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Abandone a procura por Deus,
pela criação e outras matérias
do gênero. Procure por Ele
tendo o seu interior como ponto
de partida. Procure quem está
dentro de você e diga:
"Meu Deus, minha mente, meus
pensamentos, minha alma,
meu corpo " Aprenda as fontes
da alegria, tristeza, amor, ódio
...,,,..Se você investigar estes
assuntos, cuidadosamente,
você O encontrará dentro de você.
Monoimo, século 2
Querigma, Ressurreição e Gnosticismo
Mário Porto
"que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e que foi visto por Cefas e depois pelos doze ."
Este texto que aparece na sua estrutura mais clara em Coríntios 15:3 é normalmente conhecido como Querigma (Kerygma) que significa proclamação, anúncio.
Toda a fé cristã está de certa forma alicerçada nestas palavras. Paulo em sua narrativa afirma que esta é uma tradição que ele recebeu e passou adiante a seus evangelizados.
A primeira coisa a se notar é o fato deste texto além de padronizado, ser cuidadosamente composto. Quatro eventos estão em evidência (morte, sepultamento, ressurreição e aparição), dois dos quais são fundamentais, a saber, a morte e a ressurreição do Cristo. Cada um deles é introduzido através de uma unidade redacional composta de modo a oferecer uma interpretação para o evento. As unidades para a morte e a ressurreição estão, formalmente, balanceadas, isto é, elas estão compostas de linhas ou pensamentos que correspondem a linhas similares na outra unidade. Esta característica é mais clara na referência às escrituras, que é repetida em cada unidade, mas também aparece como função retórica de cada evento subordinado. O sepultamento enfatiza a realidade da morte de Cristo, da mesma forma que a aparição credita a realidade da ressurreição. Somente no caso do significado primário da morte e da ressurreição é que existe um pequeno desbalanceamento, uma vez que a morte ocorreu "por nossos pecados" enquanto a ressurreição aconteceu "no terceiro dia".
Esta fórmula "querigmática" não foi criada em um momento de inspiração. Ela reflete um longo período de trabalho intelectual coletivo, incluindo acordos sobre a importância do foco na morte de Jesus como o evento de maior significado para a comunidade, o que representava este significado, o uso do nome Cristo ao invés de Jesus, o pensamento de que Jesus tenha ressuscitado, a importância da referência às escrituras e o tipo de argumentação que faria com que os dois eventos dependentes se tornassem reais (sepultamento e aparição).
Uma importante característica desse kérygma é a referência a Cristo sendo "ressuscitado".
A palavra grega para ressuscitar não tem conotação mitológica. Heróis e homens divinos se tornavam deuses de outras maneiras e as pessoas passavam para outra vida sem ressurreição. Ressuscitar significava somente acordar alguém de um sono ou levantar alguém. Usado aqui, como um eufemismo, para trazer Cristo de volta da morte, ou ressuscitar um corpo teria como resposta da maioria das pessoas, incluindo tanto judeus como Gregos, um sonoro "O Quê?". Isto, porque para os gregos a noção de imortalidade não incluía o corpo. A imortalidade era entendida, se tanto, como a essência do espírito (mente, psique e sabedoria) deixando o corpo.
Para os judeus, a imortalidade pessoal era uma idéia problemática, não facilmente integrável com sua antropologia social e um cadáver era sinal de impureza e morte. Os judeus supunham que espíritos dos mortos partiam, não perambulavam ao redor do corpo e o encontro com um cadáver vivo não era uma experiência considerada agradável. Havia apenas uma estória na qual a idéias de ressurreição de corpos era considerada apropriada e isto era no final do mundo, quando em alguns apocalipses judaicos, as pessoas se levantariam de seus túmulos para presenciar o julgamento final.
Portanto, medo e aversão seriam as reações naturais de gregos e judeus ao ouvirem relatos sobre uma pessoa levantar-se após ser morta e enterrada.
Porque então a ênfase no fato de Cristo ser ressuscitado?
Isto significa que o significado da morte de Jesus como um martírio para a causa Cristã forçou uma idéia nova e rara. Mártires morriam por causas reais e já estabelecidas; Jesus teria que morrer por uma causa ainda não estabelecida. Mártires morriam nas mãos de forças externas; Jesus teria que confrontar uma condição dentro da comunidade pela qual ele iria então morrer.
