícil quanto à liberação de verbas oficiais e quanto à situação do Setor na opinião pública é uma coisa, mas ultrapassar o período natural quando a percepção das posições antidemocráticas e autoritárias do Grupo LaRouche já deveria ter abortado esta relação, é algo completamente diferente e configura uma identidade de idéias.

Este vínculo é mais evidente e contundente na publicação do anúncio na página 26, da mesma edição, versando sobre o livro, a Máfia Verde, escrito pela equipe brasileira de analistas da revista Executive Intelligence Review, porta-voz da política e da estratégia de atuação do grupo LaRouche. Este livro, seguindo a linha conspirativa do movimento, procura condenar todo o movimento ambiental cujos integrantes foram sempre classificados pelo Movimento LaRouche como ecofascistas.

Apesar de não aprovar certos métodos que repetem aqueles mesmos que costumam denunciar e dos inúmeros exageros e extremismos contidos no que é produzido pelo Grupo LaRouche, e o MSIa segue a mesma linha, muitas das teses e argumentações devem ser levadas em conta, como por exemplo os capítulos 6-10 do livro que analisam a opção das hidrografias e a questão indigenista. Como sempre afirmamos, militam entre as fileiras do Grupo LaRouche profissionais de alto gabarito técnico que de quando em vez, anestesiados da influência ideológica de seu líder, conseguem desenvolver suas capacidades. Até imaginamos que a recente  desvinculação do MSIa do grupo Larrouche venha a amenizar certas condutas no MSIa que são nitidamente larroucheanas e que passam a idéia de que não são opositores apenas de alguns ambientalistas, mas sim do que soa como absurdo, opositores de toda ação ambientalista.

Dentre a não nominada " equipe de investigadores", creditada como autora do livro, estão com certeza incluídos técnicos do alto escalão da Eletronuclear, empresa estatal responsável pelo gerenciamento, construção e operação das usinas nucleares brasileiras. A veiculação deste anúncio e a crescente presença de opiniões e teses defendidas pelo Grupo LaRouche nas publicações da ABEN, torna isto evidente. Poderia-se argumentar que a ABEN não é a Eletronuclear e que suas opiniões não tem relação direta coma as opiniões e filosofia da empresa. Você acredita? Eu também não! A ABEN é a associação de classe dos membros do Setor Nuclear e de uma forma ou de outra representa a inteligência do Setor. Sugiro aos leitores que tirem suas próprias conclusões após a leitura da
entrevista apresentada neste link .

Durante a leitura deste livro encontramos as explicações porque foram, extremamente, difíceis as negociações para a assinatura do
Termo de Ajustamento de Conduta - TAC para o licenciamento de Angra 2, que foi celebrado entre o MPF , a Eletronuclear, com o concurso de várias entidades envolvidas no processo. Como sabemos, as comunidades nucleares em todo o mundo nasceram sob a égide do autoritarismo militar. No Brasil esta imagem vinha sendo melhorada nas duas últimas décadas, mas a associação de idéias com o Movimento LaRouche reflui para a Eletronuclear uma política fascista, autoritária e retrógrada que o próprio setor nuclear vinha tentando expurgar de seu meio.

Em função de sua participação como editor do livro a Máfia Verde, Lorenzo Carrasco, representante de LaRouche no país, foi convidado a depor, no dia 22/05/2001, na CPI do Senado, presidida pelo Senador Mozarildo Cavalcanti, instalada para investigar a atuação das ONGs no Brasil. Em seu depoimento, de mais de quatro horas, posando com ares de autoridade, desfilando o costumeiro rol de conspirações do arsenal da Organização LaRouche, que costuma rastrear os inimigos da humanidade desde Bush até o antigo império da
Babilônia, Carrasco até recebeu de alguns senadores da dita comissão algumas reverências, dignas de um patriota ao prestar um grande serviço à nação.

