Minha Passagem pela Organização LaRouche PDF Imprimir E-mail
Rev. 9

Mário Porto 

Em fins de 1985, enquanto responsável pelo departamento de planejamento de empresa estatal do setor energético, durante o Congresso Brasileiro de Energia, no posto de vendas de assinatura da revista Fusion, que depois veio a se denominar 21st Science & Technology, conheci o Sr. Lorenzo Carrasco líder, da Organização LaRouche no Brasil.

A venda de assinaturas é uma entre muitas das formas, que em todo o mundo, a Organização LaRouche arrebanha colaboradores. Após um primeiro contato, se o entrevistado merece algum investimento, são feitas, logo em seguida, insistentes visitas que, aliadas a uma técnica apurada de persuasão, acabam colocando na rede o novo colaborador em potencial.

Em função da atração exercida pelas argumentações, que a primeira vista parecem bastante lógicas e pela profusão de material escrito que demonstra o alto nível de informação estratégica da organização, em uma questão de poucos meses você se vê colaborando.

A organização LaRouche apóia a energia nuclear em todo mundo, como apóia qualquer pesquisa tecnológica que, na avaliação de seus líderes, contribua para melhorar a produtividade e a qualidade de vida na Terra. A minha posição profissional interessava ao grupo que, naquele momento, dava seus primeiros passos no Brasil e almejava penetração no meio acadêmico e industrial ligado à energia nuclear.

O período da minha cooptação foi bastante longo, pois embora estivesse apreciando alguns aspectos do material de leitura que me era colocado às mãos eu, em contrapartida, relutava em aceitar certos aspectos da maneira de atuar da organização. que me pareciam autoritários e com contornos fascistas. Participei de inúmeras conversas doutrinárias com Lorenzo Carrasco e sua esposa Sílvia Palácios, na maioria das vezes em sua residência, onde ele sabia servir um bom vinho e algumas vezes ensinava a tomar tequila, honrando sua origem mexicana.

Em 1986 introduzi nas conversas o Sr Nilder Costa, que na ocasião era a segunda pessoa na hierarquia do departamento e meu eventual substituto funcional. O Sr. Nilder, inicialmente, cético e reticente às idéias do grupo, tornou-se em pouco tempo um dos mais ardorosos defensores de LaRouche, vindo a ser hoje um dos diretores da organização e membro do Comitê organizador no Brasil.

Em 1987 meus laços com a organização já eram fortes e finalmente em 1988 comecei efetivamente a trabalhar e produzir intelectualmente.

Neste ponto, antes de continuar a relatar, cronologicamente, a minha participação até o afastamento em 1991 seria conveniente, para facilitar o entendimento, dar uma panorâmica da Organização em função do que aprendi de 1986 a 1991 e somente depois retomar a cronologia.

O líder da organização é o autólatra político-economista-filósofo Lyndon LaRouche Junior, nascido em New Hampshire em 8 de setembro de 1922. Lyndon Larouche, embora pouco conhecido fora dos EUA, vem sendo candidato à presidência dos Estados Unidos desde 1976, sendo inclusive chamado, pela mídia americana, de candidato perene. Concorreu a primeira vez pelo partido trabalhista dos EUA (U.S. Labor Party) por ele mesmo fundado como braço da National Caucus of Labor Comittees (NCLC), verdadeiro nome da Organização. Nas demais ocasiões, como aconteceu em 1996, LaRouche concorreu a uma indicação pelo partido democrático. Para se conhecer a personalidade desse homem, veja-se abaixo um texto extraído de sua autobiografia editada em 1988 como mote de campanha para as eleições:

I make no great claim when I insist that am the leading economist in the world today. I am the only public figure in North America or Europe who teaches the American System of political-economy today. If that where my only acomplisment, I would be, automatically, one of the world's leading economists. " In the land of the blind, the one-eyed man is king."

O que denominam aqui de Sistema Americano de economia política são as tradições da revolução americana representadas por Alexander Hamilton, os irmãos Carey, o economista alemão Frederich List e Abraham Lincoln.

Dentro da organização o culto à personalidade de LaRouche faz com que este seja venerado com um santo e reverenciado como uma das maiores cabeças do século 20. Seus seguidores consideram-se predestinados a construir uma nova nação livrando-a das trevas e fazendo-a seguir os passos de Platão, Lincoln, e dos Constitucionalistas Hamiltonianos. Mesmos os mais severos crítico de LaRouche concordam que ele, propriamente, é extremamente inteligente com uma espantosa habilidade de rechear seu discurso com referências históricas sacadas de memória.

LaRouche se tornou o guru de um grupo que espalha teorias conspiradoras detalhando um sinistro plano conduzido por proeminentes judeus, comunistas Russos e Aquarianos da Nova Era, todos mancomunados para destruir a cultura ocidental e jogar a civilização numa era de trevas. LaRouche é capaz de rastrear estas conspirações desde Henry Kissinger até o antigo império da Babilônia. Para ilustrar esta faceta importante da mentalidade deste autólatra leia, o artigo
Delírios LaRoucheanos , no qual é apresentada a incrível versão do grupo LaRouche para a atuação de Aristóteles nos acontecimentos que precederam a ascenção de Alexandre O Grande, ao trono macedônico, passando pela política exterior de Alexandre e finalmente sua morte.

O grupo adota uma política "on-off" maniqueísta onde tudo que está dentro dos conceitos, recebe o "Nihil-Obstat" de LaRouche e é bom o resto é ruim, satânico e não merece qualquer avaliação. Simplificando um pouco, os membros adotam, para tudo aquilo que não recebe o beneplácito do líder, uma política do "não li não gostei". Dentre os objetivos do grupo está o resgate dos ideais clássicos do Renascimento, nas artes e no conhecimento. Os fundamentos filosóficos, com uma leitura interpretada por LaRouche, são principalmente alicerçados em Platão e Sócrates, desprezando-se, entre outros, Aristóteles, Decartes e os filósofos ingleses. Nas ciências, Newton é preterido por Liebnitz e na economia a grande totalidade dos economistas, e em especial Adam Smith, são considerados maléficos.

Uma pergunta pode surgir: Como pessoas inteligentes, preparadas intelectualmente sufocam suas opiniões e abraçam as de seu líder, sem contestar, produzindo trabalhos intelectuais, de peso, dentro das idéias aprovadas? Esta é uma pergunta para a qual ainda não tenho uma resposta precisa mas talvez uma explicação seja o fato de que os seguidores acreditam realmente que LaRouche tem a saída para os problemas da humanidade, e no fato inegável que ele tem um carisma enorme, é dotado de uma inteligência acima da média e possua característica de liderança acentuadas. Afinal, a história demonstra que os verdadeiros líderes, independentes de bons ou maus, sempre tiveram seguidores cegos e fiéis.

Durante o processo de Michael Billington, um dos próceres da Organização, na corte de Virgínia em 1989, quando foi feita uma petição para dispensá-lo de um segundo exame psiquiátrico foi levantada exatamente a questão de o acusado estar "under the influence of leadership such that he is making bad decisions for himself".

Nos EUA LaRouche é identificado como fascista, ultra-direitista, anti-semita e recentemente como o líder dos neo-nazistas nos EUA. No Brasil o fato de considerarem Enéas Carneiro " um dos homens de idéias que deverão delinear o futuro " dá uma boa indicação da orientação do grupo.

Informações sobre os dois lados da moeda podem ser encontrados em
LYNDON LAROUCHE: Fascism Wrapped in an American Flag e EIR Home Page.

