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6. ADENDO 2007 - ESTRUTURAS DISSIPATIVAS
Este artigo foi escrito em 2000 com argumentação exclusiva baseada na termodinâmica clássica. Com a popularização da Autopoiese e as teses de Maturama e Varella [7] seguida dos estudos de Ilya Prigogine sobre estruturas dissipativas resolvemos fazer este adendo que torna mais enfática ainda a imprecisa utilização da termodinâmica clássica para tratar de sistemas vivos.
Os organismos vivos se mantêm continuamente afastados do equilíbrio, que é exatamente a vida. Organismo em equilíbrio é um organismo morto.
Prigogine foi o primeiro a estabelecer que a termodinâmica clássica, devido à característica linear de sua matemática, é inadequada para descrever sistemas afastados do equilíbrio.
Por isso, Prigogini e seus colaboradores desenvolveram uma termodinâmica não-linear para estes sistemas, utilizando técnicas da teoria dos sistemas dinâmicos e a nova matemática complexa dos fractais. Nesta termodinâmica a segunda lei ainda é válida, mas a relação entre entropia e desordem toma novos contornos.
Desde Boltzmann que a definição de entropia é feita em termos de probabilidade. Na linguagem de Boltzmann, a segunda lei da termodinâmica significa que qualquer sistema fechado tenderá para o estado de probabilidade máxima e não há na verdade nenhuma lei física que proíba um movimento da desordem para a ordem. Este estado pode ser definido como o estado atrator do equilíbrio térmico.
A termodinâmica clássica é então apropriada para a descrição de fenômenos próximos do equilíbrio.
Já a termodinâmica de Prigogine, das estruturas dissipativas, ao contrário aplica-se a fenômenos termodinâmicos afastados do equilíbrio no qual as moléculas estão em movimentos aleatórios descritos por equações não-lineares.
Uma estrutura dissipativa se mantém longe do equilíbrio e pode se afastar cada vez mais por meio de uma série de bifurcações. Nos pontos de bifurcação podem emergir estados de ordem mais elevada espontaneamente. Isto não contradiz de forma nenhuma a segunda lei, a entropia total do sistema continua crescendo, mas este aumento não corresponde a um aumento uniforme de desordem.
De acordo com Prigogine, as estruturas dissipativas são ilhas de ordem em um mar de desordem e como ele mesmo se expressa, embora a entropia global, conforme a segunda lei continue aumentando a ordem "flutua na desordem".
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Nota 7 VARELLA, FRANCISCO, HUMBERTO MATURAMA e RICARDO URIBE "Autopoiesis; The Organizations of Living Things, Its Characterization and a Model, BioSystems 5, 187-96 1974
PRIGORINE, YLLIA. "Dissipative Structures in Chemical Systems", Interscience, Nova York, 1967. voltar ao texto
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