Moral Cristã e Pecado Original. PDF Imprimir E-mail

Felipe Mogan

Desde há muito tempo, praticamente quase a partir da instalação da MHP que eu desejava escrever algo sobre a moral cristã, ou melhor dizendo, sobre o conceito de moral aliado à crença em um criador.

Conforme abordado em O Que É Ateísmo , quando introduzimos O Problema do Mal, nada representa melhor o legado pernicioso das religiões do que a vinculação do conceito de moral com um Deus.

Modernamente, a infeliz frase de Dostoievski completou o dano!

As religiões criam pecados para controlar os rebanhos dentro dos limites da fé. Tornam coisas inanimadas em sagradas e criam rituais, a partir de lembranças de acontecimentos passados, cujo não cumprimento são considerados novos pecados.

Todo este edifício doutrinário na verdade acaba com qualquer moralidade.

Na tentativa de demonstrar o valor e o poder da fé as religiões criam parábolas e estórias como a de Jó. Existe narrativa mais cruel e desumana que este absurdo assassinato de crianças para satisfazer uma apologia do valor da fé?

Retiram do ser humanos aquilo que deveria ser considerado a distinção na sua criação: a capacidade de pensar.

A virtude é transformada na medida da fé. Quanto mais crente mais virtuoso. Não há necessidade da honestidade, responsabilidade e diligência no trabalho. Basta ter fé.

Os caminhos da fé são povoados pelo medo. Medo do castigo infringido a quem não alcança a "salvação". Salvação de um pecado que na verdade não foi cometido pelo indivíduo em si mas herança coletiva de uma espécie cujos detalhes são deixados à interpretação dos estudiosos das escrituras.

Na interpretação mais aceita, costuma-se- explicar que o Pecado Original é de natureza sexual

Como pode isto ser entendido?

Então Deus criou o homem, a mulher solicitou que se multiplicassem e condenou-os por fazer sexo?

O fato é que as religiões, especialmente, as cristãs, criaram enormes tabus em torno de uma função natural do reino animal.

Aqueles que não interpretam o Pecado Original como de natureza sexual não atingem menos a moralidade.

Segundo estes, haviam duas árvores no Paraíso. A Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O Pecado Original teria sido cometido, literalmente, pela quebra da proibição de comer do fruto da Árvore do Conhecimento.

Vamos mostrar aspectos da imoralidade desta versão.

Recentemente encontramos, como parte do material de estudo da versão de Bíblia Online que utilizamos em nossas pesquisas, um texto muito elucidativo para ser utilizado como exemplo do medo do conhecimento que apavora as Igrejas desde a Idade Média revigorado com o advento da popularização da ciência.

Trata-se de um texto do australiano Ken Ham que já se tornou um dos maiores conferencistas cristãos nos Estados Unidos. A cada ano ele dá dúzias de palestras sobre a fé e recebe mais de 500 convites para apresentações por ano, sobre dinossauros, criacionismo e evolução. Ele é Diretor Executivo da AiG - Answers in Genesis, Ken é autor de vários livros enfocando o Gênesis. O texto em questão é um comentário que demonstra o receio do autor com os riscos advindos para a fé que poderiam ser trazidos pela possibilidade da descoberta da evidência de vida em meteoritos oriundos de Marte.

No texto intitulado Special Mars Report Life in the Rock? Ken expressa sua preocupação com a falta de resposta dos líderes religiosos para esta extensa cobertura da mídia anti-cristã, chegando a afirmar estarem estes líderes " excessivamente compromissados com a evolução ", " eles não entendem a verdadeira natureza da ciência " e " aceitam as explicações da NASA por não terem pensado através de uma visão bíblica do Gênesis " e completa "...é por esta razão que o Senhor criou ministros como os da AiG" .

Ken completa que poucas horas após ouvirem os relatórios técnicos a AiG divulgou um "press release" elaborado por vários "cientistas-criacionistas" de diferentes partes do mundo. O sumário destas respostas bíblicas é a pérola de obscurantismo que apresentamos abaixo:

  1. A Bíblia não afirma se pode ou não ser encontrada vida em algum outro local do universo. Entretanto, devido à Terra ter sido criada antes e o Sol, a Lua e as estrelas foram feitas no quarto dia, parece que porque a Terra está no palco central da criação, tudo o mais foi criado para a Terra. Não podemos ser dogmáticos sobre esta posição, mas é mais provável que somente a Terra tenha vida.
  2. Relativamente a inteligência no espaço exterior, a Bíblia apresenta fortes argumentos de que ela anão existe. Porque o pecado de Adão afetou o universo inteiro, e somente os descendentes de Adão podem ser salvos através de Cristo que se tornou um Homem, não teria nenhum sentido que o pecado de Adão resultasse em julgamento de outra raça humana no universo que não poderia receber a salvação.

Existem também na argumentação de contestação da AiG algumas respostas científicas que não vem ao caso discutir aqui, pois nem sequer estamos considerando que os vestígios de vida no meteorito de Marte tenham sido comprovadas pela ciência como, efetivamente, oriundas de Marte.

Já conhecemos desde o século XVI os problemas causados com a consideração da " Terra como palco central da criacão " e fica clara a imoralidade da proibição dada a Adão para não tocar na Árvore do Conhecimento.

O motivo da punição de Adão, nestas versões, simplemente, literais que envolvem a Árvore do Conhecimento, foi em última análise a inveja, pois o criador invejou Adão que ao comer o fruto adquiriria conhecimento. Aonde está a onisciência quando pergunta por Adão : "Aonde está você?". O criador se apresenta, repetidamente, como um Deus invejoso e ciumento, que infringe castigos cruéis a quem transgride suas caprichosas ordens e mandamentos. Poderíamos afirmar que com um Deus como este, ninguém precisa de inimigos. [Nota de um Evangélico]

O conhecimento aniquila a fé enquanto a ignorância é seu fermento maior.

Devemos, no entanto, reconhecer que posições como as expressas acima são mais comuns entre as chamadas denominações evangélicas. A Igreja Católica, talvez tendo aprendido com as lições do passado, se mostra mais liberal em suas interpretações bíblicas e nas suas relações com a ciência. Sua posição é do tipo "Dai à Ciência o que é da Ciência e dai a Deus o que é de Deus".

No entanto, entre as diversas correntes evangélicas, fundamentalistas ou de cunho mais liberal, vicejam diversas interpretações diferentes para os mesmos acontecimentos como é o caso para a Doutrina do Pecado Original. Os Adventistas do 7º Dia, por exemplo, nem sequer a cultivam.

Já outros conseguem enxergar que o Demônio através de um animal selvático, a serpente, enganou Eva que teve em seu ventre dois gêmeos, frutos de duas impregnações separadas! No nascimento desses gêmeos, Caim veio à luz primeiro, e depois Abel. Nas palavras do Rev. Elézer Puglia (1925 - +1991) em um estudo de sua autoria lê-se: " Há, portanto, três filhos nascidos de apenas dois conúbios sexuais com Adão. Desde que a Bíblia é a exata e perfeita Palavra de Deus, aqui não há erro mas, ao contrário, um registro acurado para nossa iluminação. Desde que três filhos foram nascidos de apenas duas uniões carnais com Adão, somos obrigados a concluir com toda a certeza que um desses três não era filho de Adão!...Eis aí, então, a originalidade do "pecado original": o diabo inventou o adultério! "

Estas diversas interpretações criam conceitos de moralidades diferentes para a mesma "palavra e Deus" o que por si só já compromete a sua suposta origem divina.

Portanto, concordando em gênero e número com Ingersoll , quando diz que a moral cristã tão decantada e ensinada aos " virtuosos para que estes sejam agraciados com as delícias eternas do paraíso é uma grosseira imoralidade " .

Adendo de 2005

Logo após a eleição do novo papa em 19/04/2005, visando entender a escolha dos cardeais recorri a um pequeno livreto em minha biblioteca que continha uma entrevista, em 1985, ao jornalista italiano Vittorio Messori, do então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congressão para a Doutrina da Fé, instituição que substituiu o Santo Ofício após o Concílio Vaticano II.

Não sei se consegui ainda entender esta escolha, na minha opinião temerária para os destinos da Igreja, mas acabei encontrando um texto de Ratzinger, sobre o "Pecado Original, que vem bem a calhar neste artigo.

Este é o trecho situado entre as páginas 87 e 91 do Livro "Informe sobre La Fe" - Biblioteca de Autores Cristianos - Madrid 1985.

Como pode ser notado, o texto mostra que mesmo para os doutores da Igreja esta questão não passa de pura mitologia. Estas são as idéias do atual Papa da Igreja Católica, instituição que inventou este conceito.

Pergunta de Messori:

Retornando à cristologia, há quem diga que suas dificuldades provém também do esquecimento, se não da negação daquela realidade que a teologia tem chamado de pecado original. Acrescenta se que neste ponto alguns teólogos se haviam ajustado ao esquema de um iluminismo de Rousseau assumindo o dogma que se encontra na base da cultura moderna seja esta capitalista ou marxista: o homem é bom por natureza, corrompido apenas por uma educação equivocada e por estruturas sociais carentes de reforma. Atuando sobre o sistema as águas voltariam ao seu curso e os homens poderiam então viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes.

Resposta de Ratzinger:

Se a Providência me liberar um dia de minhas responsabilidades atuais, gostaria de dedicar-me precisamente a escrever sobre o pecado original e sobre a necessidade de descobrir sua realidade autêntica. Com efeito, se não se compreende que o homem se encontra em um estado de alienação que não é só econômica e social (uma alienação, portanto, da qual ele não pode se livrar com suas próprias forças) não se alcança a compreensão da necessidade do Cristo redentor. Toda a estrutura da fé se encontra assim ameaçada. A incapacidade de compreender e de apresentar o "pecado original" é certamente um dos problemas mais graves da teologia e da pastoral atual.

O conceito chave de tantas teologias de hoje é o da liberação que parece haver substituído o conceito tradicional de redenção. Alguns tem visto nesta mudança um efeito também da crise do conceito de pecado em geral e do pecado original em particular. Observe-se que o termo redenção exige diretamente uma queda, uma situação objetiva de pecado daquela que só a força onipotente de Deus pode redimir, esta vinculação seria menos direta no conceito de liberação, tal como habitualmente se entende.

Pergunta de Messori:

Pergunto-lhe (Messori) se não se trata também de um problema de linguagem. Parece-lhe, todavia, adequada a antiga expressão de origem patristica , pecado original.

Resposta de Ratzinger:

Modificar a linguagem religiosa resulta sempre muito arriscado. A continuidade tem aqui uma grande importância. Não vejo que se possa modificar as expressões centrais da fé que provém das grandes palavras da escritura: por exemplo, Filho de Deus Espírito Santo, ‘Virgindade e Maternidade divina de Maria. Em contrapartida, admito que se possam modificar expressões como "pecado original" que, enquanto a seu conteúdo têm também uma origem diretamente bíblica, mas que a nível de expressão manifestam um estado de reflexão teológica. Em todo caso, é necessário proceder com muita cautela; as palavras não são insignificantes porém se acham estreitamente vinculadas ao significado. Quaisquer que sejam, creio que as dificuldades teológicas e pastorais que o pecado original introduz não são, certamente, somente semânticas, porém de natureza mais profunda.

Pergunta de Messori:

E o que significa isto concretamente?

Resposta de Ratzinger:

Numa hipótese evolucionista do mundo (aquela a que corresponde, em teologia, um certo "teilhardismo") não tem sentido, evidentemente, falar-se de "pecado original". Esta, no caso mais extremo dos casos, não passa de uma expressão simbólica, mítica, para indicar as carências naturais de uma criatura como o homem, que, desde sua origem imperfeitissima, avança até a perfeição, até a sua realização completa. No entanto, aceitar esta visão significa alterar, radicalmente, a estrutura do cristianismo:

Cristo se transfere do passado para o futuro; redenção significa simplesmente caminhar até o porvir como evolução necessária ao melhor. O homem não é nada mais que um produto que no entanto, não se aperefeiçoou completamente com o tempo; não teria tido lugar redenção alguma porque não haveria pecado a reparar, senão tão somente uma carência que, repito, seria natural.