Retornando à cronologia, em 1988, participei, sob os auspícios da Organização, do que foi chamado de Encontro Preparatório para o 2º Congresso Anficteônico do Panamá, realizado de 22 a 28 de agosto de 1988 na cidade do Panamá. Este seminário preparatório, patrocinado pelo governo do Panamá, tinha como objetivo reunir as nações chamadas bolivarianas numa reunião de desagravo ao governo do Panamá e em especial ao General Noriega, pelas pressões então recebidas por parte dos EUA. Na ocasião a Organização LaRouche apoiava o General Noriega contra o que chamava de agressão à soberania do Panamá sob pretexto de coibir o narcotráfico. Algumas presenças importantes como Daniel Ortega, da Nicarágua, compareceram a esse encontro no Panamá.

O braço brasileiro da Organização foi ágil o suficiente para promover o envio a este encontro preparatório de uma delegação brasileira de cerca de 20 pessoas dentre técnicos, profissionais de imprensa, sindicalistas e políticos entre eles o então deputado federal Luiz Salomão (PDT-RJ) e pelo menos mais dois deputados federais um do PTB-RJ e outro do PMDB-RS. O mesmo Luiz Salomão viria assinar cerca de 6 meses depois um manifesto, em conjunto com cerca de 100 outros parlamentares latino-americanos, solicitando ao governo americano a libertação de Lyndon LaRouche então encarcerado nos EUA por motivos de fraude contra o IR, prisão que segundo à Organização não passava de mera perseguição política.

Este manifesto foi publicado em forma de anúncio pago, no Washington Post, e continha o nome de 100 parlamentares latino-americanos dentre os quais encontravam-se
71 brasileiros , o que mostra o grau de ativismo de Lorenzo Carrasco, líder da Organização no Brasil. Depois do Brasil compunham a lista o Perú e o México, respectivamente, com 15 e 9 parlamentares assinando o anúncio. Encerravam a contagem parlamentares da Venezuela com 2 assinaturas e Honduras, Panamá e Colombia, cada um com uma assinatura.

A lista congregava deputados e senadores brasileiros das mais diversas correntes ideológicas, mostrando talvez que a maioria deles assinou o manifesto, sem se preocupar em saber o que representava ou quem era realmente Lyndon LaRouche, o político americano em questão. Com a ajuda de um deputado (do PMDB, e que hoje não tenho certeza quem foi) angariando as assinaturas, não foi difícil engordar a lista, pois o manifesto foi apresentado aos congressistas tendo como objetivo maior, defender os direitos humanos de um colega político americano. Seguindo as melhores técnicas de persuasão da Organização, o manifesto/anúncio era patrocinado por uma tal de "Comission to Investigate Rights Violations" , que na verdade tinha como objetivo único defender LaRouche das acusações que este enfrentava, oriundas do Departamento de Justiça Norte-Americano. Muito provavelmente, a maioria dos deputados e senadores, senão a totalidade, desconhecia a personalidade de Lyndon LaRouche. Este, obviamente, lhes era apresentado como um defensor do desenvolvimento dos países do terceiro mundo passando naquela ocasião por uma "injusta perseguição" por parte de agentes do governo americano.


Esta aproximação no momento que a imprensa brasileira divulgava as fortes ligações de LaRouche com a mais radical extrema direita norte-americana, foi motivo de grande arrependimento de Salomão. Este arrependimento ficou demonstrado através de uma carta endereçada a Lorenzo Carrasco e na qual Salomão, reafirmando suas posições políticas, estabelecia formal e polidamente seu afastamento do convívio com a Organização. Estávamos no ano de eleição presidencial e o vacilo de Salomão, então um dos líderes do PDT, não ajudaria nada à candidatura de Leonel Brizola.