Na sua sanha conspirativa, Carrasco proferiu também ataques ao Ministério Público Federal, repetindo a mesma estratégia que, recentemente, o governo se valeu para tentar amordaçar os procuradores. O exemplo dado no depoimento, onde censura os procuradores de agendar reuniões para aprimorar o EIA/RIMA, demonstra o desconhecimento e a má fé ao criticá-los, simplesmente, por realizarem o seu trabalho quando tentam viabilizar as audiências públicas inerentes ao processo do EIA/RIMA. O surpreendente é que alguns Senadores parecem ter sido impressionados por estas ilações.

Apesar de classificarmos os capítulos iniciais do livro Máfia Verde, como mais um dos
delírios do Grupo LaRouche, de maneira alguma aprovamos de antemão o ato de apreensão de exemplares do livro e da Revista Brasil Nuclear nº22, da ABEN, realizada, na manhã do dia 27/08/01, por oficiais de justiça da 24ª Vara Cível do Rio de Janeiro, em cumprimento a decisão judicial em ação promovida pela ONG WWF-Brasil, contra o MSIa.

Para que o ato não seja configurado como censura é necessário o completo esclarecimento das razões e comprovação das imputações, eventualmente, criminosas que motivaram a citada apreensão.

Para quem não conhece o que é o Movimento LaRouche recomendamos a leitura de
Minha Passagem pela Organização LaRouche bem como conhecer as preferências do Movimento LaRouche pelo eterno candidato à presidência Enéas Carneiro, preferência que por si só já diz muito sobre as tendências fascistas do Movimento. Abaixo outra menção ao entrosamento entre Enéas Carneiro e Lyndon LaRouche:

Again, put yourself in the shoes of the patriots of these assaulted countries, as we did a moment ago for Russia, or for Georgia. How do such people view the United States? Consider the case of the former Presidential candidate of Brazil, Dr. Enéas Carneiro. He endorsed LaRouche in the following terms. "Mr. LaRouche is unrelenting in his fight for the welfare of all people, and I believe that through this year's Presidential elections in the United States, only he can make possible and worthwhile the productive work that will defeat speculation. We shall see wisdom and organization directed against ignorance and the chaos. It will be the light against the darkness."

Assim como Lyndon LaRouche é o perene candidato fascista à presidência dos E.U.A., também aqui temos o nosso similar brasileiro.

Portanto, não podíamos deixar de alertar a Sociedade sobre esta nefasta associação que de maneira alguma ajudará o país a resolver as pendências para a implantação de uma indústria nuclear no Brasil, sendo a maior delas o destino final dos rejeitos de alta e média radioatividade. Quando sentarem na mesa de negociação, com a Eletronuclear, os segmentos representativos da Sociedade Brasileira precisam ter consciência que estão frente-a-frente com mentalidades influenciadas por ideais radicais, retrógrados e autoritários não condizentes com o que se deveria esperar na aurora do século 21.


NOTAS:

Nota 1:  (rev1)
Em 2003 o MSIA rompeu com o Grupo LaRouche devido à acusações do comando do Grupo LaRouche quanto ao MSIA ter se transformado em uma operação de inteligência fascista, sinarquista e nazista. É curioso os fascistas se acusarem, mutuamente, de fascistas. Ler as acusações da EIR, principal publicação do Grupo LaRouche. A defesa do MSIA esteve algum tempo no site do MSIA no Brasil, mas depois desapareceu.

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Leia também:

O Veneno do Corporativismo e a mais acessada análise na Internet Brasileira sobre a Questão Nuclear.


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Comentarios (1)add
O fascimo continua manipulando informações
escrito por walela , 20 agosto 2007
Sr. Mario Porto,

O seu artigo foi muito esclarecedor.
Lamento ver que o MSIA continua manipulando informações, e pior ganhando adptos nas sandices que publica.
Creio ser necessário um campanha de esclarecimento para a sociedade brasileira, para os perigos que são artigos publicados por este grupo fascista.
Afinal o mundo conhece muito bem os resultados do fascismo e dos nazista, ninguém precisa passar novamente por este tipo de tragédia.
Pensar que eles se escondem atrás da fachada de querer proteger o território brasileiro.
Devemos dar um grande basta a esse tipo de coisa.
Parabéns, pela coragem.
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