Incompetência Estratégica PDF Imprimir E-mail

Mário Porto

A incompetência estratégica deste governo quando se trata de assuntos que envolvem a soberania nacional beira as raias da ingenuidade para sermos benevolentes.

Assim foi a passividade no episódio da invasão das refinarias da Petrobrás na Bolívia e pior está sendo na questão indigenista a despeito das inúmeras opiniões de vários setores da sociedade entre os quais os militares.

Concorre para isto esta estupidez da criação do Ministério da Defesa que criado para atender sentimentos revanchistas acabou por afastar os militares das decisões centrais em temas nos quais seu preparo supera o de outros segmentos políticos da sociedade brasileira.

Também contribui para isto um papel equivocado ainda assumido por alguns setores militares que teimam em manter uma postura divorciada da vontade nacional teimando em cultuar uma política de defesa intercontinental que decididamente não vai de encontro aos anseios da sociedade brasileira. 

Os chefes militares reclamam do sucateamento do material bélico, mas isto também se deve à falta de compromisso de nossos chefes militares com a vontade nacional. Desde a ditadura ainda não foi restabelecido o laço de respeito e consideração entre a sociedade e as forças armadas, a despeito de a maioria de seus integrantes de hoje não ter participado daqueles acontecimentos. Uma ressalva para o trabalho que a Marinha faz visando o esclarecimento da sociedade, na busca da aceitação pública de seu projeto de submarino nuclear.


É lastimável a situação de nosso material bélico, mas enquanto as FAs não provarem para a sociedade qual é realmente a função que devem desempenhar que entendo deve ser planejada olhando-se mais para dentro de nosso território e de nossos problemas ao invés de continuarmos com sonhos de potência intercontinental. Com isso quero dizer, referindo-me, por exemplo, à Marinha que não precisamos de porta-aviões, mas sim de submarinos e navios leves e modernos que fiscalizem nossos portos marítimos e águas interiores e quanto ao exército e força aérea que nossos objetivos deveriam estar voltados para nossas fronteiras, especialmente, na região amazônica.


Quando esta compreensão de que os objetivos devem estar afinados com o que a sociedade deseja for alcançada os investimentos virão.

Retornando o tema da estratégia indigenista é extremamente perigoso o rumo que nossa política interna e diplomacia tem adotado trazendo elevado risco para a soberania nacional.

Estamos falando das enormes reservas indígenas em áreas contínuas e os recentes tratados assinados pela diplomacia brasileira permitindo em seus artigos que as nações indígenas tenham autonomia para realizar acordos internacionais sem o crivo do poder central conforme definido na Declaração dos povos Indígenas aprovada pela ONU. É bem verdade que esta declaração para se tornar um acordo vigente ainda têm que sofrer a aprovação do Congresso Nacional, mas tudo é possível com no país os congressistas sempre sujeitos às ações dos lobistas das ONGs internacionais e interesses corporativos.

Há pontos críticos na declaração, no que diz respeito a um suposto direito dos povos indígenas de se separar dos países em cujo território se encontram integrados:

Artigo 3

Os povos indígenas têm direito à livre determinação. Em virtude desse direito, determinam livremente a sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.

Artigo 4

Os povos indígenas no exercício do seu direito à livre determinação, têm direito à autonomia ou ao autogoverno nas questões relacionadas com seus assuntos internos e locais, assim como os meios para financiar suas funções autônomas.

Artigo 30

 Não se desenvolverão atividades militares nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que o justifique uma razão de interesse público pertinente, ou que o aceitem ou solicitem livremente os povos indígenas interessados.

Artigo 31

Os povos indígenas têm o direito a manter, controlar, proteger e desenvolver seu patrimônio cultural, seus conhecimentos tradicionais, suas expressões culturais tradicionais e as manifestações de suas ciências, tecnologias, assim como, assim com a de suas ciências, tecnologias e culturas, compreendidos os recursos humanos e genéticos, as sementes, os medicamentos, o conhecimento das propriedades da fauna e flora, as tradições orais, as literaturas, os desenhos, os esportes e jogos tradicionais, e as artes visuais e interpretativas. Também tem direito a manter, controlar, proteger e desenvolver sua propriedade intelectual de seu patrimônio intelectual, seus conhecimentos tradicionais e suas manifestações culturais tradicionais.

