Apostolou, Anna, A Murder In Macedon PDF Imprimir E-mail

Mário Porto 

Romances históricos são sempre desafios para os novelistas.

Diferentemente de um personagem criado em uma novela, um personagem histórico tem que conter as características de personalidade pelas quais é conhecido na história. Acho que o autor conseguiu isto com certa maestria.

Diálogos e atitudes cotidianas, embora não necessariamente históricos, devem seguir um padrão esperado em função das informações históricas que conhecemos à respeito daquele personagem histórico específico.

O assasinato de Felipe da Macedônia é um mistério ainda insoluvel para o qual muitas hipóteses possíveis já foram ventiladas. Os historiadores especulam sobre o que teria mudado o comportamento de Felipe em relação à Alexandre e Olímpia após a batalha de Queronéia na qual o próprio Alexandre se destacou sem até ter tido o reconhecimento do pai.

Três razões principais são apontadas sendo que duas delas oferecem muita pouca consistência haja vista as atitudes anteriores de Felipe com relação ao filho.

Tudo começou a partir do anúncio do 5º casamento de Felipe a ser realizado com Cleópatra filha de uma familia aristocrática da Macedônia, sobrinha de um bravo e popular general de nome Atalo.

A primeira razão seria o fato de Felipe estar realmente enamorado de Cleópatra e tenha ficado privado de seus sentidos com a paixão desenfreada. Convenhamos uma razão pouco consistente ainda mais levando-se em conta de que Felipe não era homem de misturar casamento com mera convivência e não havia razões para repudiar Olímpia o que não havia feito quando casara pela 4ª vez.

A segunda razão seria uma forte pressão do turbulento baronato da Macedônia que exigia um herdeiro de puro sangue Macedônico. Como se sabe Olímpia era do reino de Epiro.

A terceira razão e a mais verossímel seria a desconfiança, infundada ou não, de Felipe em relação à cobiça de Alexandre pelo trono da Macedônia que o levaria a estar envolvido em tramas contra o rei ajudado por sua mãe Olímpia. Não confiando em Alexandre seria difícil confiar-lhe a defesa do reino enquanto estivesse na sua próxima campanha contra os Persas ou até messo destacar-lhe um posto importante em seu exército. Mesmo sem provas o risco era enorme e Alexandre e Olímpia teriam que ser afastados.

A partir deste ambiente algumas especulações podem ser feitas para o assassinato de Felipe e em quase todas elas Alexandre é um provavel suspeito.

Demóstenes e o próprio Dario III sáo apontados como conspiradores da trama de assassinato

A versão mais aceita envolve o aproveitamento por conspiradores ligados a Alexandre e de fatos anteriores tensos entre o assassino Pausânias e o próprio Felipe. Pausânias um ex-amante de Felipe teria sido embebedado, achincalhado e violentado por grupos de amigos de Atalo. Queixando-se a Felipe este não teria acolhido os reclamos por justiça de Pausânias, esperando que o assunto se esvaisse por si só. Irado e com sede de vingança Pausânias seria objeto fácil do aproveitamento dos conspiradores

Não concordo que um novelista seja livre para inventar desenlaçes para qualquer evento histórico não resolvido. Aparentemente, Apostolous escolheu a versão anteriormente citada, apresentando-a como a definitiva, mas isentando Alexandre de qualquer participação. A autora, como artifício válido de sua narrativa, incluiu na sua versão dois personagens fictícios Miriam e Simão que como amigos palacianos de Alexandre ajudam a decifrar o mistério, mas o que causa surpresa é a ativa participação de um deles, Simão, nos eventos históricos.

Este tipo de atitude pode levar a ideias erradas nos leitores com pouco conhecimento dos personagens ou eventos históricos retratados acabando por fazer o leitor acreditar que o desenlace seja historicamente comprovado. O curioso, é que a prática é muito comum e romancistas históricos consagrados como Valerio Massimo Manfredi a utiliza em seu romance "Alexandros", em 3 volumes, quando coloca o secretário particular de Felipe II e amigo de Alexandre, Eumênio, com um papel importante no retorno de Alexandre do exílio, ao fraudar uma suposta carta de Alexandre ao pai, documento e ação sem qualquer registro histórico.

Os dois personagens Mirian e Simão, judeus, parecem um tanto deslocados no ambiente macedônico e Ariedeu, meio irmão de Alexandre, foi retratado mais idiota e incapaz do que realmente deve ter sido.

Romances históricos tem a minha preferência, mas sempre levando em conta as resalvas não-históricas e jamais deve ser apresentado como documento histórico.

A Murder in Macedon - A Mystery of Alexander The Great by Anna Apostolou

  • ST Martin's Press - New York - 1997
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