Este relato serve para demonstrar que os métodos persuasivos da Organização poderiam fazer cair em esparrela até mesmo um líder político experimentado como Luiz Salomão. Aliás existe um exemplo na nossa história de movimentos no qual princípios e ideais, aparentemente, louváveis foram pano de fundo para as verdadeiras posições fascistas. Nele se envolveram muitos brasileiros ilustres, até perceberem a cilada em que se engajavam. Trata-se do Integralismo, movimento que floresceu em 1932, que o próprio Enéas, o político brasileiro mais afinado com LaRouche (ver O
Veneno do Corporativismo ), ao ser questionado sobre sua opinião acerca do Integralismo confessou uma certa simpatia por suas posições:

"Isso foi antes do meu tempo", disse ele, mas acrescentou que "há algumas semelhanças entre nós e os integralistas".

Sobre a participação destes brasileiros, também como uma forma de prover uma desculpa para aqueles que como eu acreditaram na parte construtiva da doutrina LaRouche, transcrevo abaixo o que o historiador Hélio Silva escreve, sobre aqueles que foram levados enganosamente ao integralismo, em sua magnifica obra "O Ciclo de Vargas" Vol X 1938 Terrorismo em Campo Verde, - Editora Civilização Brasileira - 1971. Justificativa bastante aplicável ao caso LaRouche.

É claro que se deve distinguir, entre os milhares de brasileiros que adotaram o integralismo, aqueles que acreditaram na parte construtiva de seu programa. Esses, em sua quase totalidade, foram abandonando a Ação Integralista Brasileira e Plínio Salgado, antes ou depois de 10 de novembro. Logo que compreenderam o mimetismo que dela faria um triste arremedo do fascismo de Mussolini e do nazismo de Hitler. Quando perceberam os reais objetivos do chefe nacional e souberam da sua atuação no preparo do golpe branco de 1937 ou da intentona verde de 1938.

De volta do Panamá iniciei um processo de cada vez mais comprometimento com a Organização e engajei-me num novo projeto, qual seja o de realizar a tradução, para o português, do livro Integração Ibero-Americana, até então somente com edições em língua inglesa e espanhola.

O livro Integração Ibero-americana é uma dessas coisas que transformam a análise do grupo LaRouche uma tarefa difícil. O livro se propõe a dar soluções para muitos problemas que afligem os países em desenvolvimento da América Latina e entre algumas utopias e bravatas nacionalistas apresenta alguns bons e sérios estudos sobre problemas de infra-estrutura do continente. Esta tradução consumiu-me um bom esforço de trabalho, tendo para finalizá-lo viajado em janeiro de 1989 para Leesburg, na Virginia, sede da organização, afim de digitar essa tradução diretamente na rede de computadores da organização. Embora a viagem, obviamente financiada pela organização, facilitasse e abreviasse o trabalho, a minha ida foi mais uma estratégia para aprofundar os meus laços com o grupo LaRouche.

Convivendo no dia-a-dia da Organização LaRouche, durante um mês, pude verificar o grau de abnegação demonstrado pelos seus membros que quase num regime monástico emprestam cerca de 12 a 18 horas de trabalho diário à causa da organização percebendo remuneração relativamente modesta por esse mesmo trabalho. As receitas advindas das diversas operações, na sua maioria relativas às publicações de jornais, revistas e livros, são prioritariamente reinvestidas na operação cabendo ao conforto e remuneração dos membros a parcela menor.

O grupo opera um verdadeiro serviço de inteligência, de amplitude internacional, onde a situação estratégica mundial é analisada e discutida em duas reuniões diárias com os membros do escritório central. Estas reuniões funcionam quase como uma parada, no típico modelo militar, onde as ordens diárias são distribuídas aos militantes. A análise é distribuída via fax ou modem a todos os escritórios da organização no mundo. Hoje em dia, obviamente, a Internet deve desempenhar um grande papel nesta divulgação. As análises estratégicas são, basicamente, publicadas na principal revista do grupo, a Executive Intelligence Review (EIR). Somam-se à EIR as seguintes publicações:

Resumem Ejecutivo, publicação quinzenal, em espanhol, com resumo da EIR que tem publicação semanal; Beneguelli revista que apresenta a arte sob o ponto de vista da organização e onde são defendidos os ideais clássicos do renascimento; 21 st Science & Technology, revista científica que defende o uso da tecnologia como meio de desenvolvimento das nações; New Federalist, jornal quinzenal defensor das idéias de LaRouche, verdadeiro porta-voz filosófico do grupo e no qual existem seções em que são abordados aspectos da manutenção dos ideais históricos da Revolução Americana e são apresentadas as idéias filosóficas defendidas pela Organização.

