Brown, Dan, Código Da Vinci PDF Imprimir E-mail

Mário Porto 

A novela de Dan Brown é baseada em uma boa trama que causa realmente ao leitor a vontade de atingir rapidamente o final para conhecer a sua solução, em que pese algumas falhas de roteiro, como a desnecessária fuga do Louvre colocada apenas para permitir o desenrolar da história e o inverossímil desdobramento do seqüestro de Leigh Teabing na Igreja do Templo.

Mas o que me impede de dar nota máxima ao romance é a sua falaciosa fundamentação histórica. Não que o rigor histórico seja necessário em uma obra de ficção, mas esta condição acabou por ter que ser verificada em função da nota colocada pelo autor no início do livro na qual propala a existência de alguns fatos reivindicando precisão histórica em documentos artes e nas arquiteturas descritas.

Nem mesmo as arquiteturas são descrições precisas como é o caso da pirâmide invertida do Louvre.

È importante que as pessoas saibam que a trama de Brown está apoiada na existência de duas organizações uma delas, o "Prieure de Sion", fundamental no roteiro, se constitui numa farsa montada no meio dos anos 50 por Pierre Plantard e não originária dos templários, em 1099, como o autor afirma.

Portanto, embora a Igreja tenha bastante a explicar desde o Concílio de Nicéa em 325 certamente muito pouco destas explicações tem relação com as demandas mencionadas no livro.

É nítido que muitas da inspiração de Brown para seu romance são originadas das tramas elaboradas durante as fraudulentas ações de Plantard na criação do Prieure de Sion de 1956 a 1993, que incluíram falsificações de supostos pergaminhos achados pelo padre padre Bérenger Saunière em Rennes-le-Château. Observem que este é o mesmo sobrenome do curador do Museu do Louvre assassinado nas primeiras páginas da trama de Dan Brown.

Por outro lado, imprecisões históricas acontecem amiúde. Duas das mais importantes estão nas explicações que Leigh Teabing fornece no, capítulo 55, a Sophie Neveu em seu estúdio. Nesta passagem Teabing explica a Sophie que a divindade de Jesus foi estabelecida em 325, no Concílio convocado por Constantino.

Nada mais impreciso.

Embora a condição humana ou divina de Jesus ainda fosse discutida naquele tempo, a idéia de sua divindade era bem anterior, contemporânea dos primeiros cristãos e claramente indicada no 4º evangelho, o de João. Por outro lado, conforme afirmado pelo mesmo personagem Teabing, os Manuscritos do Mar Morto não se referem em nenhum dos seus textos a Jesus e os documentos de Nag Hammadi eram livros (códices) e não rolos (scrolls).

Finalmente, para uma trama que pretende apresentar a verdade sobre mitos tratados como se história fossem, seria natural que o desenlace acabasse por tender para uma solução de certo modo frustrante.

Contudo o romance é instigante e faz as pessoas buscarem as reais explicações o que já é um grande mérito. Portanto, vale os reais pagos na aquisição.

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