Estas dificuldades, com certeza, não nos fazem descobrir a raiz da crise atual do "pecado original". Esta crise não é nada mais do que um sintoma de nossa dificuldade profunda para aprender a realidade do homem, do mundo e de Deus. Sem dúvida, não são suficientes aqui as discussões com as ciências naturais, ainda que este tipo de confrontação resulta sempre necessária. Devemos ser conscientes que temos que tratar também com prejulgamentos e revelações de caráter filosófico.

Em todo caso, observo, que se trata de dificuldades justificadas, tendo-se em conta o aspecto verdadeiramente misterioso do pecado original ou como quiser que se denomine.

Esta verdade cristã tem um aspecto misterioso e uma um aspecto evidente.

A evidência:
uma visão lúcida, realista do homem e da história não pode deixar de descobrir a alienação de que aquele não pode ocultar o fato de que existe uma ruptura das relações do homem consigo mesmo, com os outros, com Deus. Agora, fique claro que o homem é por excelência o ser na relação, uma ruptura semelhante chega até às raízes, repercute em tudo.

O mistério:
se não somos capazes de penetrar até ao fundo da realidade e das conseqüências do pecado original isto se deve precisamente a que tal pecado existe, porque. A nossa é uma turvação de caráter ontológico, desequilibra, confunde em nós mesmos a lógica da natureza, nos impede de compreender como uma culpa que se deu no princípio da história pode trazer consigo uma situação de pecado comum.

Pergunta de Messori:

Adão, Eva, o Éden, e a maçã, a serpente...
Que devemos pensar de tudo isto?

Resposta de Ratzinger

A narrativa da Sagrada Escritura sobre as origens não fala em termos de historiografia moderna, porém nos fala em imagens. E uma narrativa que revela e esconde ao mesmo tempo. Porém, os elementos fundamentais são razoáveis e a realidade do dogma fica em todo o caso salvaguardada.. O cristão não faria o que deve a seus irmãos se não se lhe anunciasse o Cristo que nos redime diante de todo pecado, se não se lhe anunciasse a realidade da alienação (a queda) e a realidade da graça que nos redime e libera; se não se lhe anunciasse que para reconstruir nossa essência original temos necessidade de uma ajuda exterior a nós mesmos; se não se lhe anunciasse que a insistência sobre a auto-realização, sobre a auto-redenção não conduz à salvação porém à destruição, se não se lhe anunciasse, enfim, que para ser salvo é necessário se entregar ao amor.

 


Nota de Um Leitor Evangélico, Metodista

Recebí em 05/02/2003 uma mensagem do leitor Henrique Ziller, cristão evangélico metodista, com um interessante comentário sobre a doutrina do pecado original. Em suas próprias palavras ele diz:

1. A idéia do pecado orginal como pecado sexual está amplamente superada no meio evangélico. Creio que resiste apenas em segmentos católicos, em uma perspectiva um tanto quanto folclórica.

2. Não ficou claro no texto o porquê da "imoralidade" da segunda versão, que é de fato aceita no meio evangélico. Pelo que entendi, a imoralidade residiria no fato de que o Criador teria invejado Adão pelo fato de ele ter-se tornado conhecedor do bem e do mal como o Criador. Os adjetivos usados para Deus como invejoso, ciumento e caprichoso não estão relacionados ao texto bíblico, ficaram meio soltos, e, deduzir que Deus seja isso tudo de ruim está muito sujeito à sua liberdade de interpretação. Seu argumento precisa de ser mais forte, fugindo do perigo do debate infrutífero proveniente de sua percepção em confronto com quem não vê os menores indícios de inveja, ciúme ou capricho na ação e nas palavras do Criador.

3. O grande dilema moral que se pode extrair dessa história não é esse. Reside, isso sim, na questão: porque um Deus bom, fonte da virtude, seria capaz de criar uma armadilha para sua criatura? Este ato de Deus abre a possibilidade de que sua criação maior, o ser humano, deixe sua condição de perfeição/bondade para a condição de imperfeição/maldade. Essa sim, é a questão que pode surgir acerca do Criador, e com a qual você poderia encurralar-nos!

