Frustrações de Um Cidadão Consciente PDF Imprimir E-mail
Não é nada fácil para quem não possui uma posição na mídia ou é, simplesmente, um cidadão consciente, sem ocupar o pódio das celebridades, conseguir mobilizar a opinião pública, mesmo que seja para uma causa que a interesse sobremaneira.

Há cerca de 8 meses, venho tentando colocar em debate um tema da maior importância para a sociedade brasileira, em especial a fluminense, e o máximo que tenho conseguido são promessas vãs da ditas celebridades, instituições de peso e pessoas públicas.

Vou fazer uma cronologia das minhas agruras, na esperança que alguém, nas atuantes redes sociais de hoje, consiga me ajudar a promover esse debate.

Comecei  minha batalha escrevendo e publicando aqui na MPHP, há exatos 11 meses, um artigo sobre a construção de submarinos nucleares pela Marinha Brasileira, enfocando uma atividade inteiramente esquecida pelas autoridades que comandam esse processo. Atividade essa que é fundamental para minimizar os potenciais elevados riscos futuros, ou seja, o Descomissionamento dos Submarinos Nucleares.

Exatamente, esse é o tema.

A Marinha Brasileira pensa em construir submarinos nucleares e sequer se prepara para desconstruir. Sei que nem todos estão cientes que todo artefato que utiliza energia nuclear precisa, ao fim de sua vida útil, ser descomissionado. Palavrinha incomum, que talvez seja a razão pela qual não consegui sensibilizar ninguém nesse quase 1 ano de tentativas. Surpreendentemente, a Marinha não menciona em nenhum dos documentos que tive acesso, inclusive no RIMA da futura Base de Submarinos, a atividade de descomissionamento. Indaguei à Comissão Nacional de Energia Nuclear (setor de Normas) e até o ano passado não havia previsão de procedimentos para descomissionamento. Provavelmente, estão sentados na condição de que isso só acontecerá dentro de 35 a 40 anos, embora possa acontecer bem antes, caso o primeiro submarino da série seja um fracasso operacional. 

 
O assunto é complexo, e eu convidaria a quem quer que deseje ter um mínimo de conhecimento da matéria, despender um tempinho e ler meu artigo Submarinos Nucleares: Descomissionamento e também procurar conhecer o que aconteceu na Rússia que não se preparou convenientemente e, até hoje, sofre sérias consequências, bem como seus vizinhos, principalmente, a Noruega. Está descrito em outro artigo: O Veneno do Corporativismo.

Esse artigo disseminado nas redes sociais é uma das minha últimas tentativas. Já tentei com senadores, deputados, por email ou telefone, alguns prometeram e esqueceram, outros sequer responderam. Já tive o interesse de um repórter de uma revista semanal que acenou com um agendamento para conversarmos e depois, desapareceu. Cutuquei o GreenPeace pelo Twitter. Este parece mais interessado em combater as centrais de Angra, desconhecendo que esse problema é muito maior.

Consegui sensibilizar o MPF aqui no Rio, onde cheguei a ter uma reunião, em 13/09/2010, sobre um procedimento que foi aberto a partir de minhas informações, mas  o assunto está sofrendo alguns atrasos em seu andamento burocrático e não tem tido um rítmo ideal nos últimos 8 meses.
 
Tentei a radio CBN através da Lúcia Hipólito, que em seu programa diário, o CBN-Rio (@ ), supostamente, trata de assuntos de interesse da população fluminense. Essa, apesar de três emails, sequer respondeu.

Vocês perguntariam, mas quem sou eu? Respondo que apenas um cidadão, sem cargo no governo ou em qualquer empresa de porte, que tendo trabalhado 17 anos no setor nuclear estuda, há outros 15, o comportamento dos corporativistas nucleares.
 
Tendo a consciência de que como pessoa física, um simples cidadão, sem projeção de qualquer cargo seria difícil levantar esse debate em nível nacional tive, depois de várias frustrações com políticos, a idéia de me associar ao MPF. Junto com o MPF, como uma espécie de consultor, a coisa seria diferente e poderíamos provocar reuniões com a prefeitura de Itaguai e com a Marinha visando debater o problema buscando soluções. Entre elas, a tentativa de convencer a Marinha a alterar o projeto na futura Base e estaleiro de submarinos, tornando-o apto a absorver as futuras atividades de descomissionamento (lendo o artigo isso se torna claro). Isso, porque barrar o projeto seria muito mais difícil. 

