O que é Ateísmo PDF Imprimir E-mail

Diz o insensato em seu coração; "Não há Deus" e, cometem abominações; não há quem faça o bem. (Salmos 14.1)


Felipe Mogan

Introdução

Esta passagem, freqüentemente, referenciada demonstra como uma pessoa religiosa enxerga o ateísmo. Este tipo de lamentação pretende associar a moral com a crença em um Deus, como se ao longo de mais de 5.000 anos a civilização humana não tivesse presenciado tantas imoralidades em nome de Deus.

O fato do Brasil ser um país com fortes influências teístas favorece o florescimento de mitos com relação ao ateísmo. Mesmo na atmosfera liberal dos dias de hoje, o ateísmo ainda é considerado inaceitável podendo ser tolerado, se a condição for mantida de forma reservada e não abertamente declarada.

Não tenho o propósito de converter quem quer que seja ao ateísmo, além de ser uma ação fútil igualaria o ateísmo ao nível de religião além do que embora tenha sido rotulado, não me considero ateu. Este artigo pretende nivelar o conhecimento daqueles que desconhecem o que realmente é o ateísmo e fazer justiça a inúmeros ateus que se constituem pessoas de bem, agregadas a rígidos conceitos morais que independem de religião ou mesmo de um deus.

As minhas primeiras palavras serão no sentido de demonstrar o qu
e é o ateísmo, e devido a muitos mitos, que atribuem ao ateísmo características que ele não possui, demonstrar também o que o ateísmo não é.

O que é Ateísmo

Teísmo é definido como a crença em deus ou deuses. O prefixo "a" significa "sem", desta forma o termo a-teísmo significa literalmente "sem teísmo" ou em outras palavras sem crença em deus ou deuses. Ateísmo portanto é a ausência de crença teísta .

Variedades de Ateísmo

Ateísmo pode ser dividido em duas categorias principais: implícito e explícito.

(a)
Um ateísta implícito é uma pessoa que não acredita em um deus mas não rejeitou ou negou, explicitamente, a verdade do teísmo.

Por exemplo, uma pessoa que não conhece as crenças teístas não acredita em um deus nem tão pouco nega a existência de tal ser. Negar pressupõe alguma coisa para negar e não se pode negar a verdade do teísmo sem conhecê-las.


Este conceito cria um embaraço aos religiosos na medida que uma criança recém nascida, até a idade da compreensão dos conceitos teístas, seria classificada como ateísta.


Os opositores deste enquadramento acusam esta classificação de arbitrária. O Contra-argumento é que a definição de ateísmo, estabelecida como a ausência de crença em deus, não é arbitrária.


Uma análise profunda mostra que as argumentações contrárias quanto a classificar-se uma criança, ainda sem informação religiosa, como ateísta passam pelo suposição de que o ateísmo carrega um certo grau de degeneração.
Como ousar chamar pobres inocentes de ateístas!

Se os religiosos se incomodam pela implicações morais de chamarmos uma criança sem formação religiosa de ateísta, o problema está com essas implicações morais, não com a definição de ateísmo. Reconhecer essas crianças como ateístas é um grande passo no sentido de remover o estigma moral atrelado ao ateísmo pois forçará os teístas, ou a abandonar seus estereótipos de ateísmo, ou deixar de estendê-los onde eles são, patentemente, absurdos. Se estes se recusarem a abandonar seu mitos, ou continuarem a condenar não-crentes como imorais, a consistência no raciocínio obriga-os a condenar as crianças inocentes da mesma maneira.


b) Um
ateísta explícito é aquele que rejeita conscientemente a crença em um deus. Um ateísmo explícito pressupõe um conhecimento das crenças teístas, que são deliberadamente rejeitadas.

Estas são definições cunhadas por George H. Smith em seu famoso trabalho "The Case Against God", mas o conceito de ateísmo não se resume a uma conjunto de definições tão simples como este. Um ateísta explicito pode negar as crenças teístas definidas em religiões específicas, como o cristianismo, mas não negar a existência de uma força superior que poderia ser reconhecida como seu deus interior, mas que não carrega as características intrínsecas do deus como Pai pregado pela maioria das crenças teístas.

Segundo a classificação de Smith tal ateísta seria enquadrado dentro do ateísta agnóstico ou ateísmo fraco (weak atheism), mas na minha opinião este seria o Ateísta Antropomórfico, Cósmico ou de Spinoza.

Por outro lado, a definição do que seja ateísmo passa pela definição do que seja deus. Assim, quando alguém aponta que uma determinada pessoa é ateísta porque ele "nega a existência de Deus", podemos começar a identificar alguns erros e mal entendidos que esta afirmação envolve. Primeiramente o termo "Deus" não foi definido, portanto o que o ateísta pensa dele não pode ser imediatamente assumido. O teísta não pode, simplesmente, considerar que aquilo que ele tem em mente como Deus seja o mesmo que o ateísta tem. Em segundo lugar, não é verdade que o que quer que este deus seja será, automaticamente, negado pelo ateísta.

Portanto, a natureza do ateísmo nos obriga a clarificar mais um ponto que envolve idéias não tanto comuns como esta e outras idéias metafóricas de "Deus". Por exemplo, um teísta que acredita em "Deus" como um princípio de moral ou consciência. Este "Deus" existe dentro das mentes das pessoas e não é algo que um ateísta combata, o desacordo estará colocado apenas sobre a definição de um deus que exista independente das crenças humanas.

Repetindo a idéia central: ateísmo é ausência de crença em deuses. O ateísmo pode afirmar que um ou todos os deuses não existam, mas isto não é um pré-requisito para o ateísmo e não se deve assumir que um determinado ateísta usa esta assertiva. Se você desejar saber se alguém vai tão longe como negar este, aquele ou quaisquer deuses você, simplesmente, tem que perguntar.

O que o Ateísmo não é

Muitos do mitos sobre o ateísmo são dependentes de características que o ateísmo na realidade não possui. Por causa disso é conveniente identificar o que o ateísmo não é.

  1. Ateísmo não é uma visão do mundo ou uma maneira de viver. Pelo simples fato de uma pessoa ser um ateísta, não se pode inferir que esta pessoa esteja alinhada a qualquer crença positiva particular e não implica em aceitação de nenhum sistema filosófico específico;
  1. O termo ateísta anuncia desacordo com teísmo. Não anuncia qualquer acordo ou aprovação com outros ateístas;
  1. Ateísmo, contrariamente ao que muitos teístas gostam de propalar, não é uma forma de neurose ou doença mental. Ao discutir ateísmo, muitos religiosos adotam o seguinte procedimento: se tudo o mais falhar, apele para a psicologia. Se não conseguir derrotá-lo no campo das idéias, transforme-se em seu terapeuta. Os religiosos jamais conseguirão eliminar da face da terra os ateístas, confinando-os a um asilo onde possam ser ignorados. Rotular o ateísmo como um problema psicológico é uma fraqueza.

O Significado do Ateísmo

Alguns podem nos questionar por, aparentemente, termos reduzido o ateísmo a uma trivialidade. Se não é uma crença positiva e não possui um conjunto de princípios construtivos, qual é o seu valor, qual é a sua importância ?

O ateísmo é importante porque o teísmo é importante. O tema de deus não é um tema remoto, abstrato com pouca importância na vida das pessoas. Pelo contrário, e o núcleo das religiões ocidentais, especificamente, da tradição judáico-cristã a qual inclui um sistemas de doutrinas baseada em quase todos os ramos filosóficos.


Se se acredita, como eu acredito, que o teísmo não somente é falso mas também é pernicioso, então a escolha entre teísmo e ateísmo assume uma maior importância ainda.


A religião teve o desastroso efeito de colocar conceitos vitalmente importantes, tais como moralidade, felicidade e amor, em um reino sobrenatural inacessível à mente humana e ao conhecimento. Moralidade e religião ficaram tão intimamente conectados que muitas pessoas não podem aceitar a ética divorciada de um deus, mesmo em princípio, o que conduz à suposição de que o ateísmo veio para destruir valores.

Quando falo de religião não estou necessariamente me referindo a Deus e sim às diversas religiões que interpretam cada uma a seu modo o conceito de Deus.

Ateísmo entretanto não é a destruição da moralidade; é a destruição da moralidade sobrenatural, assim como o ateísmo não é a destruição da felicidade e do amor; é a destruição da noção segundo a qual felicidade e amor só podem ser obtidas em outro mundo. O ateísmo traz essas idéias ao nível da terra, dentro do alcance da mente do homem. O que ele faz com elas após esse ponto é uma questão de escolha. Se ele as utiliza em favor do pessimismo e da nulidade, a responsabilidade recai sobre ele, não sobre o ateísmo.


Se o ateísmo está correto, o homem está sozinho. Não há um deus na forma antropomórfica de pai para pensar por ele, olhar por ele, garantir sua felicidade. Estas são responsabilidades unicamente do próprio homem. Se o homem quer o conhecimento, ele precisa pensar por si só. Se o homem deseja o sucesso ele precisa trabalhar. Se o homem precisa de felicidade ele precisa buscar por ela. Como um homem reage ao ateísmo depende, unicamente, dele mesmo e do quanto ele está pronto para assumir responsabilidades por suas próprias escolhas e ações. A existência de uma inteligência superior, não antropomórfica, não exclui as responsabilidades do homem no caminho de sua evolução.


Nota:
Parte deste texto é tradução autorizada da argumentação de George H. Smith em, Atheism - The Case Against God.


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Comentarios (1)add
Provalvelmente Deus existe
escrito por EduardoP. , 07 fevereiro 2009
PROVALVELMENTE DEUS EXISTE!



Não pretendo dar uma resposta à provocação lançada pelo movimento ateísta inglês, que se sentiu incomodado com a ?publicidade? feita por grupos cristãos acerca de Deus, mas aproveitar a ocasião e, também, dar a minha opinião.
Eu, não acredito naquele ?deus? no qual eles, provavelmente, não acreditam que exista.
No Ocidente sempre tivemos a pretensão intelectual de encontrar uma definição de Deus. Tiveram essa preocupação os gregos, os Judeus, os cristãos?
Ao longo da história da humanidade vamos encontrar várias formas e definições de deus. Umas convincentes, outras mais perversas. Encontramos argumentos, na nossa história, para se matar em nome de Deus.
De Infinito, poderoso e omnipotente, até à definição de hoje, para a maior parte dos crentes. de Deus-Amor, cada religião tentou encontrar um espaço para convencer os seus sequazes.
Mas poderá ser Deus definido? Ou, como pensam os orientais, ao defini-Lo, Ele passa a deixar de em Si conter uma realidade infinita?
Mas voltemos à questão. Deus existe, ou não?
Esta é a pergunta mais angustiante que o Homem tem posto ao longo da sua existência. Para mim, nem é a questão maior. Num dos slogans dos anos sessenta encontramos o seguinte: ?Deus existe? O problema é dele.?
Friamente pensando, estou de acordo. Não basta ?acreditarmos? na existência de Deus. Satanás sabe que Deus existe, mas combate-O.
Quanto a mim, a questão, que tem o mérito de trazer o problema de Deus para a ?ordem do dia?, está mal equacionada.
?A fé é um dom gratuito de Deus?? Catecismo da Igreja católica. Dom gratuito não para ser utilizado em proveito próprio, mas em benefício colectivo; em benefício dos que não foram bafejados pela fé.
Se não tens fé e, não acreditas que o estilo de vida dos que a têm, é algo que tu não aceitas, tens sempre a possibilidade de agires conforme a tua consciência. Deus criou-te livre e quer que tu sejas livre. Livre de o amares, ou não.
Mas há um aspecto desta campanha, com a qual não posso estar de acordo; ?Deixa-te de aborrecimentos e goza a vida.? Nada mais errado!
Como podes ser tão egoísta, que desprezas os milhões de seres humanos deserdados da sorte, só porque nasceram no lado errado do Mundo?
Que tens para lhes oferecer, tu pequeno burguês, apenas preocupado com a tua barriga, a não ser o ?gozar? a vida. Como podem ?gozar? os milhões de famintos de África. Os milhões de desalojados de guerras, infelizmente algumas em nome de Deus? Como vão ?gozar? os milhões de idosos abandonados e despejados em lares de 3ª idade?Que tens para oferecer.
Eu, sempre lhes posso dar esperança, porque há sempre a probabilidade de Deus existir! E, se existe, tenho a certeza que será justo para com aqueles que foram injustiçados pelos homens.
Sou crente. Sou Cristão. Peço desculpa, a vocês que não acreditam, pela minha incoerência de vida, mas acreditem que o meu Deus só tem o Paraíso para dar àqueles que o merecerem e livremente o quiserem! ?Vinde?porque tive fome, sede? estava nu e vestiste-ME?.
Não sou capaz de gozar a vida se ao meu lado existir alguém a sofrer e a precisar de mim.

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