Roma Imperial é Aqui PDF Imprimir E-mail
 

Mário Porto

Recentemente pesquisando para o livro que estou preparando sobre Tiago "O Justo" deparei-me com uma descrição da sociedade romana imperial sobre a qual não pude deixar de fazer um paralelo com o Brasil dos nossos dias.

Estou falando do fator que, segundo os historiadores, permitiu que um império tão extenso territorialmente pudesse ser mantido sem a necessidade da instalação de guarnições militares espalhadas por esse império se assegurando inteiramente pela força o que não quer dizer que isto não fosse, eventualmente, necessário como sabemos que o foi.

Refiro-me à vasta rede de relações de patronato.

Segundo Plínio, o imperador era menos um administrador eficiente do que um protetor e benfeitor paternal que garantia as comunidades ou aos indivíduos status, privilégios, recursos ou um julgamento favorável. As relações patrono-cliente fornecem uma parte da resposta à questão de como um império tão vasto era governado por um corpo administrativo tão diminuto, não só na esfera da política e da administração como num sentido socioeconômico mais amplo (Horsley, Richard - 1997).

Sêneca, filósofo Romano do primeiro século, que dedicou um longo ensaio ao assunto afirmava que a troca de favores e de serviços (beneficia), que estava na base destas relações:

"cria de modo bem especial a coesão da sociedade humana".

Sêneca ainda escreveu

"Homicidas, tiranos e traidores hão de existir sempre; porém pior que todos é o crime de ingratidão".

Cícero, filósofo, orador, escritor, advogado e político romano da mesma época, exprimia a mesma opinião:

 "A um bom homem não é permitido não pagar [um favor]"

O conselho de Plutarco, filósofo e prosador grego do período greco-romano que viveu certo período em Roma, de como um jovem devia agir para conseguir um cargo político local é um indicativo de como funcionava o sistema:

"Não só precisa o homem de Estado manter a si e à sua cidade ilibados aos olhos dos dirigentes, mas ter sempre algum amigo nos círculos dos mais poderosos (em Roma) como um firme apoio à cidade. Porque os próprios romanos mostram-se mais simpáticos aos esforços cívicos dos amigos. E é bom que quem goza de benefícios em função da amizade com os poderosos os usem em favor da prosperidade do povo (Moralia 814C)."

Como se pode notar é a instituição legal e moral do patronato, da troca de favores, e do tráfico de influência. Modernamente ainda podemos identificar um primo do patronato tão danoso quanto ele e que denominamos corporativismo.

Longos tratados e estudos têm sido escritos sobre como as relações patronais de poder funcionavam em Roma e a arqueologia tem ajudado bastante na descoberta das inscrições em monumentos louvando patronos estabelecidos. A história nos conta para onde tudo isto levou o império romano.

Vamos agora olhar um pouco para o que acontece no nosso dia-a-dia, o que ouvimos constantemente nos jornais televisivos e lemos na imprensa escrita.

Parece muito distante disto?

O recente caso Daniel Dantas nos tem dado uma mostra contemporânea do patronato moderno. As instituições brasileiras estão tão desacreditas que até quando, aparentemente, afirmam a verdade nós não conseguimos mais acreditar. É o caso do afastamento do delegado da operação Satiagraha, que até pode ser verdade que tenha considerado encerrado seu trabalho e em função do curso que estaria programado a realizar tenha decido terminar o relatório e deixar o caso, mas o fato é que não temos mais condição de dar crédito.

Advogados de defesa desfilam seu rol de medidas com uma certeza tão grande da impunidade de seus clientes que até causa certo asco.

Salvatore Cacciola chega ao país depois de passar meses em uma prisão no principado de Mônaco e de um desgastante processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro e por incrível que possa parecer, estes advogados se permitem imaginar que é só impetrar um "Habeas Corpus" no Supremo e o foragido estará livre, para execração internacional do Brasil que mais uma vez se tornaria piada.

É meus caros visitantes da MPHP, Roma Imperial é Aqui.

 




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