Capra, Fritjof, A Teia da Vida PDF Imprimir E-mail

Mário Porto

Fritjof Capra já é um autor conhecido dos leitores brasileiros desde sua primeira obra que obteve grande sucesso no país, "O Tao da Física" seguido do não menos festejado "O Ponto de Mutação".

No seu primeiro livro Capra procura fazer a união da ciência com idéias básicas do misticismo oriental e no segundo evoluiu para apresentar uma forma holística da ciência aproximando-se do pensamento complexo de Edgar Morin.

Em "A Teia da Vida" Capra apresenta uma síntese de descobertas científicas recentes trazendo uma nova abordagem para compreensão da vida através da teoria da complexidade, estruturas dissipativas, dinâmica das redes, dinâmica não-linear, autopoiese, auto-organização, atratores caóticos, fractais entre outros conceitos.

Apesar de pretender escrever o livro para leigos Capra, em que pese constantes explicações que são apresentadas sempre que um conceito físico ou químico é introduzido, não parece ter alcançado completamente este objetivo, pois em certas passagens o leitor sem um conhecimento prévio de conceitos básicos de física, química e biologia, encontrará certa dificuldade para acompanhar o raciocínio científico. Mas não são dificuldades que uma leitura paralela não resolva.

O livro é divido em quatro partes e um epílogo. Nas partes 2, 3 e 4 são apresentados os embasamentos cientificos da teoria apresentada por "A Teia da Vida". Nos capítulos que compõem essas partes não são apresentadas idéias novas e sim, na verdade, uma compilação de idéias e trabalhos de outros cientistas encaixados num conceito que define uma rede da vida dentro dos conceitos holísticos já divulgados pelo autor, fato que não prejudica a recomendação da leitura. O livro chega a ser um manual sintético de biologia, matemática da complexidade e estruturas dissipativas.

Capra define uma entidade viva através de três critérios fundamentais que precisam estar presentes para configurar a existência da vida.

São estes; um padrão de organização caracterizada pela autopoiese ou autocriação, uma estrutura denominada pelo físico e químico russo Illya Prigorine como estrutura dissipativa e finalmente fechando os três critérios um processo vital desempenhado pela cognição.

O trabalho de alguns autores cientistas é fundamental para o acompanhamento do livro, um deles é Lynn Margullis autora de Microcosmos, livro editado em português também pela Cultrix. Conforme própria declaração do autor o capítulo 10 de A Teia da Vida é em grande parte baseado neste livro. Outro autor suporte para "A Teia da Vida" foi Ylia Prigorini, premio Nobel e que desenvolveu a teoria das estruturas dissipativas. Um terceiro autor importante na idéia desenvolvida no livro é o chileno Humberto Maturana que estabeleceu o conceito da autopoiese e é um consagrado pesquisador da cognição.

Os livros de Fritjof Capra sempre foram recheados de muitos conceitos científicos honrando a formação do autor embora não o livrando da crítica de muitos colegas no meio científico que argumentavam que o que Capra escreve ‘é tudo menos ciência'. Muitas destas críticas se devem ao caráter místico que percola as páginas, principalmente, do seu primeiro livro "o Tao da Física".

Em "A Teia da Vida" não se encontram estas passagens místicas e até existe uma convincente defesa científica da hipótese Gaia, muito tempo rejeitada pelo meio científico, talvez devido à escolha do nome mitológico, e hoje já encarada de uma maneira mais favorável.

Discordamos de Capra quando distingue a inteligência humana daquela que poderia ser alcançada pelas máquinas afirmando que a "inteligência humana é totalmente diferente da inteligência da máquina". Capra critica os cientistas que pesquisam nesta direção denominando-os de cibernéticistas do cérebro. Kurzweil e outros já deixaram, sobejamente, claro que o "scan" que está sendo realizado do cérebro humano permitirá a reprodução integral das funções cerebrais, inclusive daquelas ligadas ao cerebelo, relacionadas com as emoções. É tudo simplesmente uma questão de tempo.

Na parte 1 e no epílogo Capra expõe realmente aquilo que pretende com todo o suporte científico que apresenta nas demais partes do livro. Estas são as partes que o leitor deve dar bastante atenção para entender todo o arcabouço da teoria plantada pelo livro. Alguns dos conceitos apresentados na Parte 1 - Contexto Cultural são extremamente polêmicos e discutíveis.

Assim por exemplo a idéia de que uma organização em rede é necessariamente igualitária não parece se sustentar. Capra afirma que nós humanos construímos sociedades baseadas na hierarquia da dominação e submissão e que a organização em rede resolveria esta questão transformando as sociedades em agrupamentos igualitários. Nada mais falso, pois quaisquer dois elementos que se relacionam um com o outro podem ser denominados de rede inclusive a brutal relação senhor - escravo existente até mesmo nos dias de hoje. Não existe nada inerentemente igualitário na noção de que cada ser vivo seja conectado com todo o resto.

Afirmações sobre o patriarcado que vem perdendo terreno nos últimos anos e o ecofeminismo, uma vertente filosófica da ecologia, como uma visão ecológica da realidade também são dignas de ressalvas nesta parte do livro.

É importante ressaltar que embora "A Teia da Vida" tenha sido escrito em 1996 apresenta um notável suporte a uma teoria lançada em 2003 por James Gardner em seu livro "Biocosm" e reforçada em 2007 com o livro "The Intelligent Universe". As resenhas destes livros podem ser vistas na seção de Resenhas:Livros.

Apesar de nossas ressalvas aqui e acolá podendo eventualmente sugerir que não recomendaríamos o livro gostaria de fortemente recomendar "A Teia da Vida", pois apresenta uma teoria bastante inteligente para explicar a teia da vida apresentando como em todos os livros de Capra uma leitura agradável e interessante.

Capra Fritjof, A Teia da Vida, Cultrix, 2004 

 

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Comentarios (3)add
Analisando o livro teia da vida
escrito por William Santos de Oliveira , 14 fevereiro 2008
Concordo, com opinião de Mário Porto,até é importante, não negligenciarmos as coisas positivas que o ser humano fez através da tecnologia
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escrito por Web Design , 27 janeiro 2011
integral das funções cerebrais, inclusive daquelas ligadas ao cerebelo, relacionadas com as emoções. É tudo simplesmente uma questão de tempo.
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escrito por Web Design , 27 janeiro 2011
Um terceiro autor importante na idéia desenvolvida no livro é o chileno Humberto Maturana que estabeleceu o conceito da autopoiese e é um consagrado pesquisador da cognição.
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