O assunto é muito grave e o grande sertanista Orlando Vilas Boas já alertava sobre isto alguns anos antes de falecer:

 "Os americanos levaram para os EUA 15 chefes ianomamis, tanto brasileiros como venezuelanos, para lá aprenderem o inglês e serem treinados "politicamente", para que ao retornarem, criem um contencioso internacional com o objetivo de fazer com que a "comunidade internacional" declare a criação de um Estado "Índio", tutelado pelos EUA, cujo território seria delimitado pelas áreas das atuais reservas ianomamis no Brasil e na Venezuela.  Vocês pensam que eles fazem isto por amor aos ianomamis?  Não, é porque em Roraima estão as maiores reservas de urânio do mundo.  Eu provavelmente não viverei para ver isto, mas vocês com certeza testemunharão!.  ORLANDO VILLAS BOAS.".

Quando isto acontecer será tarde demais e vamos ver nossos territórios serem transformados em nações indígenas independentes. Este é o real perigo por trás da chamada internacionalização da Amazônia.

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Comentarios (4)add
Ampliar a Discussão, de todas as maneiras que nos forem possíveis.
escrito por Plinio Marcos Moreira da Rocha , 29 junho 2008
Prezado Mário,
Me parece que não devemos restringir à questão a este, ou aquele, governo, pois, de forma clara nos é percebível ser um processo histórico, em que os interesses Brasileiros estão à reboque do imediatismo pessoal, de alguns poucos inexcrupulosos, porem, detentores de PODER.
Quanto à "Assim foi a passividade no episódio da invasão das refinarias da Petrobrás na Bolívia e pior está sendo na questão indigenista a despeito das inúmeras opiniões de vários setores da sociedade entre os quais os militares.", embora reconheça embasamento para isto, me coloco como se Getúlio Vargas estivesse, Hoje, na Bolívia, portanto, acredito que salvo, algumas diferenças, a essência é a mesma, bem como, gostaria de lhe lembrar, que a mídia brasileira, OBRIGOU, as Autoridades a procurarem um imediato acordo, quando fizeram o estardalhaço, com o primeiro sinal de desabastecimento de gás, logo, como podemos cobrar atitudes se NÃO as respaldamos, enquanto Nação. Devemos refletir que o gasoduto foi idéia e obra de governos passados.
Acredito que a questão das Reservas Indígenas, ainda venha a sofrer, significativo revés, uma vez que, a Cúpula Militar ja se fez presente, calcada na essência de Nossa Constituição, bem como, as colocações, mais sérias do que imaginava, colocadas por Voce, e provavelmente tantos Outros, nos apresentão a maior das questões: Um País Miscigenado, onde Ex-Silvícolas, ja se encontram muito bem integrados no contexto Sócio-Político-Econômico Brasileiro, onde alguns "Caciques" são "verdadeiros" Empresários, como entender, serem POVOS INDIGENISTAS, como exemplo, cito os Índios que estão em litígio com o Governo do Distrito Federal, em pleno centro imobiliário do Planalto Central, proximamente cercado, pela "Civilização Branca", bem como, questionando "Direitos Reconhecidos por Esta Mesma Civilização Branca", pode ser considerado um POVO INDÍGENA com Valores e conceitos Próprios.
Entendo que "A Declaração dos POVOS Indígenas" da ONU, tem relação e embasamento, em contexto radicalmente diferente do Brasileiro, pois, é de forma contundente, percebível que em alguns Países como os Estados Unidos da América, premente e necessário, se faz tais preocupações.
Tenho FÉ, de que os Militares, os Governos Estaduais, os Governos Municipais, bem como, o Próprio Judiciário Brasileiro, serão capazes de avaliar em profundidade à questão, quando então, acredito que minhas sugestões, calcadas em realidade brasileira histórica e atual, poderá ajudar de alguma forma.
Afirmo que Orlando Vilas Bôas foi um futuroligista, e por isso, e por TUDO que REPRESENTOU ao ìndio Brasileiro, bem como, e por TUDO que REPRESENTA, ainda Hoje, DEVE SER ESCUTADO, de tal forma, serem as suas preocupações AGREGADAS à Discussão.
----------- Continua 1 ------------
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Ampliarmos a discussão - Continuação
escrito por Plinio Marcos Moreira da Rocha , 29 junho 2008
-------------- Continuação 1 ----------
www.pr.gov.br/rtve). A apresen... Senado.
Saudações, AB
Tendo em vista a minha Petição - Sugestão, encaminhada ao Excelentíssimo Presidente do Tribunal Superior Federal, Petição Reflexão sobre Reservas Indígenas ao STF, http://www.scribd.com/doc/3167...as-ao-STF, esta diretamente relacionada com o DEBATE, apresentei-a ao mesmo, quando então recebi a seguinte resposta:
Prezado Plínio Marcos,
Grato por seu retorno. Acessei o site e vi, entre suas colaborações, a referente às reservas indígenas.
Penso que seus argumentos e suas sugestões fazem muito sentido. Realmente haveria que evitar a constituição de imensos latifúndios improdutivos, como ocorre na Reserva Ianomâmi e o Executivo está querendo implantar na Raposa Serra do Sol.
Algo que me parece fundamental é ter um modelo econômico e social justo vigendo em todo o Brasil, o que está longe de acontecer no presente. Dentro dele não há que tratar brasileiros, inclusive índios, de acordo com distinções étnicas, mas, sim, abrir a todos, em comunidade, a possibilidade de se desenvolver material, cultural e espiritualmente.
Abraços,
Adriano Benayon
Portanto, Amigo Mário, sugiro que voce encaminhe as suas colocações, coerentes e relevantes, ao Adriano Benayon, para que dentro do possível, possa ser utilizado no DEBATE que ocorrerá, Eu, como não possuo NET, questões de princípios, relacionados ao MUTUALISMO, verei como, e de que maneira poderei assistí-lo.
Abraços, com protestos de Estima, Respeito e Consideração,
Plinio Marcos