Antes de tentar responder a questão da "inveja de Deus," gostaria de aproveitar o tipo de manifestação do Henrique Ziller para expressar minha satisfação com a qualidade de sua colocação que representa o mais claro exemplo do debate eficaz e que pode trazer alguma luz. Dentro do movimento cético, sou dos poucos que defende ser este diálogo possível. Em sua contra-resposta, autorizando-me a publicar sua mensagem, Henrique deu ainda maiores provas de que é possível a discussão destes temas com o segmento evangélico mantendo-se um elevado nível no debate. Ele conclui com uma idéia que eu mesmo já coloquei, ao finalizar meu artigo; Sim, Sou Rotulado como Ateu :

Prezado Mário,

Não vejo problema em que você cite meu nome, mas eu só gostaria que isso fosse feito se você puder acrescentar a informação de que eu sou cristão, evangélico e metodista, e que creio em Deus.

Eu não tenho dificuldade em admitir os dilemas e as questões com que a fé cristã precisa de se defrontar, em primeiro lugar porque eles existem, em segundo lugar porque essa reflexão faz com que a fé ou se firme - em alguns casos pode até deixar de existir. De qualquer maneira, prefiro esse caminho, a viver uma fé barata, cega e racionalmente desestruturada
.

A idéia de um Deus invejoso e ciumento está latente em muitas passagens do Velho Testamento. Os antigos gnóstico inclusive negavam que o Deus criador do Antigo Testamento fosse o único deus do Universo - Jeová era para eles o Deus da vingança e das represálias; a própria bíblia o qualifica como o "Deus invejoso" que declara: "Eu sou o Deus único; fora de mim não há outro." No caso específico do episódio da Árvore do Conhecimento, esta idéia da inveja de Deus pode inclusive estar na resposta ao interessante dilema proposto pelo Henrique.

"...porque um Deus bom, fonte da virtude, seria capaz de criar uma armadilha para sua criatura? ".

Mas que espécie de Deus é esse? Primeiro, fez Adão cobiçar comer da árvore do conhecimento para depois puní-lo. Sem dúvida mostrou-se tirano, ciumento, invejoso e malévolo. Na anunciação tentadora do anjo-serpente (desses que vivem rastejando...). No início dos tempos, este anjo de falsa luz procurou a primeira mulher, Eva, a mãe de todos os viventes, e lhe sussurrou: “. .. de modo algum morereis. É que Deus sabe: no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal" Isto é, nós completamos; caso tenhas a coragem de desobedecer ao Deus invejoso, ao Deus que não quer que evoluas!

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O Primeiro Homicídio como Pecado Original
escrito por Aloízio Monteiro de Oliveira , 02 março 2007
Prezado articulista:

Pressupondo que Deus é o Criador de Todas as Coisas, verificamos que foi só ao ser humano que Ele deu os atributos da inteligência e do livre arbitrio, pois não existe nenhum outro animal que tenha atingido o desenvolvimento intelectual que nós temos (graças, também, à Ciência) -- inclusive, o atributo de fazer escolhas. Isto posto, Deus jamais iria desejar que o ser humano não evoluísse. Em conseqüência, se Deus plantou no Paraíso Terrestre a Árvore do Conhecimento (que deita raízes na Ciência), não tem sentido dizer que Ele proibiu o ser humano de comer do seu fruto, nem tampouco dizer que a desobediência a uma pretensa proibição nesse sentido gerou o chamado Pecado Original. Na verdade, o Pecado Original foi o Primeiro Homicídio, pois, se até Deus não destrói uma criatura Sua, como pode o ser humano ser arvorar no suposto direito de assim o fazer?

Portanto, é através da reflexão argumentativa, sem peias religiosas, que se chega à verdade. E, à luz da Ciência, não adianta querer vir dizer, como fazem os muçulmanos, que "o Alcorão (que contém o Pentateuco) é o livro que ninguém escreveu, mas que sempre existiu". A realidade do Primeiro Homicídio como Pecado Original é tão forte para mim que, em face do "princípio do interesse pessoal"* -- que rege todos os atos humanos --, eu só posso concluir que certamente foi um homicida quem desviou o verdadeiro sentido do Pecado Original para afogá-lo no fruto da Árvore do Conhecimento.

