Mário Porto
A tese do Selfish Biocosm (Biocosmo Egoísta), apresentada pela primeira vez para a comunidade científica no Congresso Internacional de Astronáutica, no Rio-Centro, Rio de Janeiro em outubro de 2000, é o objeto deste primeiro livro de James Gardner.
Ele vislumbra um estado final para o cosmos no qual uma forma muito evoluída de inteligência social - uma comunidade cósmica - reorganiza os patrimônios de massa e energia herdados da Grande Explosão e cria uma renovação cósmica: o nascimento de um novo universo bebê (baby universe) estabelecidos com a mesma propensão à vida que o nosso cosmos desfruta.
Gardner, a partir dos questionamentos gerados pelo Principio Antrópico e da tese do astrofísico Lee Smolin lançada em seu livro "The Life of the Cosmos" desenvolveu em "Biocosm" uma nova interpretação sugerida em sua teoria do "Selfish Biocosm" afirmando que a qualidade "life-friendly" nas leis físicas que dominam nosso cosmos é uma conseqüência causal e plenamente natural do fato de que vidas e inteligências altamente evoluídas constituírem-se na realidade na máquina duplicadora que é responsável pela replicação e recriação de universos como o nosso. Nitidamente em contraste com a interpretação tradicional para as coincidências envolvendo os valores das constantes do universo cujo favorecimento para o aparecimento da vida seriam consideradas uma restrição seletiva nos universos capazes de produzir vida e inteligência.
Em sua teoria Gardner usa o raciocínio demonstrado por John von Newmann em 1948 segundo o qual qualquer objeto que exerça a auto-reprodução seja ele um homem, um rato ou um universo bebê (baby universe) precisa possuir quatro componentes fundamentais:
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1. Um Plano que preveja a construção da prole
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2. Uma Fábrica para desenvolver a produção
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3. Um Controlador para assegurar-se de que os planos são cumpridos
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4. Uma Máquina Duplicadora, para transmitir a cópia dos planos para a prole.
Embora Gardner não refute inteiramente a tese de Lee Smolin que preconiza que os "baby universes" são gerados na fronteira interior dos buracos negros ele argumenta que a tese de Smolin carece dos dois últimos componentes listados acima, além do que, conforme afirmam outros astrônomos, nosso universo não está ajustado para a maximização da produção de buracos negros.
Em seguida Garner parte para a questão se a hipótese do Cosmo Egoísta é testável, pois em caso contrário estaria no ramo da filosofia e não da ciência. O livro descreve quatro possíveis hipóteses para o teste da teoria:
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As previsões do SETI (Search For ExtraTerrestrial Intelligence)
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A convergência animal na direção da consciência em espécies não-primatas
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A evolução da vida artificial
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A emergência de uma inteligência transhumana.
Você não concordar com tudo neste livro mas garanto que você será desafiado a reavaliar suas idéias básicas sobre o Universo, teologia e a vida propriamente. Sem esquecer que para nós brasileiros a tese do Selfish Biocosm tem um aspecto especial, pois foi apresentada pela primeira vez no Congresso Internacional de Astronáutica realizado no Brasil. James Gardner é um conceituado teórico e pesquisador na teoria da complexidade e escreve regularmente em revistas e jornais científicos. Especialmente este livro Biocosm foi selecionado entre os dez melhores livros de ciência pelos editores da Amazon.com em 2003. Embora com formação em filosofia e biologia a principal formação de Gardner foi no Direito, sendo sócio da firma Gardner&Gardner e tendo servido na secretarias de juízes da Corte de Apelação Norte-americana e da Suprema Corte. Foi também Senador pelo Estado de Oregon.
O livro ainda não tem tradução em português.