Incongruências Bíblicas PDF Imprimir E-mail

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INCONGRUÊNCIAS BÍBLICAS

Mário Porto 


Introdução
Esdras e Neemias - Contexto Histórico
Esdras e Neemias - O papel de Sasabassar
Esdras e Neemias - Vaticinia ex eventu
Esdras e Neemias - A cronologia fantasiosa
Esdras e Neemias - A falsa contemporaneidade
Esdras e Neemias - Racismo enrustido
Números (Breve)


1. Introdução

Gostaria de iniciar este artigo com um parágrafo contido na introdução do maravilhoso livro de Who Wrote the Bible? - de Richard Elliot Friedman :

As pessoas tem lido a Bíblia por aproximadamente dois mil anos. Elas a tomam literalmente, figurativamente ou simbolicamente. Encaram-na como ditada divinamente, revelada, ou inspirada, ou como uma criação humana. Adquiriram mais cópias dela do que de qualquer outro livro. Ela é referenciada (e mal referenciada) mais frequentemente do que outros livros. É traduzida (e mal traduzida) também igualmente mais do que outros livros . É chamada de o grande livro da literatura. do primeiro trabalho da história. Está no coração do Cristianismo e do Judaísmo. Ministros, pastores, e rabis rezam-na. Especialistas despendem suas vidas estudando-a e ensinando-a em universidades e seminários. As pessoas a lêem, a estudam, a admiram, a desdenham, escrevem a respeito dela, a combatem e a amam. As pessoas tem vivido e morrido por ela. E nós não sabemos quem a escreveu.

Após dois mil anos de sedimentação de uma crença em que os autores dos livros da Bíblia são queles cujos nomes são indicados nos títulos, fica muito difícil, mesmo com base no resultado das pesquisas sérias realizadas nos últimos 600 anos, em sua maioria apresentadas por especialistas cristãos e judeus, contradizer um padre, durante o sermão da missa, que o evangelho de São Lucas não foi escrito por um tal São Lucas é a um pastor durante um culto protestante de que os livros do Pentateuco não foram escritos por Moisés.

A maioria dos leitores da Bíblia e os tipos de pessoas citadas no texto de Friedman, lêem-na sem ter consciência de quais são suas fontes, como essas fontes se apresentam e como inserções foram feitas em datas posteriores à época das narrativas. Desta maneira, não são consideradas questões importantes tais como o ambiente geopolítico quando determinado livro foi escrito e as disputas sacerdotais de então entre as tribos de Israel, que acabou orientando a forma e conteúdo dos relatos. A despeito do enorme investimento realizado em pesquisas bíblicas, existe muito pouco conhecimento do público em geral a respeito da Bíblia. Se é assim nos E.U.A. imaginem no Brasil. Estas descobertas tem ficado restritas aos círculos de especialistas. Estudiosos como Friedman, tem feito um verdadeiro trabalho de detetive, na tentativa de retratar o mundo bíblico em termos de sua política, sua história e suas personalidades.

É baseado na sedimentação de erros, traduções equivocadas, más-interpretações de práticas Greco-Romanas, no caso do novo testamento, e mesmo a partir de falácias, que igrejas como a
Universal do Reino de Deus crescem em que pese estarmos às portas do 3º milênio com todo o conhecimento tecnológico e historiográfico existente ao dispor dos estudiosos, mas infelizmente afastado do grande público. E quando se parte para a divulgação dessas descobertas, o peso do "lobby" católico e evangélico recai sobre os editores. Veja-se o caso do Brasil. Nada é publicado nessa terra.

O objetivo deste arquivo é mostrar, nos textos bíblicos, um sem número de imperfeições históricas e apontar algumas ações que, apesar das explicações dos comentários bíblicos, são evidentes amoralidades ou desvios de comportamento ético e moral.

Os erros históricos são perfeitamente compreensíveis, desde que o relato bíblico seja despido do caráter religioso e de qualquer conotação de infalibilidade divina, considerando-se, como se sabe, que os livros bíblicos foram compostos por várias mãos através dos séculos, numa era em que os métodos de reprodução dependiam dos escribas e a historiografia não era uma disciplina desenvolvida.

Os atos ditos amorais, embora condizentes com a cultura primitiva dos povos na época das narrativas, são absolutamente incompatíveis para representar exemplos da palavras de um Deus, omniciente, todo-poderoso e todo bondade.

O que parece é que os seguidores da Bíblia são, por manipulação de seus líderes, afastados da polêmica dessas incongruências e a grande maioria de crentes desconhece mesmo essas passagens.  

Este artigo será incrementado passo a passo, à medida que o tempo me for permitindo a colocação e análise das passagens neste espaço.

Começaremos com os Livros de Esdras e Neemias, antigamente, chamados 1 Esdras e 2 Esdras cujos episódios são bastante importantes na história do povo judeu.

2. Esdras e Neemias - Contexto Histórico.

Os Livros de Esdras e Neemias enfocam, especificamente, a segunda construção e restauração do templo depois do exílio dos judeus na Babilônia. Foi, precisamente, nessa época que se construiu o judaísmo bíblico, em torno do Templo de Jerusalém e da Torá. Esdras seria o sacerdote-escriba reformador, seguido de seu auxiliar Neemias, o governador leigo; isto embora, historicamente Neemias tenha realizado sua reforma uns cinquenta anos antes de Esdras como veremos.

Esses livros formam juntos com Crônicas-1 e Crônicas-2 um conjunto de 4 livros que especula-se tenham sido escritos pelo mesmo autor, um "Cronista" anônimo, que o teria concluído no final do século 4 AC (300 AC).

Para situarmos o ambiente histórico, vamos recapitular os fatos que tem suas raízes após a conquista da Babilônia pelos persas (539 AC), comandados por Ciro (560-530 AC).


3. Esdras e Neemias - O papel de Sasabassar

Os persas sempre manifestaram um tradicional liberalismo religioso, fazendo questão de que cada povo por eles conquistado praticasse livremente sua própria religião como forma de evitar tensões políticas.

Foi dessa maneira que Ciro permitiu o retorno do povo judeu para a Judéia, liderados por Sasabassar, se considerarmos Esd 1,11 ou por Zorobabel se considerarmos, na sequencia, Esd 2.1-2. Na Judéia, não só poderiam reerguer o templo de Salomão como para isso receberam ajuda financeira dos persas que liberaram os antigos tesouros do templo, confiscados pelos babilônios.

Com a posição de Sasabassar começam os problemas. Na sequência de Esd. 1,11, era de se esperar uma descrição do retorno, sob a direção de Sasabassar. De maneira curiosa o texto prossegue com uma lista que, além da ausência de Sasabassar, possui um caráter artificial, citando doze líderes de retorno pertencentes a épocas diferentes, comandados por Zorobabel. É conveniente lembrar, que esta lista aparece em Ne 7 em um contexto, totalmente, diferente; o "repovoamento da Judéia". Em ambos os sentidos, a estrutura é a mesma.

Tanto Sasabassar como Zorobabel são descritos a frente de uma caravana de repatriados (respectivamente Esd 1,11 e Esd. 2,2) e aos dois se atribui o lançamento das fundações do templo (Esd.5,16 para o primeiro e; Zc 4,9, para o segundo).

Como explicar este embaraço do texto? Acompanhemos P. Abadie, um biblista de Lion, França:

"convém ver aí a intenção consciente do seu autor, que organiza o conjunto do relato em torno de um díptico, comandado por dupla figura: a reconstrução do templo, sob impulso do sacerdote Josué e do leigo Zorobabel (Esd 1-6) e o nascimento do judaísmo, sob o impulso do sacerdote-escriba Esdras e do leigo Neemias (esd 7 - Ne 13). Com tal simetria a figura "independente" de Sasabassar não tinha lugar nenhum. Sem poder no entanto eliminá-lo totalmente do memorial , o redator conservou-o.
 

Segundo Josephus (Antiquities of Jews 11.3), isto deu-se no 1º ano do reinado de Ciro na Babilônia (539 AC).

A partir desse acontecimento um sem número de hipóteses são aventadas para situar, historicamente, o retorno do povo judeu da Babilônia e a restauração do templo e do culto.

Torna-se evidente que o relato bíblico não tem compromisso algum com a cronologia dos fatos, existindo uma intenção óbvia de dar-se precedência ao caráter teológico sobre o cronológico.


4. Esdras e Neemias - Vaticinia ex eventu

Segundo Esd. 1,1 "no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para cumprir a palavra de Iahweh pronunciada por Jeremias, Iahweh suscitou o espírito de Ciro rei da Pérsia..." por decreto autorizou a saída do judeus e a reconstrução do Templo: "Assim fala Ciro, rei da Pérsia: Todos os reinos da terra me foram entregues pelo Senhor, o Deus do céu...." "Todo aquele que, dentre vós, pertence a seu povo, Deus esteja com ele e suba a Jerusalém, na terra de Judá e construa o templo de Iahweh, o Deus de Israel" (1,2-4).

O texto do edito de Ciro está marcadamente teologizado constituindo-se numa obra redacional muito elaborada. Se a expressão "Iahweh, o Deus do céu" não tem nada de estranho no contexto persa, que dizer da designação "Iahweh, o Deus de Israel" que resulta mais da livre criação teológica, nutrida dos temas dêutero-isaianos.

