Mack, Burton, Who Wrote The New Testament PDF Imprimir E-mail
 

Mário Porto

O livro de Burton L. Mack "Who Wrote The New Testament? The Making of The Christian Myth" pode gerar, desde a leitura de seu sub título, reações antagônicas de aprovação ou repúdio (The Making of The Christian Myth).

O fato é que não é uma tarefa fácil analisar a história dos primórdios do cristianismo seja pela carência de fontes confiáveis seja pela condição de que qualquer interpretação traz em seu bojo concepções idealistas ou psicológicas como pressuposições inerentes ao autor ou analista.

Logo no início para neutralizar a posição de autoridade do Novo Testamento Mack apresenta uma espécie de acordo pelo qual, tenta evitar que, principalmente, os crentes assumam uma posição defensiva prejudicial à aceitação de sua tese. Assim, Mack afirma que tudo é mera mitologia e como resultado as diversas alegações e doutrinas não devem ser encaradas como sérias, mas alerta que não existe nada de errado com o fato de que o Novo Testamento seja um mito e por isso não temos necessidade de defender os primeiros cristãos que o fabricaram. Ao invés, temos que reconhecer que os cristãos primitivos estavam meramente expressando sua essência humana ao inventar histórias que os garantissem durante aqueles tempos turbulentos. Entendendo isto podemos reverenciar os cristãos antigos como pessoas reais e desconsiderar sua mitologia, o Novo Testamento, de seu papel de autoridade em nosso mundo atual.

A partir deste começo identificamos uma ideologia em Mack e precisaremos então considerar os comentários de sua obra levando em conta esta perspectiva e cientes que seu trabalho que nos traz uma completa reconstrução do início do cristianismo através do que denomina "Movimentos de Jesus" não será apreciado por apologistas cristãos.

Uma boa discussão desta questão da ideologia no trato do Jesus Histórico foi, recentemente, estabelecida em nosso Fórum e os visitantes da MPHP estão convidados a participar.

Este livro também foi base para um artigo em seis partes publicado na MPHP e hoje disponível apenas para download.

Procuraremos seguir o roteiro do livro para trazer a nossos leitores uma resenha da obra.

Prólogo (1-18): Os mitos são gerados como necessidade de um povo conectando sua cultura com suas verdades. Todas as culturas desenvolveram mitos consistindo de suas histórias, seus heróis e suas religiões. Devido ao grande poder destes mitos eles podem sobreviver a uma culturas por milhares de anos. Mack mostra em "Who Wrote the New Testament" como o mito Judeu-Cristão foi criado.

Parte I (19-98): O caldo cultural Greco-Romano deixado após as conquistas de Alexandre O Grande. Como a mistura das culturas conduziu a uma miríade de novos sistemas de credo em seu estágio inicial, Os Movimentos de Jesus entre eles; como este simples movimentos, de alguma maneira modelado após a escola grega Cínica, autenticou muitas camadas de credos, muitos abandonados ao longo do caminho foram finalmente forçados a consolidarem no "Cristianismo Ortodoxo" quando Constantino o tornou a religião oficial do império romano em 314 CE. 

Parte II (99-224): Discussões individuais de cada livro do Novo Testamento e de livros apócrifos selecionados. O fenômeno político e sociocultural em causa quando eles foram escritos e os seus prováveis autores. Como toda obra deste período esta também possui alguma dose de especulação, mas Mack suporta sua tese com hipóteses inteligentes construindo uma construção consistente. Uma crítica que pode ser feita em relação à especulação excessiva são alguns pensamentos de Paulo que Mack pretende conhecer e expõe no livro. Mesmo classificando Paulo como um fazedor de mitos (pg 118) quando analisa a carta aos Gálatas, Mack embora oferecendo um impressionante retrato de Paulo não foi suficiente incisivo na composição da sua figura seja como um sincero pregador do cristianismo ou como alguns classificam um charlatão aproveitador

Parte III (225-292): Porque os defensores do mito cristão vieram a se fiar na tradição apostólica, e porque o cristianismo tomou o velho testamento dos judeus e a política por trás do estabelecimento do cânon do Novo Testamento.

Epílogo (293-310): Os especialistas e estudiosos bíblicos partem suas análises com as melhores das intenções quando analisam a Bíblia de forma crítica, entretanto a maioria deles não aplica suas conclusões em uma crítica mais séria dos efeitos das religiões no seio das culturas modernas. Após 2000 anos, o mito judaico-cristão continua a moldar uma mentalidade da idade do bronze sobre as decisões políticas do século 21.

O livro de Mack trás uma boa análise crítica do mito Judeu-cristão. Ele analisa detalhadamente através de cada perspectiva como a história foi alterada anos a fio e mesmo século após século conforme ditado pelas necessidades culturais e políticas. Este é um livro para ser estudado e não apenas lido, é uma exposição brilhante do cristianismo e de como um mito é criado.


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Comentarios (1)add
Mito x Megalomania
escrito por Rodrigo , 07 abril 2009
Querem ver um mito (no sentido racionalista) maior do que o próprio racionalismo humanista, que não resistiu nem mesmo aos seus critérios, e se provou um projeto megalomaníaco cujas estruturas gnoseológicas não perduraram nem 2 séculos, e hoje é irrelevante em qualquer cenário nas discussões epistêmicas?
Fruto sim, de um complô político para justificar o imperialismo eurocêntrico colonialista do século XIX?
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