Algumas dessas publicações possuem nomes diferentes conforme os países em que são publicadas. No Brasil o grupo criou uma newsletter intitulada Solidariedade Ibero-americana publicada pelo que denominam Movimento de Solidariedade Ibero-americana  (MSIA)1, que parece ser o nome adotado pelo grupo nos países latinos.

Em complementação às revistas, o grupo tem uma intensa produção de livros e panfletos nos quais os membros exercitam seus dotes de escritores contribuindo com a divulgação de trabalhos dentro dos pensamentos defendidos pela organização. Recentemente, em 1995, foi publicado, no Brasil, uma cópia em português do Relatório Sobre as Manufaturas, documento elaborado por Alexander Hamilton no final do século 19.

A apresentação dessa edição, é assinada por Barbosa Lima Sobrinho que no último parágrafo escreve:

"Afortunadamente, hoje, o mundo está voltando a familiarizar-se com a obra de Hamilton, em grande medida graças aos esforços do economista americano Lyndon LaRouche e seus colaboradores. (...) LaRouche defende uma retomada de aplicação dos princípios do sistema Americano à economia mundial, como alternativa à crise em que esta se encontra mergulhada, tendo sido várias vezes candidato à Presidência de seu país. É, também, fundador da revista EIR-Executive Intelligence Review, a cuja correspondente no Brasil, Sra, Silvia Palacios, devemos a iniciativa desta primeira edição do "Relatório" em português."

Como se vê não só eu, como políticos experientes e até mesmo um ícone como Barbosa Lima Sobrinho podem se enganar com a dissimulação do Grupo LaRouche.

A tradução do livro Integração Ibero-americana ficou pronta em meados de 1989. Embora as dificuldades do complicado sistema de acentuação do computador da organização tivesse causado uma série de erros e a distância tivesse impedido que se fizessem revisões adequadas, o livro teve seus fotolitos produzidos apesar de conter um considerável número de erros de acentuação/pontuação. Lorenzo, em respostas às minhas solicitações para que se adiasse o lançamento do livro, a fim de permitir uma revisão mais acurada, contrapunha que era urgente que fizéssemos a distribuição e acabou colocando-me nos créditos do livro não apenas como um dos tradutores mas também como pesquisador, pelo simples fato de durante a tradução eu haver corrigido alguns pequenos enganos no capítulo que mencionava a era Vargas no Brasil. Entendo, hoje, que isto foi uma artimanha para comprometer-me ainda mais, massagear-me o ego e preparar-me para engajamentos ainda maiores na Organização.

Lorenzo Carrasco, sempre muito criativo, já pensava em outro projeto para engajar os poucos militantes, entre os quais eu me incluía. Ele imaginava a criação de uma revista brasileira, no estilo Beneguelli, que deveria chamar-se Sagres, numa homenagem à escola de navegação portuguesa do século 16. O projeto ambicioso de produção de uma revista daquele porte gerou muita discussão até que Lorenzo, sempre muito arrojado, se rendesse às evidências da impossibilidade de enfrentarmos um projeto, de tal magnitude, com os poucos "partimes" com que se podia contar.

Foi então que surgiu a idéia da Sociedade Brasileira de Economia Física (SBEF), organização sem fins lucrativos, que tinha em seu estatuto a divulgação dos conceitos e metodologias da economia física, ciência que supostamente teria tido seus alicerces lançados por LaRouche na defesa da produção contra a especulação.