De fato, a apresentação feita de Ciro, em quem "Iahweh suscita o espírito " é dependente da teologia de Is 41,2-25;42,13 ou 45,13. E de resto pela famosa profecia de Is 44,28 "que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado."

As palavras de Isaias serviram para alimentar, no imaginário popular, a noção de que Ciro teria sido um libertador do povo de Deus. Esta seria a visão de senso comum nos dias de hoje, e talvez assim também pensasse o autor do "texto sagrado". Essas palavras, na verdade, não são de Isaías (740-700) mas do 2º livro de Isaías (Dêutero-Isaías, 550-539) escrito por um cronista contemporâneo a Ciro. Esta metodologia " vaticinia ex eventu " sempre foi característico das literaturas apocalípticas com o intuito de aumentar a fé nas profecias e, por conseguinte ajudar aos fiéis a suportar as provações presentes.


5 Esdras e Neemias - A cronologia fantasiosa

Registrando-se historicamente o acontecimento, na verdade não se trata do primeiro ano do reinado de Ciro (550), mas do primeiro ano do reinado na Babilônia, ou seja, no ano 538.

Entram em cena duas pessoas nos primeiros capítulos de Esdras: Zorobabel e Josué. O primeiro um líder político, certamente, designado pelos persas. O segundo, um líder religioso, um sacerdote.

As dificuldades para superar as oposições de samaritanos e cuteanos foram grandes e Zorobabel e Josué desaparecem de cena tão rapidamente quanto entraram, e já no capítulo 4 avança-se cerca de 40 anos e, imediatamente, 70 anos.

Esdras 4.6 enfoca acontecimentos bem mais tardios (reinado de Xerxes: 486-465).

Esdras 4.7 " nos tempos de Artaxerxes" (464-425) informa sobre "uma carta de acusação (sitnah), escrita em aramaico, contra os habitantes de Judá e de Jerusalém".

Em Antigüidades dos judeus, Flavius Josephus, historiador do século I, reporta a ocorrência de uma carta dos moabitas e samaritanos, encaminhada a Cambyses (530-522) filho de Ciro e seu sucessor, no início do governo deste, ou seja, 8 anos após a autorização conferida por Ciro. Faz um pouco mais de sentido, do que uma carta reclamando dos trabalhos dos judeus na reconstrução do templo, 72 após iniciado este trabalho. O texto da carta, reportada por Josephus, é apresentada nos mesmos termos daquela relatada em Esdras 4,8 e endereçada a Artaxerxes I, apenas os personagens que geraram a carta são outros que Reum e Sansai, relatados na Bíblia.

Segundo ainda o historiador judeu, Cambyses ficou irritado (Antiguidades 11.2.2) e desautorizou a ordem anterior de Ciro, proibindo os judeus de construir o templo e as muralhas da cidade. Continuando sua narrativa Josephus menciona Zorobabel, novamente, no começo do governo de Dario I (521) portanto 9 anos depois, obtendo "nova" autorização para iniciar os trabalhos de reconstrução em Jerusalém. Nesta "segunda autorização" Josephus não menciona mais os tesouros do templo, embora ainda exista menção a ajuda, tanto financeira como política, aos refugiados durante seu retorno.

É importante nos fixarmos no documento aramaico que embora digno de crédito oferece numerosas dificuldades de coerência interna que afloram a um simples exame superficial. À sua leitura não se identifica à primeira vista de que acontecimento se trata? Da construção do templo (Esd. 5-6) ou da muralha de Jerusalém (Esd. 4). A cronologia é das mais fantasiosas. Como já frisamos, anteriormente, o cuidado primordial do redator não é a ordem historiográfica. O preenchimento do tempo entre o começo dos trabalhos sob Ciro (538) e seu recomeço "no 2º ano de Dario", ou seja em 520, é explicado menos pelas dificuldades internas sociais, econômicas e políticas e mais por um fator teológico. Como veremos, 117 anos vão separar a dedicação do templo, em 515, da chegada da lei (Esdras), em 398.

 
6 Esdras e Neemias - A falsa contemporaneidade

Lemos em Esd 7,8 que Esdras "chegou a Jerusalém no quinto mês; era o sétimo ano do rei (Artaxerxes)". Lendo Ne 2,1;5,14 vemos que o próprio Neemias chegou ‘no 20º Ano de Artaxerxes" A pergunta que se faz é óbvia: Qual dos Artaxerxes? Artaxerxes I, Artaxerxes II ou Artaxerxes III?

Se considerarmos para os dois personagens o rei Artaxerxes I : a missão de Esdras começou em 458 e a de Neemias em 445. Desta maneira, treze anos separam a chegada de Esdras da leitura solene da Lei . Este longo tempo é um complicador para aceitarmos, ser Artaxerxes I, o rei referencia para Esdras.

