Vernor,Vinge, Nosso Futuro e as Máquinas PDF Imprimir E-mail
  • Resenha do conto: Derradeira Esperança de Vernor Vinge,
  • Publicado em: Histórias de Robô Vol. 2. Isaac Asimov.../et. Al./ (org.)
  • Trad. Milton Persson. Porto Alegre: L&PM, 2005. (Coleção L&PM Pocket)

Vernor Vinge é um escritor pouco traduzido em português, o que é de se lamentar, matemático e atualmente professor aposentado de Ciência da Computação da San Diego State University, como escritor de ficção científica ganhou quatro Hugo Awards, o Oscar do gênero.

Neste conto Vinge narra a missão empreendida pela espaçonave Ilse, uma inteligência artificial criada pelos humanos, para uma missão de 100 séculos. A narrativa começa com a construção de Ilse e o desenvolvimento de sua inteligência artificial. Ilse é construída com memória programada e uma biblioteca de métodos e fatos, além dos dados necessários a sua missão, mas também com a capacidade de aprender e ter recordações particulares, o que se mostrará necessário para a conclusão de sua missão.

Após cerca de um ano de treinamento, onde os criadores de Ilse pedem para que ela teste todos os instrumentos que possui, a inteligência artificial, agora com um corpo de 22.563.901 toneladas, é enviada para sua missão. O destino de Ilse é Alfa de Centauro, para tanto a nave segue até o Sol a fim de usar sua gravidade como força de empuxo.

Já neste começo de missão os humanos (que remetem ordem através do contato maser - microwave amplification by stimulated emission of radiation), cometem um erro de tempo quando ordenam que Ilse se separe dos motores que tinha usado até então. A missão só não fracassa porque Ilse, dotada de inteligência, não obedece à ordem que colocaria em risco sua missão.

O conto segue narrando o percurso de Ilse até Alfa de Centauro, dando ênfase a própria autodescoberta da I.A. como um SER pensante e autônomo. No decorrer da vigem Ilse percebe que os humanos não fazem mais contato com ela, intrigada volta seus telescópios para a Terra e verifica que o brilho de nosso Sol esta pelo menos dez vezes superior ao normal.

Ilse, após mais alguns séculos, percebe que perdeu grande parte de sua memória, tinha esquecido o objetivo da missão. Para não perder mais dados passa a recapitular periodicamente os dados ainda armazenados em seus três cérebros extras, o que impede novas perdas de informações. 

Após 100 séculos Ilse chega a Alfa de Centauro, lá ela se lembra que deve procurar um planeta que contenha oxigênio e vapor de água, mas encontra dois mundos que tem dados similares. Aqui Vinge mais uma vez vai abordar questões ligadas à inteligência da maquina, que deve discernir qual atitude tomar, Ilse não tem como colher dados mais aprimorados sobre os dois planetas, e sabe que não tem motores capazes de lhe dar novo impulso caso entre em orbita do planeta errado. O dilema se segue, até que Ilse resolve pousar no mundo com mais vapor de água.

O conto se encerra com o pouso de Ilse (em um planeta similar a Terra), que então tenta se lembrar qual era afinal a missão, e passa a testar todos os seus componentes para ver se descobre seu objetivo. Ilse segue os testes até uma grande massa de gelo com um líquido dentro cuja função desconhece, a fim de descobrir a função dessa massa ela passa a aumentar um pouco a temperatura, este método (que ela sabe não danificaria o conteúdo da massa) provoca a ativação de uma memória auxiliar, que ela desconhecia (um mecanismo colocado pelos seus criadores quando houvesse alguma falha de memória).

Através desta memória ela descobre o que deve fazer, nas palavras de Vernor Vinge:

"Agora sabia o que precisava fazer. Aqueceu um tanque cilíndrico cheio de fluido amniótico a 37 graus centígrados. Do depósito vizinho, injetou um único microorganismo no tanque. Em poucos minutos começaria a se encher de sangue. Já começava a amanhecer e a escuridão estava úmida e fria. Use procurou sondar mais a nova memória, mas foi impedida. Pelo visto as instruções eram dadas de acordo com um plano que evitava o uso desnecessário da memória. "Use recapitulou tudo o que tinha aprendido e chegou à conclusão que ficaria sabendo mais coisas dentro de nove meses".

Um conto maravilhoso, que recomendo a leitura, mesmo que seu final não seja mais um mistério para quem ler este texto, até porque é na narrativa de Vernor Vinge e nos detalhes apresentados que o leitor vai conseguir captar toda a mensagem deste texto.

Vinge não apenas idealiza um futuro em que as máquinas poderão aprender e tomar decisões, como prevê que nosso futuro estará intrinsecamente ligado ao das maquinas inteligentes, e isso pode ser muito bom para nos. Os textos de Vinge, assim como o grande escritor de ficção científica Isaac Asimov, nos lembram que não precisamos nutrir nenhum compresso de Frankstein ou, modernamente, de Matrix, pois homens e máquinas inteligentes poderão conviver mutuamente bem, para benefício de ambos.

 


Trackback(0)
Comentarios (0)add
Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security image
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Seguinte >

Recomendar a MPHP

Fala para um amigo Seu nome:

Seu e-mail:

E-mail do seu amigo: