Felipe Mogan
Uma boa reflexão é tentar estabelecer quais seriam os desígnios de Deus, dentro do plano da Criação, cotejados com a possibilidade aleatória real da destruição desta mesma criação, por um fenômeno natural, como o choque de um asteróide com a Terra.
Esta questão, está no mesmo nível do paradoxo da existência do mal em um mundo criado por um ser "Omniciente", todo bondade e amor.
Por que existe o mal na Criação de um ser "todo-bondade"? Por que em um mundo, em que em última palavra Deus é responsável, existem desastres naturais que podem matar milhões? Por que existem doenças que causam sofrimentos e mutilações em crianças e inocentes? Em outras palavras, por que existe o mal e o sofrimento de qualquer espécie? Este dilema é conhecido como o "problema do mal".
Resumidamente, podemos caracterizar o problema do mal da seguinte maneira:
Se Deus não sabe que existe o mal Ele não é Onisciente. Se Deus sabe que o existe o mal, mas não pode evitá-lo Ele não é Onipotente. Se Deus sabe que existe o mal, pode evitá-lo, mas decide não fazê-lo Ele não é Benevolente.
Mas não seria isto apenas um jogo de palavras? Vamos fazer então o advogado do diabo para tentarmos concluir algo.
Se, como os cristãos afirmam, Deus é todo-sabedoria e é todo-poder, temos que concluir que Deus não é todo-bondade. A existência do mal no universo exclui essa possibilidade. Tem havido várias tentativas dos religiosos de escapar do problema do mal. Uma abordagem teológica geral do problema do mal, consiste na afirmativa de que o mal é de alguma maneira irreal ou, puramente, de caráter negativo.
Este argumento é tão inadmissível que poucos cristãos se oferecem para defendê-lo. Um dos primeiros problemas com esse argumento é: "Se o mal não é realmente nada, então por que toda agitação sobre o pecado: nada ? Qualquer tentativa de absolver Deus da responsabilidade sobre o mal, afirmando que em última análise não existe tal coisa denominada mal, é uma piada sem graça.
Outro esforço comum para reconciliar Deus com o mal, argumenta que o mal é a conseqüência do livre arbítrio humano. Apesar desta abordagem possuir uma coerência inicial, ela falha de imediato na solução do problema do mal. Somos solicitados a acreditar que Deus criou o homem com o poder de escolha na esperança que este, voluntariamente, seguisse o caminho do bem e se o homem frustasse o desejo de Deus, atrairia o mal sobre sua própria cabeça. Porém, para começar, falar-se de frustar ou agir, contrariamente, aos desígnios de um ser divino "omnipotente" não faz sentido.
Não existem barreiras para a "omnipotência" divina, nenhum obstáculo poderia obstar seus desejos, desta forma temos que assumir que o presente estado do mundo está precisamente como a vontade de Deus quis. Se Deus desejasse que as coisas estivessem de maneira diferente do que elas estão, nada poderia evitar que elas fossem de maneira diferente, não obstante o livre arbítrio do homem.
O livre arbítrio é incompatível com o conhecimento "a priori" que o ser "Omnipotente" detém, desta forma o apelo ao livre arbítrio também falha neste aspecto. De qualquer maneira, Deus ao criar o homem possuía total conhecimento dos sofrimento generalizado que este estaria sujeito e dada à sua faculdade de evitar esta situação, devemos presumir que Deus desejou e quis que esta atrocidade imoral ocorresse.
É injusto colocar a responsabilidade de ações imorais, generalizadamente, no livre arbítrio humano. Homens individuais cometem atrocidades, não a abstração "homem". Alguns homens cometem injustiças, outros não. Alguns homens assassinam, roubam ou enganam mas outros não o fazem.
Como então, podemos avaliar um Deus que permite a injustiça disseminada quando, facilmente, estaria entre seus poderes evitá-la. Os cristãos, acreditam em um Deus que demonstra pouco ou nenhum interesse na proteção dos inocentes, e devemos nos perguntar se tal entidade pode ser chamada "bom".
Mesmo que ultrapassássemos as presentes dificuldades, o apelo ao livre arbítrio é ainda derrubado porque ele encampa somente o chamado mal moral (i.e. ações do homem). Ainda restariam os problemas incomensuráveis dos males físicos, tais como desastres naturais, sobre os quais o homem não tem controle.
Por que existem inundações, terremotos ameaças de NEOs que podem matar bilhões e mesmo aniquilar com a espécie humana? A responsabilidade por estas ocorrências, obviamente não poderá recair sobre os ombros do homem.
A única doutrina que pretende dar uma explicação lógica para este problema é aquela que diz que a vida não acaba com a morte e a passagem da vida carnal na terra é um estágio de uma evolução em direção à inteligência suprema embora nunca alcançável.
Será?
De qualquer maneira toda esta problemática é mais um entrave para aceitação do conceito de um deus antropomórfico, aquele Deus-Pai que vela por nós e atende nossas orações.
Eu gostaria de saber o que seria do livre arbitrio se Deus tivesse criado seres perfeitos? Será que a pefeição absoluta deixaria espaço a decisões uma vez que sabendo exatamente o que é "certo" e sendo "perfeito" não ha porque decidir algo; tudo deve parecer obvio.
A felicidade absoluta não passaria por um processo de evolução, por um aprendizado? A felicidade não existiria sem obstáculos, o alivio sem a dor, a perfeição sem processo de redempção. Tudo existe pelo seu contrário. Deus é bom porque permite aos espiritos que criou de evoluirem nesta e em outras vidas... é nisto que creio, é disto que estou convicto.
Será que as dores que conhecemos são realmente dores diante do infinito? O que somos no universo se não poeiras quase insignificantes? Podemos no nosso estado de evolução entender os designos do Ser Suprêmo?
Assim como seres unicelurares não sabem o que o sistema solar significa, os "homens", os espiritos que somos não podem entender o sentido do universo.
Acredito que saberemos numa outra era, em outro plano, quando mereceremos...