Neste enfoque, se explica o porquê do autor do Gênesis ter desviado o Pecado Original para a Árvore do Conhecimento. Mas, mesmo assim, ele cometeu outro erro superveniente: se, no chamado Paraíso Terrestre, havia pelo menos uma Árvore do Mal -- a Árvore do Conhecimento --, então esse pretenso paraíso não era verdadeiramente 100% Paraíso. Portanto, para que o Paraíso tenha o sentido da Perfeição, há a necessidade de identificar o Mal em outro lugar, e não no Reino Vegetal ou Mineral. Neste caso, só há um lugar: no Reino Animal. Não nos animais irracionais, mas naquele emque Deus dotou de inteligência e livre arbítrio: o ser humano. Portanto, o Mal está no subconsciente humano, onde, vez por outra, se manifesta o sentimento da Inveja e Ambição.

A descoberta da Verdade está justamente na leitura do Pentateuco, ao revelar que, enquanto esteve vivendo no palácio real do Egito, sob as benesses do faraó, Moisés, que copiou de Akhenaton a ideologia do monoteísmo, assassinou um ser humano em praça pública. Por isso, ele se omitiu em dizer que o Pecado Original foi o Primeiro Homicídio.

Hoje, o papel do ser humano deve ser o de buscar sublimar o instinto de agressividade que sempre latejou no consciente das pessoas, desde quando o judaísmo adotou o perverso lema do "olho por olho, dente por dente". E, então, só existe um Caminho, pois o resto são veredas e labirintos: fazer das sentenças perenais de Jesus a única filosofia de vida.

AloízioMonteiro, 57
Natal - RN, Brasil.

_________
(*) Este princípio foi estabelecido pelo jurista alemão, Rudolf von Ihering, no início do século passado, sendo uma das bases fundamentais do Direito.
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Sobre seu comentário (Aloízio Monteiro)
escrito por Administrador , 03 março 2007
Prezado Aloízio
Agradeço seu comentário feito na forma que esperamos que nossos visitantes e membros participem.
Agradeço ainda mais por ser, nesta nova fase da MPHP no ar desde 27/02/2007 às 18:00hs, o primeiro comentário deixado por nossos membros ou visitantes.
No entanto, com relação à sua argumentação, infelizmente não posso concordar.
A tentativa de mover o pecado original para o primeiro homicídio não é uma idéia que possa responder a questão retirando-a do rol dos mitos.
Na realidade, estamos trocando um pelo outro e sustentando-o sobre outro mito, a redação do Pentateuco por Moiisés.
As pesquisas nos últimos 600 anos já afastou esta hipótese para a redação dos 5 primeiros livros da Bíblia deixando-a apenas no terreno da fé.
Não pretendo aqui discorrer sobre as quatro fontes consagradas dos cinco livros atribuídos a Moisés (J, E, P e D).
Pareceu-me um tanto ingênuo afirmar que Moisés omitiu referir-se ao primeiro homicídio como o Pecado Original devido a ele mesmo ter assassinado um homem em praça pública.
Aliás, sobre Moisés, gostaria de sugerir um livro sui-generis pelo fato de ter sido escrito por Sigmund Freud, mais conhecido por seu trabalho em outros campos do conhecimento.
Trata-se de Moses and the Monotheism no qual Freund defende a hipótese de que Moisés era um príncipe egípcio e não um judeu.

Um grande abraço e mais uma vez obrigado pela participação.
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Resposta à desfaçatez de ateus serem chamados de "desocupados".
escrito por Haddammann , 07 novembro 2009
Fé de Igreja(s) em Réu Confesso

Isso aqui, agora, vai ser difícil de entender, até para os ateus, quanto mais para os ?fiéis? de qualquer crença.