Neste momento eu já demonstrava minha vontade de dar um tempo e afastar-me do trabalhos diretos da Organização e mais uma vez a persistência e insistência aliadas aos apelos patéticos de compromissos com ideais patrióticos e de resgate dos valores de liberdade e soberania estenderam mais o meu tempo de participação. Numa nova jogada, Lorenzo propôs o meu nome para Presidente da nova sociedade civil que iria ser criada com o intuito de defender os interesses de uma política de premiação à produção com ênfase na tecnologia como força motriz do desenvolvimento.

A insistência pelo meu concurso, menos por méritos pessoais, era pautada pela dificuldade de se arranjar colaboradores com possibilidades e recursos para emprestar à Organização. Já estávamos em maio de 1990 e embora eu já estivesse dando como certo o meu afastamento gradativo do grupo, acabei por insistência excessiva de Lorenzo aceitando a indicação o que logo vim a me arrepender, solicitando meu afastamento oficial desde os primeiros momentos. Infelizmente, fui sendo "enrolado" e esse desligamento nunca foi efetivado embora meu contato se tornava cada vez menor com o grupo.

Em finais de 1990, uma vez que a Sociedade estava legalmente registrada, decidi que iria solicitar, formalmente, por carta, minha renúncia do cargo. Alguns companheiros de então, que ainda nos dias de hoje continuam colaborando, solicitaram-me a não fazê-lo pois, segundo suas próprias avaliações, isso iria desacreditar a Sociedade no seu nascedouro.

Ficou acertada a realização de uma assembléia na qual o meu afastamento seria oficializado. O fato é que a Sociedade nunca decolou e até hoje talvez não tenha passado da reunião inicial de instalação, o que me faz temer que talvez continue, oficialmente, como presidente de uma entidade que não existe de fato, mas que está registrada no cartório das sociedades civis, ostentando uma declaração de princípios que baliza uma atuação em prol dos povos ibero-americanos.

Em janeiro de 1991 diminuí a zero meu contato com a Organização LaRouche e uma contínua e crescente compreensão do que realmente ela representa me fizeram, em 1997, escrever a primeira versão desse artigo. A organização LaRouche não cresceu muito no Brasil mas mantém um grau sempre constante e persistente de atividades, principalmente, pela dedicação de Lorenzo Carrasco, um mexicano há mais de quinze anos no Brasil e já com filhos brasileiros.

Em 1999 a "newsletter" Solidariedade Ibero-americana completou seu sétimo ano consecutivo de publicação.

Em 2000 os laços da Organização LaRouche com o setor nuclear brasileiro tornam-se institucionais deixando de ser apenas ligações entre uma organização internacional e membros do setor. Sobre isso leia :
A Organização LaRouche e o Setor Nuclear Brasileiro . Este é o ano também em que outras organizações tais como a APPADDI - Associação de Defesa dos Direitos e das Liberdades Individuais e a Editora Revisão , iludidas ou conscientemente afinadas com o dissimulado "discurso laroucheano", se transformam em porta-vozes do Movimento LaRouche.

A penetração, pouco a pouco maior, da Organização entre a Sociedade Brasileira tornam este relato cada vez mais importante.

A 8ª revisão deste artigo (Dez-05) tem por finalidade tornar público algo que tem me aborrecido extremamente desde que escrevi este artigo em 1997. Trata-se da insistência de uma determinada organização denominada Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre (MJDH), em veicular informações incorretas em sua página na internet a respeito da minha participação no Grupo LaRouche.

Foram, seguidamente, ignoradas as inúmeras solicitações que fiz, não só por email como também por telefone, desde 1999, para que corrigissem estes equívocos. Em todas as oportunidades me coloquei à disposição do MJDH para juntos combatermos a crescente penetração das idéias de LaRouche no Brasil. É estranho, que uma organização que se diz defensora da justiça e dos direitos humanos viole tanto estes mesmos direitos persistindo deliberadamente em transmitir informações totalmente erradas e inverídicas sobre uma pessoa.