Considerando-se que ambas, causa e condição, eram altamente questionáveis caracterizadas por pecados e pecadores, a matéria torna-se ainda mais complicada. Desta maneira não era suficiente o uso da lógica do martírio para reivindicar a justiça da causa. Era necessário também confrontá-la também com sinais claros de defesa do mártir. Esta era uma tarefa difícil pois Jesus era um estranho mártir morrendo por uma causa impensável. A única maneira de sobrepujar as contradições implícitas era exagerar no drama e considerar o evento do ponto de vista de Deus.
O que seria melhor do que ter o próprio Deus envolvido na ação?
O primeiro aspecto da teologia do mito é o uso do termo Cristo , significando que Jesus era imaginado como tendo sido "ungido" ou aprovado por Deus para o serviço divino. Outro aspecto é a caracterização da comunidade como "pecadores". Uma terceira é o apelo "às escrituras" , uma reivindicação implícita que os maravilhosos eventos de Cristo estavam em total concordância com o destino que Deus havia engajado e projetado para a história de seu povo. E uma quarta, é que aquele Deus tinha aprovado tanto Jesus como sua causa ao ressuscitá-lo da morte. A voz passiva "ele foi elevado" contrasta com a ativa "ele morreu por", indicando que um considerável trabalho de preparação tinha sido dedicado aos tópicos de operacionalização do drama.
Portanto, foi a necessidade de imaginar o envolvimento de Deus em um, de outra forma, implausível martírio por uma causa bastante problemática, que resultou na estranha e grotesca noção de Deus elevando Jesus dos mortos.
O que pretendemos concluir com esta argumentação é que o querigma não é um texto aleatório da tradição cristã, mas deliberadamente estruturado para ser base da fé nos primórdios do cristianismo e que se opondo às interpretações gnósticas procurava resguardar a autoridade dos doze ao considerar como heresia qualquer interpretação que negasse a ressurreição na carne e interpretasse que esta ressurreição apenas se realizasse em espírito.
Uma pergunta se torna necessária. Porque a tradição ortodoxa insistiu em uma interpretação literal da ressurreição quando o Novo Testamento abrigava outras interpretações como as visões de Maria Madalena do próprio Paulo e outras?
Esta pergunta na pode ser resolvida apenas no âmbito da doutrina ou no contexto religioso. Quando se examinam os efeitos práticos disto no movimento de Jesus podemos enxergar, paradoxalmente, que a doutrina da ressurreição da carne serve para um objetivo político essencial; conferir legitimidade à autoridade de alguns homens que reivindicavam exercer a legítima liderança sobre as igrejas como sucessores do apóstolo Pedro.
Esta doutrina serviu desde o segundo século até os nossos dias para validar a apostólica sucessão dos bispos, a base da autoridade papal. Diversas correntes gnósticas que interpretassem a ressurreição de outra maneira eram de imediato taxadas de heréticas.
O receio da ortodoxia era que quem quer que " contatasse o Senhor " através destas visões interiores poderia reivindicar que sua autoridade superaria ou igualaria aquela dos "D oze" e de seus sucessores.
Por outro lado todos os que havia recebido a "gnosis" alegavam que haviam atingido patamares além do conhecimento da Igreja e haviam transcendido a autoridade de sua hierarquia.
A controvérsia sobre a ressurreição provou ser então crítica na modelagem do movimento cristão para uma religião institucional. O relato ortodoxo, independente de qualquer outro julgamento quanto à sua historicidade, é extremamente ingênuo sendo que alguns gnósticos consideravam a interpretação literal da ressurreição como a "fé dos idiotas".
A convicção de que um homem que morra volte novamente à vida é, naturalmente, um paradoxo. Mas este paradoxo pode encerrar um poderoso apelo, pois embora contradiga toda a nossa experiência de vida ele se expressa na linguagem das emoções humanas e traduz um dos nossos maiores temores e reproduz nossos anseios de superar a morte.
Esta ingenuidade ainda flui especialmente nas pregações evangélicas dos dias de hoje, mesmo com o avanço tecnológico de nossos dias. Percebendo a eficácia dos paradoxos emocionais os bispos e os ortodoxos de nossos dias apresentam contra a evidência de um Deus que não mais se manifesta na freqüência e publicidade relatados na Bíblia um discurso que invoca um chamado "Deus Vivo" afirmando sob a credulidade e ingenuidade do povo que os milagres e feitos de Deus continuam acontecendo e não são um privilégio dos primeiros cristãos. Basta para isto ter fé.
Ref: Who Wrote The New Testament - The Making of the Christian Myth, Mack Burton,L., HarperSanFrancisco, 1996
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* Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. 1 João 2:22
* E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo. 1 João 4:3
* Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. 2 João 1:7