A confissão: ?Ateu é coisa de desocupado e luxo de rico? enfim define bombasticamente a vocação dos que optam em estar infurnados em (especulações formatadas) em igrejas. Porque postos dos mandantes de crenças e cargos (qualquer um) dos enfiados nesses tipos de antros são completamente contrários aos preceitos que vieram de homens que os negaram. Que homens foram esses? Os que os enganados por crenças gostam de citar como ?profetas?, ?iluminados?, etc. Homens avessos à opulência de devassos inúteis que se enroscam em cadeiras de poder (político-civil), dizendo-se intermediários divinos. Observem que todos aqueles homens tidos como homens de confronto à uma situação de governo vigente insuportável e mentiroso, destituíam-se de conforto, e, tiravam da Natureza suas indispensáveis e mínimas necessidades.
Portanto; só mesmo um ATEU que vive às custas da mais deslavada vagabundagem pode se refestelar à custa da Sociedade, escorando-se em completa e total inutilidade por não ter préstimo nenhum à Sociedade Humana.
Por que, pense(m) pelo menos uma vez; como um crente vai ser interesseiro de buscar benesses através de crenças; contrariando tudo que consideram genuíno vindo dos homens que mostraram-se destituídos de interesses?
Portanto, se você se esbalda em riqueza, alguma coisa está muito, muito errada; e só coniventes com mentiras e sem caráter algum se desculparão com mil idéias fiadas, e ainda levarão seus filhos pelas mãos aos agentes de prostituição civil, psicológica e financeira, encarceradores de pessoas dentro de crenças.
Agora, ateus, rotulados assim por estarem desocupados de crenças, esses sim, trabalham, e como. Incontáveis são os bens que nos trazem e nos trouxeram, e sempre encarando diversas e mais insanas covardias.
Esse conjunto de pessoas independentes que são postas numa linha de referência diversa de dogmas e fantasias estúpidas, de fato, não estão nem aí para crenças, nenhumas.
Ateus mesmo são papas, pastores, maçons, disfarçados mediúnicos, budistas, etc.
O que as pessoas conhecem por ateus, pela mídia enviesada, são na verdade os Humanistas.
O que é um Humanista?
É a pessoa portada pelo menos com um pouco de consciência para ter disponibilidade e atenção para com as qualidades humanas; que sente-se como ser vivo esforçado em prol do bem-viver pessoal e civil, e que tem por reflexão própria a noção de que o Universo (em sua simplicidade e complexidade) é eficiente para promover e formar a vida (com dificuldades e belezas).
Assim, não-nascidos-para-crença, com valores próprios, pautados por cordialidade civil, dispostos na vida com parâmetros de escrúpulo e honestidade civil, são altaneiramente Humanistas, mesmo se rotulados de ateus, agnósticos, céticos, etc; e esse rótulo é por conta da força de confronto com ditames, recalques, e forquilhas que ?espertos? tentam impor aos seres satisfeitos e livres, e autenticamente humanos.

Haddammann Veron Sinn-Klyss
sábado, 7 de novembro de 2009







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escrito por Ronaldo Luis , 13 dezembro 2009
Sem duvida alguma a igreja é uma farça e exploradora.
A biblia é um livro frio e curel.
E que a segue leigos.
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escrito por Agapito Paz , 23 janeiro 2011
E quem foi que disse que Moisés não era egipsio? Ele nasceu no Egito, filho de pais israelitas. Foi adotado pela filha do Faraó e educado no palácio do Faraó; então ele era egipsio.
Agora, se vc não acredita que Deus existe, isso é fruto do seu mal uso da razão. Procure usar melhor o dom da razão que vc tem e certamente vc chegará a outras conclusões em vez desta de achar qe Deus não existe e que as religiões inventam pecado.
E, depois, quem foi que disse que o pecado original foi um ato sexual? nem a bíblia nem a tradição afirma tal coisa.
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perguntas ao articulista
escrito por Jorge , 28 março 2012
Gostei da forma como expôs seus argumentos, e gostaria de lhe fazer algumas perguntas posso ? bom lá vai! se você e já sentiu medo de deus e se acaso sentiu alguma vez se pudesse contar como foi? e outra menos interessante, mas não menos importante. Como comentastes a respeito de Freud, gostaria de saber se concordas com os estudos dele a respeito do ID - EGO - SUPEREGO ? e se concorda escreva um pouco pra mostrar que sabe do que está falando. Um grande abraço
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