Montes, Raphael, Dias Perfeitos PDF Imprimir E-mail


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Não posso comentar "Dias Perfeitos" sem antes fazer uma digressão para o autor Raphael Montes, que tem sido recentemente elevado ao nível de mito nascente da literatura brasileira pela crítica e pelo meio literário.


Evidentemente, Raphael tem talento e esse talento foi identificado pela Cia das Letras, a grande editora brasileira, a partir de uma oportunidade como o próprio autor relata e dai a rodovia que leva ao endeusamento está pavimentada, começando por seu lançamento no mercado americano por também uma editora de peso o que certamente deve ser um fruto do trabalho da Cia das Letras.


Os reflexos do endeusamento começam a aparecer na medida em que Raphael é convidado para dar cursos para novos escritores por uma editora menor que vislumbra um nicho de marketing criando produtos tais como cursos online sobre "A Primeira Página Perfeita".


Não condeno a criatividade do marketing na criação de um curso como esse, mas cuidado Raphael, não deixe que a fama comece por embotar seu talento e em vez de crescer literariamente comece a decrescer.


Entrando especificamente no romance "Dias Perfeitos" começo pela tal Primeira Página Perfeita, que deu mote para um produto de marketing. Concordo que uma primeira página pode definir o interesse pelo livro, mas ela não mantém esse interesse por si só. Livros existem que começam mornos e vão crescendo se tornam bestsellers independente de uma primeira página de mestre.


E qual é a maestria dessa primeira página em "Dias Perfeitos"? Ela pode ser excelente para alguns, normal para outros e desinteressante para alguns outros, tudo vai depender da bagagem do próprio leitor. Em "Dias Perfeitos" o mérito da primeira página está ligado ao fato que ela tem relação com o desenvolvimento e o fim da trama. Realmente um "insight" interessante de Raphael.


"Dias Perfeitos" é instigante, li de uma talagada só, mas não posso deixar de fazer alguns comentários que se tiverem o paciência de ler outras resenhas é recorrente. Raphael peca em uma das características de enredo apontadas desde o ano 400 AEC por Aristóteles, a verosimilhança.


Este quesito não é importante para alguns estilos literários, mas é fundamental para o realismo.


Nosso personagem principal em "Dias Perfeitos" é brindado pela sorte e sabemos que sorte não existe. Foi demais, a verossimilhança foi afetada na trama em favor do "herói". Os episódios das malas que se repetem ao longo da trama não convencem ninguém.


Recomendo "Dias Perfeitos", como disse li até chegar ao final, são surpreendentes as descrições de perfis psicológicos para um autor de tão pouca idade. Os personagens são interessantes, especialmente os protagonistas Téo e Clarice, mas Raphael, se a crescente fama ainda lhe permite se deter em resenhas de leigos como eu, quero lhe dar um conselho: CUIDADO, cuide das próximas produções não se deixe levar pela onda de sucesso e endeusamento aponto de ter seu talento travado, pois é nítido que você ainda tem potencial de crescimento.


Principalmente, porque a literatura brasileira já está repleta de mitos criados e inflados pela crítica como José de Alencar, Raul Pompeia, o próprio Machado, que não é o santo do altar dos machadianos, apenas um grande escritor com muitos problemas. Uma literatura que não apresenta nenhum expoente no nível de Dostoevsky, Tolstoi, Maugham, James Joyce, Flaubert para citar alguns e finalmente ainda se nutre de uma algazarra difusa ocorrida em uma tal semana de 1922.

 

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