Entre outras atividades de consultoria como engenheiro, sou professor-tutor do FGV-Online (Fundação Getúlio Vargas), na disciplina Negociação, e a minha estratégia levada ao MPF foi criar uma negociação com a prefeitura de Itaguaí e a Marinha que criasse valor para as partes, buscando resolver um conflito ambiental com um enorme potencial catastrófico. A demora na Procuradoria da República, no Rio de Janeiro, pode trazer inviabilidade a esta idéia de alteração do projeto, visto que a obra está sendo tocada em ritmo de Brasil grande. 

Quem desejar ajudar, precisa arregaçar as mangas, primeiramente, lendo o artigo base para se inteirar do problema e depois, buscar o que pode fazer para ajudar a promover o debate.

Pronto, está lançado, vamos ver até que ponto as redes sociais podem ser um instrumento real de participação da sociedade e não, simplesmente, um amontoado de plantação de "abobrinhas".


Vejam abaixo, as tomadas da obra, filmadas em set/out 2010, pela TV Marinha. Tudo, politicamente, correto e nem parecendo que está sendo neglicenciado um aspecto importante desse emprendimento.

 
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Descomissionamento do submarino nuclear brasileiro
escrito por Fernanda Corrêa , 27 maio 2011
Prezado Mário,

de fato, sua preocupação é pertinente; porém, a despreocupação imediata da Marinha também é compreensível.

Embora nós já tenhamos conseguido desenvolver a tecnologia de reatores para submarinos e tenhamos um reator deste tipo em Aramar, a parceria com a França que renderá na construção do casco de um submarino nuclear de ataque só ocorrerá em 2020. O primeiro submarino convencional ainda está em construção na França e a previsão de entrega é em 2015/2016. Nós temos competência para produzirmos submarinos modelo IKL, mas, modelos scorpène é a França que nos ensinará. Ora, senão sabemos projetar submarinos franceses de ligas HY-80 (convencionais), como poderemos projetar submarinos franceses de ligas HY-100 (nucleares)? Estou dizendo isso, pois, nem a nossa Marinha sabe ainda se o reator que ela desenvolveu caberá no casco do submarino nuclear francês ou se terá que desenvolver outro (menor ou maior). Uma coisa de cada vez. Já sabemos construí-lo (e sozinho)! Esta é a nossa primeira grande conquista!

Como o reator de Aramar é PWR e, portanto, do mesmo tipo das nossas usinas, o mais provável é que a CNEN autorize que, no futuro, o descomissionamento do reator de Aramar ocorra nos mesmos moldes que ocorrerá com as usinas. Caso o reator não sofra nenhuma avaria, os elementos combustíveis e demais equipamentos radioativos ficarão alocados em piscinas com água borada até que, no futuro, por meio de uma nova determinação política, a Marinha e a própria Eletronuclear disponham de novas tecnologias para rejeitos nucleares.

Acalme-se; como eu disse, é compreensível sua frustração, mas, por hora, não podemos resolver esta questão sem saber como será o nosso submarino nuclear. Por questões contratuais, os conhecimentos de projeto e de construção do submarino nuclear serão os últimos a serem transferidos para a nossa Marinha. Até lá, muita água vai rolar ... esperamos que águas boas, né ...

Abs,

Fernanda
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É, exatamente, essa argumentação que me preocupa
escrito por Mario Porto , 27 maio 2011
Fernanda.

Obrigado pelo comentário, mas desculpe, não vou me acalmar.

Essa argumentação é o que mais me preocupa.

Se você ler meus artigos mais antigos sobre essa questão do Submarino Nuclear verá que eu era, radicalmente, contra. Flexibilizei minha opinião, por entender que se já era uma decisão de Estado, o melhor seria trabalhar para que ela fosse bem implementada em vez de lutar, infrutiferamente, por seu cancelamento.

É esse "jeitinho brasileiro" que não casa com tecnologia nuclear.

Vivi 17 anos no setor nuclear e sei que as coisas não são como parecem, ou seja, totalmente sob controle.

Se queremos evitar o que aconteceu com a Rússia temos que pensar no descomissionamento antes mesmo do arranjo do submarino estar decidido. Temos que prever procedimentos desde o primeiro momento que fizermos o reator entrar em condição de criticalidade.

É assim que deve agir uma nação que respeita o bem estar de sua população.

O exemplo de Fukushima está ai para nos mostrar que não basta grande conhecimento tecnológico, é preciso atitude.

Muito bonitinho, o Brasil obtém um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU enquanto as população de Itaguai e por que não dizer, do Rio de Janeiro, corre riscos não calculados.
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MPF se movimenta
escrito por Mario Porto , 31 maio 2011
Parece que os entraves que estavam atrasando o andamento desse processo no MPF se resolveram.

Em breve, poderemos ter uma reunião envolvendo MPF, Marinha , Prefeitura de Itaguaí e CNEN.

Acompanhe os desdobramentos aqui

Aguardemos.
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