Para datar a missão de Neemias podemos nos apoiar em bases sólidas. Dando-se crédito a Ne 5,14,segundo o qual o governador exerceu sua autoridade "do 20º ao 32º ano do rei Artaxerxes". Logo de saída eliminamos Artaxerxes III cujo reinado durou apenas 20 anos (358-338). Ficamos com duas possibilidades Artaxerxes I (465-424) OU Artaxerxes II (404-358). Através de documentos de judeus de Elefantina, datados de 407, que citam, nominalmente, Sanabalat, o adversário do governador judeu, como governador da Samaria, podemos eliminar Artaxerxes II. Neemias chegou portanto, em Jerusalém em 445, sob o reinado de Artaxerxes I.

Determinar a data da chegada de Esdras " no 7º ano de Artaxerxes" não é tão evidente. Temos duas alternativas:

- 458 sob Artaxerxes I

- 398 sob Artaxerxes II

A primeira alternativa, que pressupõe a contemporaneidade entre Esdras e Neemias, incorre na dificuldade grande de explicar os 13 anos entre a chegada de Esdras e a leitura da Lei. Quanto a contemporaneidade, em verdade segundo, novamente, Abadie:

"Neemias não desempenha nenhuma função por ocasião da leitura da Lei por Esdras, e o verbo no Ne 8,9 "disse" requer apenas um único sujeito. O texto hebraico parece, pois, emendado; aliás, o texto grego paralelo de 1Esd 9,49 leu-o erroneamente, fazendo do título persa dado a Neemias, "Sua Excelência" ( hattirsata ), um nome próprio ( Attharatès ). Igualmente, em Ne 12,36, cita-se Esdras em um apêndice mal remendado do relato."

Podemos concluir disto que a contemporaneidade dos dois grandes reformadores nada mais é senão um artifício literário colocado ao serviço do projeto teológico do conjunto."

A Segunda alternativa 398, é no seu ambiente histórico, completamente, adequada e contrariamente à apresentação bíblica, a missão de Esdras seguiu, e não precedeu, a de Neemias . A ordem atual se deveu a uma intenção teológica, segundo a qual a fé em Deus vem antes da política.
 
7 Esdras e Neemias - Racismo enrustido

Os bíblicos e crentes esforçam-se por afastar a conotação de racismo no episódio dos casamentos mistos, ponto fundamental da Lei e dos livros em questão.

Como aceitar que mulheres e crianças sejam abandonadas em nome da preservação da tradição? Onde está a moral neste ato? Onde existe nessa palavra a inspiração de Deus? Como explicar Ne. 10,3:

"Agora, pois, façamos concerto como nosso Deus de que despediremos todas as mulheres e tudo o que é nascido delas, conforme ao conselho do Senhor, e dos que tremem ao mandato do nosso Deus; e faça-se conforme a Lei."

Justificar esta atitude, afirmando que foi executada para propiciar a sobrevivência religiosa dos judeus ou sua identidade como nação é dar guarida a todos os preconceitos que cercam o povo judeu até hoje.

É bom frisar, que ao lado das razões teológico-religiosas juntavam-se sem dúvida razões econômicas. Os Papiros de Elefantina revelam que, na sociedade judaica, as mulheres podiam herdar bens e terras. Não seria com a herança judaica, caindo em mãos estrangeiras, a maior preocupação?

É difícil não enxergar Esd 9, como racismo ou usura embora alguns neguem justificando as atitudes em nome da manutenção da identidade nacional.

up-load: 10/07/99
1 ª revisão: 30/12/1999 (Introdução)  


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Comentarios (1)add
teologias na contra-mão de Esdras-Neemias
escrito por Aíla , 06 março 2007
Oi
Para combater Esdras capítulo 10 e visão negativa sobre a mulher estrangeira que deveria ser expulsa, foi escrito o livro do Cântico dos Cânticos no qual o amor é exaltado em si mesmo. E também foi escrito o livro de Rute, no qual se afirma que uma moabita (Moab é o protótipo do inimigo) foi mais fiel que os israelitas.
A respeito da posição de Esdras-Neemias de que não é possível ao israelita ser fiel a Deus em terra estrangeira contrapõe-se o livro de Tobias, mostrando que no exílio Tobit foi mais fiel que seus contemporâneos.
Todas essas teologias são da mesma época, são muitas cabeças e muitas idéias compondo a bíblia e felizmente todas elas foram conservadas por isso não temos uma visão uniforme sobre a fé de israel, a não ser que fiquemos parado numa única teologia.
Bom artigo!
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