Ora, se a minha participação neste grupo só é de conhecimento público devido unicamente à minha própria iniciativa de escrever este artigo, participação esta que de outra maneira jamais seria conhecida visto que minha atuação foi modesta e estritamente interna ao grupo, e se a maioria das informações sobre a minha pessoas chegaram ao conhecimento do MJDH através do meu próprio texto, porque razão relutam por longos 6 anos em alterar incorreções graves que até hoje veiculam em sua página na Internet?

Em função disto resolvi eu mesmo colocar aqui a refutação das afirmações equivocadas colocadas sobre a minha atuação dentro da Organização LaRouche no Brasil.

Portanto, para que fique claro a todos, situação que me parece já está até bem clara neste artigo:

1. JAMAIS fui dirigente da Organização LaRouche no Brasil, era apenas um mero colaborador até me dar conta do que realmente representavam e perceber tudo aquilo que expliquei neste longo artigo;

2. Uma prova cabal do que venho afirmando sobre as inverdades narradas na página web do MJDH, que pode ser facilmente verificado, é o fato de eu JAMAIS ter sido diretor da NUCLEN como afirma o MJDH;

3. Toda a minha participação se resume ao que está escrito neste artigo elaborado com bastante transparência e sinceridade e com objetivo único de passar minha experiência e assim evitar que outros se prendam na mesma rede.


Nota 1:
Em 2003 o MSIA rompeu com o Grupo LaRouche devido à acusações do comando do Grupo LaRouche quanto ao MSIA ter se transformado em uma operação de inteligência fascista, sinarquista e nazista. É curioso os fascistas se acusarem, mutuamente, de fascistas. Ler as acusações da EIR, principal publicação do Grupo LaRouche. A defesa do MSIA esteve algum tempo no site do MSIA no Brasil, mas depois desapareceu.

Se você leu até aqui, acesse o GuestBook
banner1

Trackback(0)
Comentarios (2)add
Defesa do MSIA
escrito por Fabio Bittencourt , 24 janeiro 2011
A defesa do MSIA contra as acusações do EIR ainda pode ser acessada por meio dos seguintes links:
http://web.archive.org/web/200...sp?cod=42
http://web.archive.org/web/20041105054219/www.msia.org.br/detalhe_conteudo.asp?cod=84

Não sou muito adepto de teorias da conspiração, mas acredito que, mesmo cometendo eventuais exageros, o MSIA acaba prestando um valioso serviço para o Brasil ao denunciar as ameaças reais ao desenvolvimento do país que decorrem das ações de organizações que tem usado discursos que cativam a opinião pública (ambientalismo, indigenismo, direitos humanos, etc.) para os mais diversos fins, como autopromoção, fanatismo ideológico, pretensões políticas, alinhamento com interesses econômicos ou mesmo a simples arrecadação de dinheiro para a instituição sobreviver. O universo das ONGs é complexo e heterogêneo - tem gente boa e gente ruim misturada nesse balaio de gatos - e as informações divulgadas pelo MSIA tem ajudado a entendê-lo mais profundamente, o que permite nos defendermos melhor dessas agressões escusas.
report abuse
vote down
vote up
Votes: +2
Defesa do MSIA
escrito por Mario Porto , 24 janeiro 2011
Não discordo de você, tanto que em vários artigos sempre expus a dificuldade de se analisar o grupo Larouche e por tabela seu filhote MSIa, pois alternam teorias da conspiração com bons relatórios de estratégia geopolítica para o continente.
report abuse
vote down
vote up
Votes: +0
Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security image
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Seguinte >

Enquete

Você Aprova a Construção de Submarinos Nucleares Pelo Brasil?
 

Recomendar a MPHP

Fala para um amigo Seu nome:

Seu e-mail:

E-mail do seu amigo: