Filosofia da Religião - Gerardus J.P.J. Bolland PDF Imprimir E-mail
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Filosofia da Religião - Gerardus J.P.J. Bolland
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Filosofia da Religião - Bolland 1º Parte (19942)

Este é um sumário seletivo de "Wijsbegeerte van de Godsdienst", um livro editado por G. Wolthuis após a morte de Gerardus J.P.J. Bolland consistindo essencialmente de notas tiradas durante seminários sobre Filosofia da Religião ministrados por Bolland em universidades holandesas durante as primeiras duas décadas do século 20.

O trabalho de Gerardus Bolland's é baseado geralmente na filosofia da religião e história introduzida, primeiramente, por G.W. Hegel. Existem bastantes introduções ao trabalho de Hegel disponíveis online de maneira que não vamos abordá-lo aqui, As considerações filosóficas são mantidas no mínimo necessário para servir de ferramenta ao entendimento da história.

I. Desgraça da Humanidade e Expectativas Salvíficas (19952)

Arte e religiões os sedativos clássicos, são obsoletos e superados pela razão pura. As raízes da religião são vistas tanto no medo cósmico da morte como na nostalgia cósmica pelos mistérios. Religião não é ensino da moral nem superstição de pessoas analfabetas. As expectativas religiosas tendem no extremo a apocalipses. Elas estão presentes desde os tempos da Babilônia, como os papiros antigos nos mostram e ainda abundam nos dias de hoje como vemos, por exemplo, no caso da Sociedade Teosófica.

O NT está repleto de expectativas salvíficas, veja-se, por exemplo, Gálatas 1:3, no qual se espera que Jesus venha e salve você desta era do diabo. A consumação disto são as Revelações ou ensinamentos proféticos de João direcionados contra o culto dos Césares.

Estas revelações desenham uma pletora de símbolos antigos como a mitologia astral babilônica (a serpente vs. o deus sol/mãe celestial).

O embasamento histórico sugere fortemente o final do primeiro século, sob o reinado do Imperador Domiciano. A linguagem é típica de uma escrita grega de um judeu daqueles dias de Éfeso e em muitas passagens reconhecemos o espírito do judaísmo.

Mas em 14:4 vemos a expressão de um ideal virtuoso não judeu, o qual somente era sustentado pelos primeiros cristãos de Alexandria e exposto na maioria dos evangelhos perdidos, de acordo com os egípcios. Desta forma, temos nesta fala um cristão primitivo, possivelmente de origem judaica, mas com ideais não-judeus. Apesar disto ele fala de uma Jerusalém celestial e judeus verdadeiros ao contrário de falsos judeus.

Jesus é esperado e invocado "Ora vem, Senhor Jesus!". Isto nos lembra formalmente a figura talmúdica de Metraton, um tipo de subdivindade. Normalmente ignorado pelos estudiosos judaicos, mas existe alguma liturgia tradicional do Ano Novo Judaico que invoca Jesus (A figura do velho testamento) como Metatron, o Príncipe do Rosto Divino.

A questão central sobre Jesus deixada pelo NT é decidir se um ser terrestre foi deificado (de outra forma denominado Euhemerismo) ou se um ser celestial foi humanizado.

Mas agora os objetos de preocupação são as expectativas salvíficas expressas nestas revelações: Deus é o grande consolador, e a morte é para ser superada juntamente como todos os outros demônios (21:4,7:17), Deus é a poderosa luz purificadora do universo superando o sol e a lua (21:23 ff). Os eventos são esperados para o futuro, infelizmente eles nunca acontecem na realidade mas são apenas possíveis na Unio Mystica.


Filosofia da Religião - Bolland 2º Parte (19957)

II. Significado da Religião para a Personalidade e a Vida Social

Neste capítulo é estabelecido o suporte mútuo para os conceitos de estado e religião. A Religião implicada aqui é essencialmente aquela em seu mais baixo nível, fé, sendo o maior nível o conhecimento. "Tema a Deus e honre ao rei" expressa a relação íntima entre política e fé.

Enquanto a fé é alcançável e desejável (pelo bem de uma sociedade organizada e estável) para as massas, o conhecimento não o é. Assim os escritos religiosos freqüentemente distinguem entre dois níveis de seguidores, um círculo interno e um externo. Este problema é traçado na literatura do NT e na dos patriarcas. Assim a Primeira Carta aos Coríntios, nos seus capítulos iniciais, endereça o problema geral de ensinar o conhecimento. Somente a elite é considerada para as doutrinas próprias do conhecimento. Se o conhecimento se tornar um objeto doa vida cotidiana, o mundo se deteriorará como assumido no evangelho segundo João.

Clemente Alexandrino conjectura que (Stromata V:4:21) tanto Gregos como os bárbaros tinham que reconciliar a verdade em figuras e símbolos. Hebreus 6:1 distingue a doutrina dos iniciantes daquela doutrina avançada até a perfeição. Como Clemente, Orígines estava ciente que esta distinção de níveis não é tipicamente cristã, mas também encontrada na filosofia clássica.

Mateus 7:6 fala para você não atirar pérolas para os porcos porque eles não são capazes de tratá-las com o devido valor. Simbolicamente Jesus é crucificado por aqueles aos quais tentou iluminar, um destino típico para mestres de conhecimento. Mateus 13:10-13 e trata da questão porque Jesus ensinava através de estórias em parábolas. A resposta é que diferentemente dos apóstolos, as massas não seriam capazes de entender a verdade nua.

O paralelo de Marcos é reacionário e judaizante, alegando que Jesus ensinava em parábolas, especificamente, para evitar ser entendido pelos notáveis.


Filosofia da Religião - Bolland 3ª Parte (19980)

III. Essência e Causa da Religiosidade

Este capítulo essencialmente estabelece e elucida que a escura e deficiente natureza da humanidade (a vida humana sendo então sujeita a preocupações, egoísmos etc.) é a raiz da religiosidade, enquanto os objetivos nobres de renúncia, altruísmo, agape etc. são as flores.

A religiosidade é então uma permanente aspiração pela renúncia, devido à sua penetração na natureza deficiente. Sem religião, a humanidade não seria mais do que bestialidade.

Deus é uma imagem para o infinito espiritual. A humanidade é em geral muito estúpida para tratar razoavelmente com o infinito. A razão pura é somente para as elites, não para a massa ignara de pessoas para os quais ela é uma loucura. Assim símbolos intermediários são necessários para as massas.

O sagrado propriamente significa segregação. O antigo testamento não conhecia o sagrado, mas a segregação é mencionada. O homem segregado se distingue de seu ambiente pela pureza particular interior.

Ao final do capítulo, quatro dicotomias dogmáticas são mencionadas. O objetivo dos próximos capítulos é mostrar como elas foram decididas no Cristianismo primitivo e em que linha de tradição.

Estas dicotomias são:

- É o Pai de Jesus o mesmo que o Deus do Tanakh?

- É Jesus um homem não somente na aparência?

- A alma salva retorna diretamente para o paraíso após a morte, ou é colocada em repouzo até o dia do julgamento final?

- O encratismo é necessário para aqueles que sucederam a Jesus?


Filosofia da Religião - Bolland 4ª Parte (20024)

IV. Ascenção e Ressurreição

Uma das esquizofrenias da religião Católica é a redundância de visões pós-mortem. As almas dos mortos são supostamente julgadas imediatamente e enviadas, de acordo com a sentença, diretamente para o paraíso, inferno ou purgatório. Apesar disto haverá também uma ressurreição pela carne de todos os mortos no fim apocalíptico dos tempos. Esta mistura é um compromisso ambíguo.

A ascenção da alma para o paraíso é propriamente um conceito gnóstico-teosófico, e tem suas origens nas religiões misteriosas. O conceito tem contaminado firmemente a filosofia clássica Grega. As raízes da última são encontradas também na religiosidade misteriosa e o impacto foi forte o bastante para trazer a derrocada da dita filosofia. Até mesmo Aristóteles, o menos superticiosos dos filósofos clássicos, exposou o conceito da ascenção. Ele enxerga a pneuma(espírito) da alma (psique) composto de susbstância astral. As estrelas eram vistas como divinas. A pneuma vinha das estrelas e após a morte retornava para lá. Ela é vista como a quintessência, o etéreo. Um epitáfio daquele tempo dizia que os corpos retornavam à terra, a alma para o etéreo. A mais importante religião misteriosa neste contexto é o culto de Orfeu e os Pitagóricos seguiram a mesmas linhas.

Esta ascenção era também essencialmente a visão da Cristandade Alexandrina, até a primeira metade do segundo século. Porém os pais da igreja em cerca de 150 e depois abandonaram esta visão e a substituíram pela visão da ressurreição apocalíptica. Isto pode ser visto dos escritos de Justin Mártir, Irineu e Tertuliano. O paraíso está fechado para qualquer homem desde que a terra exista.

O resto das almas até o último dia do julgamento apocalíptico é Judaísmo, ainda que não baseada mo Torá. Nem todos os judeus se encaixavam nisto, somente a seita dos Fariseus. Os Saduceus mantinha a visão antiga.

A visão judaica era aquela da existência continuada no submundo, sem emoção ou pensamento. A alma propriamente, localizada no sangue, se perdia com a morte. Os Caldeus e Babilônicos pensavam de maneira similar. Seguindo o grego Pausânias todos eles pensavam no submundo ou mundo dos mortos como uma terra de onde não havia retorno. Na literatura judaica isto é mais evidente no trabalhos de Ben Sirah. Flávio Josefo, seletivamente, restringiu a ressureição para judeus virtuosos.

Diferentemente desta visão judia arcaica, a manisfestada pelos fariseus é de origem Zoroastriana, como testemunhado por Teopompo, Diógenes Laércio e Eneas de Gaza.

A crença da carne humana como prisão da alma esperando por sua liberação é também a fé dos essênios que são relacionados com Alexandrino Terapeuta. Esta fé é, particularmente, a visão original da vida após morte do cristianismo. Além disto, em escritos não ortodoxos isto também é encontrado em alguns epitáfios: A carne repousa aqui. A alma foi renovada pelo espírito de Cristo e vestida em corpo angelical, estando no império celestial de Cristo, juntamente, coma as outras almas.

Calvino inicialmente indeciso, confirmou a visão de Justin Martir etc., no resto dos mortos até o último dia.

O evangelho, originalmente, não-judaico foi judeizado em Roma pelos Católicos. O cristianismo não é baseado no judaísmo, mas exatamente como a filosofia, em religião misteriosa helenica ou teosofia. O evangelho original era trabalho de uma diáspora totalmente helenizada em Alexandria que cultivou seu próprio culto de mistério, com o Antigo Testamento exatamente suprindo algum material para mitos, mas sem uma significativa influência na doutrina. O evangelho não conhecia a ressurreição e não mostrava automortificação. Obviamente tal doutrina era sociofóbica e misantrópica e não adaptada para uma religião de uma sociedade estável. Bolland justifica o intento da igreja católica, que providenciou uma religião aceitável para a sociedade, embora não por meio de uma mutilação fraudulenta de textos. Os Sinóticos são trabalhos da igreja de Roma, O evangelho de João é de Efeso.

O pano de fundo dos evangelhos é aquele de uma religião misteriosa. Um mistério é uma representação metafórica de decaimento e ressurgimento, da descida ao inferno e ascenção ao paraíso de alguma misteriosa divindade. como garantia de expectativas salvíficas, de vida eterna, dos crentes. O mais famoso culto misterioso dos Egípcios era o de Osiris, o senhor da imortalidade de acordo com o Livro dos Mortos. Os mistérios da Ática dancam no mesmo rítmo.

Gálatas 3:1 se pauta na mesma tradição: Ó INSENSATOS gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? (Almeida Revista e Corrigida ed. 1969) - 'perante os seus olhos' no sentido de uma revelação misteriosa. É um drama em 5 atos, como mostrado por Robertson: a última ceia, a prisão e expulsão do jardim, o julgamento por poncio Pilatos, a crucifixação e finalmente a ressurreição.

Eph. 4:9-10 relata da ascenção à descenção. O corpo vai para o inferno a alma para o paraíso. Cristo situa-se acima das estrelas como o governante de todos. De acordo com a primeira carta de Pedro em 3;19 Jesus desceu ao inferno e pregou para os espíritos que estavam lá. O Evangelho de acordo com os egípcios afinam no mesmo tom.

De acordo com Ro. 6:8f, o qual é uma antiga fórmula de mistério, os crentes morrem com o Cristo e também vivem com o Cristo. A morte não mantém nenhum poder sobre o Cristo e conseqüentemente nenhum poder sobre os crentes. O batismo garante assim vida eterna. Originalmente, somente água corrente era ritualmente aceita, o que ainda é o caso para a religião Mandeana, para os que viviam ( até a Tempestada no Deserto?) na Baixa Babilônia (hoje conhecida como Sul do Iraque). Esta é uma religião batismal tribal de sacrifícios dominicais de origem não evangélica e gnóstica que alegam ser os verdadeiros Nazoreans. Eles ainda acreditam na ascenção da alma.

No segundo século o pensamento original escapistico é substituído pela doutrina pragmática Católica com centro em Roma. Isto era , obviamente necessário para uma religião social. Os Gnósticos no entorno do ano 200 não ensinavam mais as doutrinas dos anos 100, mas ainda o Cristianismo original i.e  pensamentos iluminados orientados por mistérios. Refutando a ressurreição carnal, os Gnósticos ainad eram capazes de entender a ressurreição metaforicamente como a reanimação da divina consciência a qual é imaginada como morte no homem mundano. Em adição conceitos de metempsicose existiam furtivamente ao seu redor. De acordo com malaquias. no AT, o retorno do profeta Elias era esperado e Mt 11:13-14 enxerga João Batista como Elias revivido. O Diálodo com Trifo de Justino alude a algo neste sentido. A conexão Nero-Domociano relatada por Juvenal é algo similar.

***até aqui traduzido - a continuação será traduzida em breve - Pg 2 ainda em inglês******



 
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