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Ampliarmos a discussão
escrito por Mário Porto , 30 junho 2008
Obrigado pelos comentários Plínio.
Concordo com você, a questão não se restringe apenas ao governo atual. A criação do Ministério da Defesa, uma instituição divorciada de nossa tradição foi uma criação do governo passado. Poderiam até tentar encaixar ela aos poucos na nossa tradição, mas a nomeação de titulates totalmente estranhos ao meio e sem o mínimo de competência para exercer a função só pode ser entendida como um revanchismo idiota. E os resultados estão ai. Não morro de amores pela estratégia militar brasileira, mas reconheço a capacidade inerente dos militares brasileiros para torná-la condizente com os objetivos nacionais.
É uma questão de escolher os homens certos.
Abs.
Mário Porto
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Vc tem razão
escrito por Mauro Horst , 23 julho 2011
Prezado Mário,

Estava lendo tua matéria e lembrei-me o ocorrido há pouco em Roraima. Os agricultores tornaram-se marginais que ocuparam as terras indígenas, e o "governo" devolveu tais terras aos índios que até então eram funcionários de tais fazendas. Conclusão. Os fazendeiros tornaram-se miseráveis, favelados em Boa Vista, sequer receberam as indenizações a que tinham direito, e os índios, antes funcionários dos fazendeiros, que a princípio deveriam tornar-se ricos produtores de arroz e criadores de gado, hoje também moram em Boa Vista nas favelas da cidade. A quem interessa isso tudo? Hoje lembro até com certa nostalgia os tempos do "Brasil, ame-o ou deixe-o".

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