Mário Porto
O Universo pode ter seu fim na vida inteligente, e não numa grande contração ou na obscuridade de uma expansão infinita afirma James Gardner em The Intelligent Universe: AI, ET and the Emerging Mind of the Cosmos (publicado em Fevereiro de 2007 e ainda sem tradução em português). Não na vida como a conhecemos, mas vida que adquiriu a capacidade de moldar o cosmos como um todo, tal como a vida na Terra adquiriu a capacidade de formar a terra, o mar e a atmosfera.
A partir do Principio Antrópico e a questão da conveniência dos valores das principais constantes do nosso Universo para permitir a vida (Biofriendly Cosmos) Gardner introduz com a hipótese do Selfish Bocosm que a qualidade "life friendly" das leis físicas que dominam o nosso cosmos é uma conseqüência causal e totalmente natural do fato de que vida altamente evoluída e inteligente se constitui na máquina duplicadora para a replicação e recriação de universos como o nosso. Ele vislumbra um estado final para o cosmos no qual uma forma muito evoluída de inteligência grupal - uma comunidade cósmica - reorganiza os patrimônios de massa e energia herdados da Grande Explosão e cria uma renovação cósmica: o nascimento de um novo universo bebê (baby universe) estabelecidos com a mesma propensão à vida que o nosso cosmos desfruta.
Segundo o próprio autor:
"Meu primeiro livro, "Biocosm", foi uma extensa argumentação tentando mostrar que o cosmos possui uma função de serviço. (i.e., algum valor ou resultado que está sendo maximizado) e que a função específica de serviço é a propagação de universos bebês exibindo a mesmas qualidades próprias para a vida do que seu universo ancestral, uma forma de órgão reprodutivo cósmico".
"Diferentemente do "Biocosm" cujo propósito era lançar uma hipótese cientifica o objetivo deste livro é contar um história extraordinária. Você se defrontará com pessoal sênior da NASA cuja paixão é a investigação do provável impacto na religião da descoberta de inteligência extraterrestre; um cientista de computadores perseguindo softwares para sustentar um tipo especial de evolução darwiniana, que fica assim mais qualificada e financeiramente valorizada com o tempo; e um profeta tecnológico que no meu ponto de vista é o verdadeiro herdeiro contemporâneo do legado intelectual de Darwin.
"Você encontrará um fascinante elenco de atores não-humanos que desempenharão papéis de liderança no estágio cósmico do amanha". Eles incluem:
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Máquinas super-inteligentes capazes de superar o pensamento humano sem deixar cair uma gota se suor;
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Exploradores interestelares velozes eficientes em custo formados de elaborados algoritmos de computação capazes de "conviver" nas entranhas dos computadores alienígenas que possam ser encontrados em planetas distantes e;
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Inteligências extraterrestres as quais não foram ainda encontradas pelos pesquisadores do SETI, mas cuja existência é fermente predita por minha hipótese do Biocosm.
"The Intelligent Universe", então é um tipo de diário de viagem projetada - uma história futura imaginada - da viagem cósmica futura que temos pela frente. As fundações desta projeção - a motivação deste futuro imaginado - é uma visão do profundo vínculo entre três fenômenos ostensivamente separados: o surgimento da vida, a emersão da inteligência e a aparente não-inteligente evolução do cosmos. "Discutindo estes tópicos o livro não somente prove novas mensagens da fronteira da ciência cosmológica como também oferece uma meditação sobre as implicações filosóficas das abordagens científicas emergentes para a nossa auto-imagem como espécie.
Para nós brasileiros a tese do Selfish Biocosm tem um aspecto especial, pois foi apresentada pela primeira vez no Congresso Internacional de Astronáutica realizado em outubro de 2000 no Rio de Janeiro. James Gardner é um conceituado teórico e pesquisador na teoria da complexidade e escreve regularmente em revistas e jornais científicos. Seu livro Biocosm de 2003 foi selecionado entre os dez melhores livros de ciência pelos editores da Amazon.com. Embora com formação em filosofia e biologia a principal formação de Gardner foi no Direito, sendo sócio da firma Gardner&Gardner e tendo servido na secretarias de juízes da Corte de Apelação Norte-americana e da Suprema Corte. Foi também Senador pelo Estado de Oregon .
O Livro ainda não tem tradução em português.