Felipe Mogan
A forma como a oração é apresentada pela Igreja Universal do Reino de Deus - IURD caracteriza um Deus soberbo que apenas olha por seus súditos se estes conseguem orar com eficiência ou no jargão da própria IURD, sabem buscar a Deus.
De nada adianta a um temente a Deus levar uma vida regrada e respeitadora dos mandamentos de Deus. Se este não buscar a Deus como se dissesse; Deus aqui estou me ajuda, não receberia a menor atenção de Deus.
É estranho que um pai olhe por seus filhos apenas se estes pedirem ou manifestarem uma forma "inteligente" de demonstrar que desejam a sua presença e apoio.
Seria este o conceito que temos de um bom pai?
É também muito estranho que as orações dos pastores e bispos da Universal chamem a atenção de Deus para as mazelas que estão acometendo seus filhos solicitando então que Ele os visite e retire o mal.
Deus não é onisciente?
Para quê precisaria da lembrança que é feita nas orações?
Melhor, para que precisaria de orações se seu amor pela humanidade é infinito?
Usando as próprias palavras do evangelho vemos como estas orações são vãs e seu único intuito é estar inserido dentro da estratégia de marketing da Universal:
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes (Mt 6.7,8).
Portanto, a oração na IURD perdeu todo o sentido de um momento interior de comunhão para se transformar em mais um instrumento de seu marketing sagrado. Os atos e palavras de Jesus demonstram que ele gostava de orar em locais solitários, mas na Universal levar o crente à igreja significa aumentar a possibilidades de ofertas colocando-o frente aos constrangedores pedidos de "sacrifícios" emitidos pelos pastores, em todas as reuniões, no afã de cumprirem suas metas de arrecadação.
Neste ponto é válido colocar as observações do Frei Patrício Sciadini:
Quando achava orgulhosamente que eu poderia ser "teólogo", colocava-me uma pergunta angustiante e ao mesmo tempo soberba: "Para que serve ficar diante de Deus em silêncio, suplicando pelos problemas dos outros e meus, quando ao meu lado o mundo pega fogo, os homens passam fome, a injustiça vai aumentando e o mal avançando? Para que desperdiçar tempo precioso em "cânticos, orações, adorações" se é necessário agir, fazer algo para melhorar um pouco o mundo em que vivemos?" Estas perguntas e outras semelhantes sempre estiveram presentes e sempre existirão. Delas ninguém escapa. Mais cedo ou mais tarde, na confrontação conosco mesmos, assalta-nos a tentação da inutilidade da oração e queremos justificar tudo com o FAZER, embora defendamos a importância do SER.
É lógico que Frei Patrício conclui, posteriormente, como católico, pelo poder interior da oração como encontro amoroso com Deus e que oração não é meta, é simplesmente caminho para se chegar a Deus. No entanto, suas ponderações são bastante pertinentes e colocam a nu a inutilidade da forma de oração pregada pela Igreja Universal.
Do ponto de vista de resultados se orar valesse de alguma coisa não teríamos a inúmeras catástrofes naturais que dizimam frequentemente milhares de vidas inocentes, a grande maioria dela tementes a Deus.
Com relação à visão da IURD referente ao poder da oração não deveríamos esperar algo diferente de uma seita que promove dantescos episódios de exorcismos em seus palcos, outro tipo de oração do que aquele ridículo e patético espetáculo do bispo (Wagner Negrão) que pede, com a família no palco ie. altar, que ele e a família saiam dali mortos se suas súplicas de prosperidade para o povo da nação dos 318 não forem atendidas. Sobre esta exdrúxula entidade denominada nação dos 318 leia o artigo com link abaixo: Templo Maior, Farsa Ainda Maior.
É oportuno trancrever uma citação de Somerset Maugham que, brilhantemente como sempre, abordou esta questão da louvação a Deus.
E' curioso notar, pelos documentos em que se baseiam as grandes religiões do mundo, o quanto as sucessivas gerações leram ali mais do que estava escrito. Seus ensinamentos, seu exemplo, criaram um ideal maior. Nós, na maioria, ficamos embaraçados quando alguém nos faz rasgados elogios. E' estranho oue um devoto possa pensar que Deus se sente satisfeito quando é servilmente louvado. Quando eu era jovem, tinha um amigo mais velho que seguidamente me convidava para passar alguns dias em sua casa de campo. Era devoto e todas as manhãs ha orações para os moradores reunidos. Mas havia riscado a lápis todas as passagens do Livro de Orações que louvavam a Deus. Dizia que não havia nada mais vulgar do que louvar as pessoas à queima-roupa e ele, como gentleman, não podia acreditar que Deus fosse tão pouco gentleman para gostar disso. Na época, a coisa me pareceu uma excentricidade. Creio agora que o meu amigo demonstrava muito bom-senso.
Os homens são apaixonados, os homens são fracos, os homens são estúpidos, os homens são dignos de compaixão; descarregar sobre eles algo tão tremendo como a cólera de Deus parece estranhamente inepto. Não é muito difícil perdoar os pecados dos outros. Quando nos colocamos na sua pele, é geralmente fácil ver o que os levou a fazer coisas que não deveriam ter feito e podem-se encontrar desculpas para eles. Há um natural instinto de cólera que impulsiona à vingança quando é praticado algum mal, e é difícil, no que nos concerne, tomar uma atitude de desprendimento; mas um pouco de reflexão nos permite considerar de fora a situação, e, com a prática, não é mais difícil perdoar o mal oue fazem à gente do que a qualquer outro. E' muito mais difícil perdoar a outrem o mal que lhe fizemos; isso requer um singular poder de espírito.
Cada artista deseja que acreditem nele, mas não fica zangado com os que não aceitam a mensagem que ele oferece. Deus não é assim tão razoável. Anseia tão urgentemente ser acreditado que é de pensar que ele necessita da nossa crença para assegurar-se da sua própria existência. Promete recompensas aos que crêem nele e ameaça com horríveis castigos aos que não crêem. Não posso acreditar num Deus que é menos tolerante do que eu. Não posso acreditar num Deus que não tem nem humor nem senso comum.
Como sempre Maugham foi extremamente certeiro em suas observações.
Leia também sobre o mesmo tema: Sobre As Categorias Universais: Relevantes Aspectos Observados na Igreja Universal do Reino de Deus.
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deus te abenço e te dê sabedoria